Neste dia da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a comunidade fora convida para a Oração da Tarde. Um grupo interessante compareceu.
Diante de Jesus Sacramentado, orientados pela projecção power point, a família paroquial rezou, meditou, cantou, louvou e pediu.
O tema principal da reflexão rezada foi o diálogo em família: algumas condições para que esse diálogo se torne um espaço de acolhimento do outro e doação ao outro, de escuta e de presença, de comunicação do coração ao coração! Clareza, mansidão, confiança, prudência, paciência, oração...
Um casal presidiu ao terço em cujos mistérios foram apresentadas intenções pelas famílias. Seguiram-se as Vésperas, rezadas a partir do texto projectado. Ao fim da Leitura Breve, cinco pessoas leram o texto de meditação sobre as condições para o diálogo em família. Seguiu-se um tempo de silêncio. É que precisamos de escutar o que ELE nos diz. Terminámos com a Bênção do Santíssimo Sacramento.
Gostei da serenidade das pessoas, da sua participação. Apreciei a entrega de quem preparou os cânticos, e o trabalho de quem tratou graficamente o power point e o projectou com um precisão de relógio suíço. Foi muito agradável estar com a Mãe juntinho d'ELE. O único Salvador.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Se eu fosse pintor, como apareceria Maria de Nazaré no quadro pintado?
Normalmente as imagens que contemplam Maria de Nazaré, revelam um rosto sempre tristonho, cabisbaixo e de mãos sempre voltadas para o céu como se enjoasse este mundo.
Não tenho o mínimo jeito para a pintura. Se tivesse, gostaria de pintar quadros de Maria de Nazaré.
Não me faltavam episódios para a pintura, mas ressaltaria alguns aspectos: alegria serena da crente profunda que Ela foi; a Sua abertura à esperança que não engana; o amor profundo, envolvente, que existia entre Maria e José; o Seu gosto em estar com as pessoas; o amor à liberdade que a levou a ser a humilde serva do Senhor; a Sua condição de discípula sentada aos pés de Jesus para escutar a Boa Nova do Reino; a alegre de apóstola ao serviço do Evangelho.
Por exemplo:
- Maria de Nazaré, sorrindo serenamente, com o Menino nos braços estendidos para uma multidão de famintos de Deus, de paz, justiça social, fraternidade, sentido para a vida vida...
- Maria de Nazaré de mão dada com José, em cujos olhares de imensa ternura se embebecia, feliz, o Jesus jovem.
- Maria de Nazaré, caminhando para a fonte, de cântaro na mão, ouvindo desabafos, levando uma palavra de consolo e de esperança, sorrindo. Maria que gosta de estar com as pessoas, celebrar a alegria da vida, estar no mundo.
- Maria de Nazaré, serena, no meio da multidão, contente por estar entre os ouvintes da Palavra de Jesus, mas totalmente focalizada na Mensagem que guarda e medita no coração.
- Maria de Nazaré junto à Cruz. No seu olhar, imensos pedregulhos de dor combinam-se com céus de esperança de que a morte do Inocente não seria em vão.
- Maria no cenáculo com os seus irmãos na fé, aguentando firme na esperança do cumprimento da promessa. O Espírito Santo, conforme prometido por Jesus, haveria de vir.
Não tenho o mínimo jeito para a pintura. Se tivesse, gostaria de pintar quadros de Maria de Nazaré.
Não me faltavam episódios para a pintura, mas ressaltaria alguns aspectos: alegria serena da crente profunda que Ela foi; a Sua abertura à esperança que não engana; o amor profundo, envolvente, que existia entre Maria e José; o Seu gosto em estar com as pessoas; o amor à liberdade que a levou a ser a humilde serva do Senhor; a Sua condição de discípula sentada aos pés de Jesus para escutar a Boa Nova do Reino; a alegre de apóstola ao serviço do Evangelho.
Por exemplo:
- Maria de Nazaré, sorrindo serenamente, com o Menino nos braços estendidos para uma multidão de famintos de Deus, de paz, justiça social, fraternidade, sentido para a vida vida...
- Maria de Nazaré de mão dada com José, em cujos olhares de imensa ternura se embebecia, feliz, o Jesus jovem.
- Maria de Nazaré, caminhando para a fonte, de cântaro na mão, ouvindo desabafos, levando uma palavra de consolo e de esperança, sorrindo. Maria que gosta de estar com as pessoas, celebrar a alegria da vida, estar no mundo.
- Maria de Nazaré, serena, no meio da multidão, contente por estar entre os ouvintes da Palavra de Jesus, mas totalmente focalizada na Mensagem que guarda e medita no coração.
- Maria de Nazaré junto à Cruz. No seu olhar, imensos pedregulhos de dor combinam-se com céus de esperança de que a morte do Inocente não seria em vão.
- Maria no cenáculo com os seus irmãos na fé, aguentando firme na esperança do cumprimento da promessa. O Espírito Santo, conforme prometido por Jesus, haveria de vir.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Imaculada Conceição: Feriado com história
A solenidade da Imaculada Conceição, que a Igreja Católica assinala esta quinta-feira, é uma marca essencial “da espiritualidade da alma e da identidade do povo português”, defende o reitor do Santuário de Vila Viçosa, na arquidiocese de Évora.
O padre Francisco Couto assinala a data, num texto publicado na mais recente edição do semanário da Agência ECCLESIA, conjuntamente com o padre Senra Coelho, historiador do Instituto Superior de Teologia de Évora.
Os sacerdotes recordam que não se trata de “uma simples festa cristã” mas sim de uma devoção que “engloba indubitavelmente” a construção da independência nacional.
O dia da Imaculada Conceição é feriado nacional em Portugal e a Conferência Episcopal informou a Santa Sé e o Governo da sua vontade de que a data permanecesse “intocável” nas alterações promovidas pelo Executivo.
A ligação entre Portugal e a Imaculada Conceição ganhou destaque em 1385, quando as tropas comandadas por D. Nuno Alvares Pereira derrotaram o exército castelhano e os seus aliados, na batalha de Aljubarrota, e consolidaram a afirmação da identidade lusitana.
Em honra a esta vitória, o Santo Condestável fundou a igreja de Nossa Senhora do Castelo, em Vila Viçosa, e fez consagrar aquele templo a Nossa Senhora da Conceição.
A antiga igreja de Nossa Senhora do Castelo, espaço onde se ergue atualmente o santuário nacional, afirmou-se nos finais do século XIV como o primeiro sinal desta devoção, em toda a Península Ibérica.
Um segundo passo deu-se durante o movimento de restauração da independência que acabou com o domínio castelhano em Portugal e que culminou com a coroação de D. João IV como rei de Portugal, a 15 de dezembro de 1640, no Terreiro do Paço, em Lisboa.
O mesmo D. João IV, atento a uma religiosidade que também já envolvera a construção de monumentos como o Mosteiro da Batalha, o Convento do Carmo e o Mosteiro da Conceição, coroou a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha e Padroeira de Portugal durante as cortes de 1646.
“A Solenidade da Imaculada Conceição liga dois acontecimentos decisivos na História da independência de Portugal e no contexto das Nações Europeias”, referem os dois teólogos, que recordam depois a forma como o debate e a celebração desta festividade começou a ganhar forma, no nosso país e em toda a Europa.
A Universidade de Coimbra “tem um papel importante em todo este processo”, adiantam, já que todos os seus intelectuais “defenderam o dogma sob forma de juramento solene”.
O dogma da Imaculada Conceição de Maria seria proclamado pelo Papa Pio IX, a 8 de dezembro de 1854, através da bula ‘Ineffabilis Deus’.
“De tal modo a Imaculada Conceição caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante séculos o dia 8 de dezembro foi celebrado como "Dia da Mãe" e João Paulo II incluiu no roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santuários que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Viçosa no Alentejo e o Sameiro no Minho”, sublinham os padres Francisco Couto e Senra Coelho.
In ecclesia
O padre Francisco Couto assinala a data, num texto publicado na mais recente edição do semanário da Agência ECCLESIA, conjuntamente com o padre Senra Coelho, historiador do Instituto Superior de Teologia de Évora.
Os sacerdotes recordam que não se trata de “uma simples festa cristã” mas sim de uma devoção que “engloba indubitavelmente” a construção da independência nacional.
O dia da Imaculada Conceição é feriado nacional em Portugal e a Conferência Episcopal informou a Santa Sé e o Governo da sua vontade de que a data permanecesse “intocável” nas alterações promovidas pelo Executivo.
A ligação entre Portugal e a Imaculada Conceição ganhou destaque em 1385, quando as tropas comandadas por D. Nuno Alvares Pereira derrotaram o exército castelhano e os seus aliados, na batalha de Aljubarrota, e consolidaram a afirmação da identidade lusitana.
Em honra a esta vitória, o Santo Condestável fundou a igreja de Nossa Senhora do Castelo, em Vila Viçosa, e fez consagrar aquele templo a Nossa Senhora da Conceição.
A antiga igreja de Nossa Senhora do Castelo, espaço onde se ergue atualmente o santuário nacional, afirmou-se nos finais do século XIV como o primeiro sinal desta devoção, em toda a Península Ibérica.
Um segundo passo deu-se durante o movimento de restauração da independência que acabou com o domínio castelhano em Portugal e que culminou com a coroação de D. João IV como rei de Portugal, a 15 de dezembro de 1640, no Terreiro do Paço, em Lisboa.
O mesmo D. João IV, atento a uma religiosidade que também já envolvera a construção de monumentos como o Mosteiro da Batalha, o Convento do Carmo e o Mosteiro da Conceição, coroou a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha e Padroeira de Portugal durante as cortes de 1646.
“A Solenidade da Imaculada Conceição liga dois acontecimentos decisivos na História da independência de Portugal e no contexto das Nações Europeias”, referem os dois teólogos, que recordam depois a forma como o debate e a celebração desta festividade começou a ganhar forma, no nosso país e em toda a Europa.
A Universidade de Coimbra “tem um papel importante em todo este processo”, adiantam, já que todos os seus intelectuais “defenderam o dogma sob forma de juramento solene”.
O dogma da Imaculada Conceição de Maria seria proclamado pelo Papa Pio IX, a 8 de dezembro de 1854, através da bula ‘Ineffabilis Deus’.
“De tal modo a Imaculada Conceição caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante séculos o dia 8 de dezembro foi celebrado como "Dia da Mãe" e João Paulo II incluiu no roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santuários que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Viçosa no Alentejo e o Sameiro no Minho”, sublinham os padres Francisco Couto e Senra Coelho.
In ecclesia
Deus Existe. Eu Encontrei-o (1)
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| André Frossard é um dos muitos convertidos à fé cristã. Ele próprio conta a sua história num livro intitulado "Deus Existe. Eu Encontrei-o." Este livro deu a volta ao mundo inteiro e suscitou entusiasmo e desprezo. Como sempre! Há quem veja e há quem não queira ver; há quem ouça e há quem não queira ouvir. André Frossard era o filho do primeiro secretário do Partido Comunista Francês: a sua família era ateia e afastada de toda a problemática religiosa. Ele observa com fina ironia: «Na nossa casa, nem por distracção se aflorava o assunto "religião". Éramos ateus perfeitos, daqueles que nunca se interrogam sobre o seu ateísmo.» No entanto, aos vinte anos de idade, André Frossard tem um extraordinário e inefável encontro com Deus. Ele começa assim o relato memorável desse encontro: «Agora, acontece que, por um acaso extraordinário, conheci a verdade sobre a mais debatida das causas e sobre o mais antigo dos problemas: Deus existe. E eu encontrei-o! «Encontrei-o por combinação – antes deveria dizer: por acaso, se o acaso tivesse algo a ver com esta espécie de aventura. Encontrei-o com o assombro e aturdimento de quem, ao virar a esquina habitual da costumada rua de Paris, visse diante dos olhos, em vez da praça e do cruzamento de todos os dias, um mar inesperado que se estende até ao infinito, lambendo com as suas ondas as paredes das casas. Um momento de espanto que ainda dura. Nunca me habituei à existência de Deus.» E prossegue assim o relato da sua experiência: «Ás cinco e dez de uma tarde (era o dia 8 de Julho de 1935), entrei numa capela do bairro latino de Paris para procurar um amigo e saí às cinco e um quarto, com um amigo que não era deste mundo. Entrei céptico e ateu (…) e mais que céptico e ateu, entrei indiferente e tão preocupado com outras coisas do que com um Deus que eu nem sequer pensava em negar (…)» «Em pé junto da porta, busquei com o olhar o meu amigo e não consegui reconhecê-lo (…) O meu olhar passa da sombra à luz, retorna aos fiéis, sem ir atrás de nenhum pensamento, vai dos fiéis às religiosas imóveis, das religiosas ao altar e, depois, não sei porquê, detém-se na segunda vela que arde à esquerda da cruz». Foi assim que Frossard recebeu uma luz, que o converteu completamente a Deus, como direi no próximo número. In O Amigo do Povo |
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
JESUS NÃO ESTÁ SÓ NA RELIGIÃO, ESTÁ (antes de mais) NA VIDA
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Veja AQUI um fantástico post que todos, cristãos ou não, precisamos de saborear e de interiorizar.
Veja AQUI um fantástico post que todos, cristãos ou não, precisamos de saborear e de interiorizar.
2ª SEMANA DO ADVENTO
…
| ADVENTO | MENSAGEM BÍBLICA | DIMENSÕES DA FÉ | ATITUDES |
| 2ª semana | “Quem é esse que ‘vai chegar depois de mim’?” | “preparar” | Saber descobrir o que de bom e de belo existe em cada membro da família |
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
A senhora que não comprou a rifa
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Uma nova igreja em construção na periferia de uma grande cidade. Para servir milhares de pessoas. Bem sabemos como as periferias dos grandes centros urbanos crescem desmesuradamente.
Um grupo de pessoas deita mão às mais variadas iniciativas para angariar dinheiro. Uma construção daquele tipo fica muito cara. Além do templo, a edificação contempla lar, centro de dia, instalações para catequese e formação. Nada disto existia na localidade em causa.
Uma das iniciativas foi o lançamento de uma rifa.
Aquela pessoa minha amiga telefonou-me há dias para tratar de uns assuntos pessoais. Na conversa, falou-me do entusiasmo da população daqueles bairros com a nova Igreja. Enumerou iniciativas, contou peripécias, falou de grande união entre todos e de todos com o pároco.
No meio do entusiasmo, uma situação que relatou mudou o tom da sua voz. Dirão os leitores que é um caso insignificante. Em si mesmo, claro que é. O significado é que não é nada insignificante.
Na escola onde trabalha a pessoa que me telefonou, há uma senhora ligada à Igreja, oriunda de uma zona rica da cidade, e cuja militância cristã é bem conhecida de todos. Dirigiu-se a ela para lhe vender uma rifa. Confiante na sua fé pública e entusiasta, pensava que a dita senhora iria acolher com entusiasmo a dita rifa e que até compraria mais do que uma. Engano. Negou-se peremptoriamente a colaborar. Razão? "Na minha paróquia, temos feito muitas obras e não precisamos de andar com essas coisas."
Pois é. E não saímos da "quintalização" da Igreja. Falamos de uma Igreja "una, santa, católica e apostólica", mas na prática a "minha igreja" tem as fronteiras da minha paróquia!!!
Amor? Solidariedade? Partilha? Colaboração? Há quem fale muito nisto, mas na vida retém-nas na gaveta.
Gandhi tinha muita razão quando dizia que os cristãos têm uma doutrina muito bonita, mas na vida negam-na.
Por isso, o que magoou a pessoa que me telefonou não foi a aquisição da rifa, foi o que isso significou numa pessoa que se diz crente!
Uma nova igreja em construção na periferia de uma grande cidade. Para servir milhares de pessoas. Bem sabemos como as periferias dos grandes centros urbanos crescem desmesuradamente.
Um grupo de pessoas deita mão às mais variadas iniciativas para angariar dinheiro. Uma construção daquele tipo fica muito cara. Além do templo, a edificação contempla lar, centro de dia, instalações para catequese e formação. Nada disto existia na localidade em causa.
Uma das iniciativas foi o lançamento de uma rifa.
Aquela pessoa minha amiga telefonou-me há dias para tratar de uns assuntos pessoais. Na conversa, falou-me do entusiasmo da população daqueles bairros com a nova Igreja. Enumerou iniciativas, contou peripécias, falou de grande união entre todos e de todos com o pároco.
No meio do entusiasmo, uma situação que relatou mudou o tom da sua voz. Dirão os leitores que é um caso insignificante. Em si mesmo, claro que é. O significado é que não é nada insignificante.
Na escola onde trabalha a pessoa que me telefonou, há uma senhora ligada à Igreja, oriunda de uma zona rica da cidade, e cuja militância cristã é bem conhecida de todos. Dirigiu-se a ela para lhe vender uma rifa. Confiante na sua fé pública e entusiasta, pensava que a dita senhora iria acolher com entusiasmo a dita rifa e que até compraria mais do que uma. Engano. Negou-se peremptoriamente a colaborar. Razão? "Na minha paróquia, temos feito muitas obras e não precisamos de andar com essas coisas."
Pois é. E não saímos da "quintalização" da Igreja. Falamos de uma Igreja "una, santa, católica e apostólica", mas na prática a "minha igreja" tem as fronteiras da minha paróquia!!!
Amor? Solidariedade? Partilha? Colaboração? Há quem fale muito nisto, mas na vida retém-nas na gaveta.
Gandhi tinha muita razão quando dizia que os cristãos têm uma doutrina muito bonita, mas na vida negam-na.
Por isso, o que magoou a pessoa que me telefonou não foi a aquisição da rifa, foi o que isso significou numa pessoa que se diz crente!
Religião e política
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«Aqueles que dizem que a religião não tem nada a ver com política não sabem o que é religião». - Mahatma Gandhi.
sábado, 3 de dezembro de 2011
Diocese de Lamego: Evangelizar e ouvir a população são prioridades do novo bispo
O novo bispo de Lamego, D. António Couto, estabeleceu como prioridades o anúncio da mensagem cristã e a auscultação da população, antes de definir os projetos para uma diocese com cada vez menos pessoas.
“A grande missão de um bispo, do seu presbitério e de todo o povo de Deus que lhe está confiado, seja em que região, língua ou cultura for, terá de ser sempre levar Jesus Cristo ao coração das pessoas. E é isso que eu pretendo”, vincou o responsável em entrevista ao programa ECCLESIA na RTP-2.
O prelado que a 29 de janeiro toma posse da diocese lamecense, no norte de Portugal, sublinha que a “grande maioria” dos europeus foi batizada mas em termos “de coração cristão” o Velho Continente tem “pouca gente”.
“Que não se seja só cristão porque um dia se foi batizado e está registado nos livros, mas que se seja cristão com a vida. É este o cristianismo que nos interessa”, frisou o também presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização.
O bispo que já foi superior dos Missionários da Boa Nova vai encontrar um território que está a perder a identidade cristã, especialmente no domínio da família, segundo o padre José Melo, coordenador de um estudo sócio religioso realizado pela diocese.
As conclusões da investigação apontam para um “processo de grande desertificação e, associado a ele, a descristianização”, pelo que as “as referências cristãs estão a diluir-se com um grau acentuado”, relatou à ECCLESIA.
O sacerdote explicou que os efeitos do desaparecimento gradual do catolicismo têm “incidência especial na família”, que além de “desestruturada” adquire “novas configurações um tanto alheias à índole cristã”.
D. António Couto considerou que a desertificação da diocese é uma “realidade a que não se pode fugir” e salientou que a sua “primeira linha de rumo” em qualquer lado é “ir ter com as pessoas” e “ver quais são os seus problemas”.
Só depois avançará com projetos para “avivar o cristianismo”, em conjunto com os fiéis, dado que não gosta de “trabalhar sozinho”.
In ecclesia
II Domingo de Advento - Ano B
1. «Consolai, consolai o meu Povo! Falai ao coração»! Eis o imperativo de um verdadeiro diálogo, em que a verdade a caridade andam juntas, em que a inteligência e o amor, caminham de mãos dadas! É um imperativo, que soa e ressoa, como verdadeira «boa nova» (Mc.1,1), no vasto deserto da solidão, que hoje se vive, a começar pelo isolamento que se verifica dentro das quatro paredes de uma casa, sem calor humano, onde as pessoas deixaram de falar ou de se falar! Dizer que não há tempo, para dialogar é o mesmo que afirmar que não há tempo para estar casado, nem tempo, para criar laços e construir uma família!
2. Permiti-me recordar-vos, desde já, algumas condições, para que esse diálogo não transforme a nossa linguagem “numa fonte de mal-entendidos”, mas se torne um espaço de acolhimento do outro e doação ao outro, de escuta e de presença, de comunicação do coração ao coração!
1º Primeiro, a clareza, para que todas as palavras e gestos sejam compreendidos por ambas as partes. Esta clareza supõe atenção ao que se diz e atenção ao que o outro diz. Esta clareza exige falar verdade. Faltar à sinceridade é destruir, pela base, qualquer diálogo!
2º Outra característica é a mansidão, aprendida na escola de Cristo, como Ele nos recomendou: “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). O diálogo não é orgulhoso, não é altivo, não é ofensivo. A autoridade vem-lhe da verdade que expõe, da caridade que difunde, do exemplo que propõe; é proposto, não é imposto. O diálogo é pacífico, evita os modos violentos, é paciente e é generoso. Por isso, ele supõe a humildade, adisposição para reconhecer com apreço a parte de verdade que o outro tem e a parte de erro ou culpa que eu possa ter.
3º Outra condição do diálogo é a confiança, a boa fé, a recta intenção, com que cada parte para a conversa, sem preconceitos, aceitando o outro, respeitando-o e colocando-se do seu lado, para compreender o seu ponto de vista. Só a confiança facilita a partilha de sentimentos, de vivências, de confidências, e enlaça os corações, numa adesão mútua ao Bem e à verdade, sem interesses egoístas.
4º O diálogo supõe a prudência: é preciso saber as condições psicológicas e morais, daquele(s) com quem quero falar: se é criança, se é inculto, se está indisposto, se parte para a conversa desconfiado ou hostil. Essa prudência leva a tomar pulso à sensibilidade alheia e a modificarmos as nossas palavras e modos, para não sermos desagradáveis, nem incompreensíveis.
5º Saibamos ainda preparar um diálogo sério com o outro, conversando primeiro com Deus, pedindo-lhe discernimento e sabedoria, para aquilo que queremos compreender, propor, mudar ou alcançar. Tomemos como guia e inspiração do diálogo com o outro, não as nossas opiniões, razões e vontades, mas uma palavra do evangelho. E peçamos a Deus que seja Ele a preparar a hora, o modo e o lugar, para um diálogo frutuoso na paz.
3. Custa muito chegar a um verdadeiro diálogo. E por isso, o diálogo exige uma espécie de “martírio da paciência”, o esforço e a coragem de todos os dias, para ir ao encontro do outro, em diálogos frequentes, prolongados e sinceros. Esta arte do diálogo – caríssimos casais, pais e filhos - exige tempo, muito tempo, paciência, muita paciência, para ser tomado a sério e retomado, uma e outra vez e mais uma vez, sem quebrar o fio frágil da comunicação! Não por acaso, alguém nos disse que a «paciência é a última porta da sabedoria» (Agustina Bessa-Luís), é mesmo «a medula do amor» (Sta. Catarina), no relacionamento com os outros. E São Paulo, no hino à caridade, fala-nos da paciência, como primeiro atributo do amor!
4. Irmãos e irmãs: “Parece-me muito importante, nos dias de hoje, ressaltar o valor da paciência, virtude que pertencia à bagagem normal dos nossos pais, mas que hoje é menos popular, num mundo que exalta a mudança e a capacidade de se adaptar a situações sempre novas e diversas. Sem tirar nada a estas qualidades, o Advento chama-nos a incrementar a paciência, aquela tenacidade interior, aquela resistência do ânimo que nos permitem não desesperar, na expectativa de um bem que demora para chegar, mas a esperá-lo, aliás, a preparar a sua vinda, com confiança laboriosa” (Bento XVI).
5. Diálogo e paciência: eis então duas palavras mais, a gravar no guarda-chuva, mas sobretudo a escrever no diário íntimo da nossa vida familiar!
Caríssimo pai ou mãe, caríssimo casal, querido (a) filho (a): neste tempo, que te é dado, oferece o tempo, para os outros. E comunica, na verdade e na caridade paciente, de acordo com este repetido apelo de Santo Agostinho: “Se calas, cala por amor. Se falas, fala por amor. Se corriges, corrige por amor. Se perdoas, perdoa por amor. Põe no fundo do coração, a raiz do amor. Dessa raiz não pode crescer senão o bem”.
E lembra-te sempre do fruto mais precioso do diálogo e da paciência é o de criar laços: «foi o tempo que gastaste com a rosa, que tornou a tua rosa tão importante»! (Saint Éxupery, O Principezinho).
Fonte: aqui
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
O nascimento Humano
Vale a pena ir a este sítio. É de muito boa qualidade informativa e estética: http://www.ted.com/speakers/alexander_tsiaras.html
Se houver dificuldade com o inglês pode-se visitar:
http://o-povo.blogspot.com/2011/11/desenvolvimento-humano-desde-concepcao.html
Se houver dificuldade com o inglês pode-se visitar:
http://o-povo.blogspot.com/2011/11/desenvolvimento-humano-desde-concepcao.html
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Espiritualidade do advento
A liturgia do Advento impulsiona-nos a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.
Deus é fiel às suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo mas que só se consumará definitivamente na parusia do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é "Marana tha"! Vem Senhor Jesus!
O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc.
O Advento também é tempo propício à conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, "lutando até o sangue" contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.
Converidos a Cristo, convertidos ao amor aos irmãos. Num mundo de crise e de crises, os crentes são chamados à fraternidade solidária enraizada no amor.
No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza económica, mas principalmente aquela que leva a confiar, abandonar-se e depender inteiramente de Deus (e não dos bens terrenos), que tem n'Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.
Deus é fiel às suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo mas que só se consumará definitivamente na parusia do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é "Marana tha"! Vem Senhor Jesus!
O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc.
O Advento também é tempo propício à conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, "lutando até o sangue" contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.
Converidos a Cristo, convertidos ao amor aos irmãos. Num mundo de crise e de crises, os crentes são chamados à fraternidade solidária enraizada no amor.
No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza económica, mas principalmente aquela que leva a confiar, abandonar-se e depender inteiramente de Deus (e não dos bens terrenos), que tem n'Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.
A Celebração do Advento
O Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, as flores e instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus.
As vestes litúrgicas (casula, estola etc) são de cor roxa, bem como o pano que recobre o ambão, como sinal de conversão em preparação para a festa do Natal com exceção do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria ou Domingo Gaudete, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição do roxo, para revelar a alegria da vinda do libertador que está bem próxima e a que se refere a segunda leitura que diz: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto.(Fl 4, 4).
A coroa do Advento
Vários símbolos do Advento ajudam-nos a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a coroa ou grinalda do Advento. Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento. A coroa pode ser pendurada no prebistério, colocada no canto do altar ou em qualquer outro lugar visível. A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante até serem acesas as 4 velas no 4° domingo. A luz nascente indica a proximidade do Natal, altura em que Cristo salvador e luz do mundo brilhará para toda a humanidade, e representa também, nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem. O círculo sem começo e sem fim simboliza a eternidade; os ramos sempre verdes são sinais de esperança e da vida nova que Cristo trará e que não passa. A fita vermelha que enfeita a coroa representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação do nosso amor que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações como preparação para acolher o Cristo que vem. A vela de cor rosa chama-nos à alegria, pois o Senhor está próximo. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.
Podemos também, em nossas casas, com as nossas famílias, mergulhar no espírito do Advento celebrando-o com a ajuda da coroa do Advento que pode ser colocada ao lado da mesa de refeição.
Podemos também, em nossas casas, com as nossas famílias, mergulhar no espírito do Advento celebrando-o com a ajuda da coroa do Advento que pode ser colocada ao lado da mesa de refeição.
MESTRES DO ADVENTO
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ISAIAS
É o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 - 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim, os exilados.
É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, "mais que um profeta", "o maior entre os que nasceram de mulher", o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (conf. Lc 7, 26 - 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s).
MARIA
Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus precisou do sim de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso sim para poder nascer e manifestar-Se ao mundo; assim como Maria se "preparou" para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira, nós precisamos de nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, também numa disposição de "Faça-se em mim segundo a sua Palavra" (Lc 1, 38), permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver, agir etc.
JOSÉ
Nos textos bíblicos do Advento, destaca-se José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Ao ser da descendência de David e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de Davi".
ISAIAS
É o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 - 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim, os exilados. As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos.
JOÃO BATISTA
É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, "mais que um profeta", "o maior entre os que nasceram de mulher", o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (conf. Lc 7, 26 - 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s).A figura de João Batista ao ser o precursor do Senhor e aponta-l'O como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento; por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo.
João Batista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profecias do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.
MARIA
Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus precisou do sim de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso sim para poder nascer e manifestar-Se ao mundo; assim como Maria se "preparou" para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira, nós precisamos de nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, também numa disposição de "Faça-se em mim segundo a sua Palavra" (Lc 1, 38), permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver, agir etc.Em Maria realiza-se a expectativa messiânica de todo o Antigo Testamento.
JOSÉ
Nos textos bíblicos do Advento, destaca-se José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Ao ser da descendência de David e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de Davi".José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
A caminho do Natal
Entrámos no Advento, tempo no qual a Igreja celebra a espera do Salvador. O povo de Israel esperou pelo Seu nascimento. Sim, Ele foi esperado. E esperado ansiosamente, de modo que não é somente o Enviado do Pai, mas também o Esperado dos homens! «Mais que o vigia pela aurora, mais que a terra pelo sol nascente, mais que a flor pelo orvalho, nós o esperamos» - escreve o salmista.
Ele é o esperado por Israel, o Povo eleito. Esperado porque Deus o prometera a Abraão, aos Patriarcas, a Moisés, a David, aos Profetas. Deus prometera... e quando Deus promete, não falha jamais!
Claro que nem só Israel esperou pelo Salvador. Esperaram-no e esperam-no todos os que têm sede de amor, de justiça, de verdade, de paz ... E também os que têm fome de pão, os que não têm que dar aos filhos ou o mínimo para viver com dignidade, os que vêem a sua vida a andar para trás...
Hoje esperamos que a Sua mensagem seja aceite pelos homens e que Ele nasça na vida de cada um de nós. Esperamos que haja mais justiça e caridade para com os pobres.
A celebração do Natal é este ponto forte dessa espera. E deve ser celebrado não só em alegria mas com um coração aberto a viver a Sua mensagem de amor, paz e justiça.
Mas há muita gente que pensa só em si. Que não é capaz de repartir. Neste tempo de crise aflige-nos que os portugueses digam que vão gastar em média 575 euros em compras, por ocasião do Natal, quando os alemães pensam gastar 430 euros e os holandeses 410 euros.
Sei que a crise é só para alguns. Mas não haverá alguma inconsciência em tantos gastos?! Lembro-me de pessoas que são capazes de pagar almoços e rodadas de bebidas a tudo quanto é gente mas depois não têm dinheiro para o sustento da família.
O Natal não deve ser consumismo, mas partilha com os que não têm. Deve ser ocasião de fazer as pazes com quem se anda desavindo, de aprofundar os laços de amizade, de dar as mãos.
O Natal deve ser ocasião de purificar a nossa alma e de a abrir ao Deus Menino que se fez homem para nos salvar.
In O Amigo do Povo
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Não acredito em praticantes e não praticantes.
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No blog "Confessionário dum Padre", o autor publicou um post a que deu o título 'Um dia os baptismos ainda hão-de ser baptismos" - aqui.
Uma visitadora desse blog (SCAS) deixou um comentário ao post que, com a devida vénia, aqui transcrevo, dada a importância que lhe atribuo para os amigos leitores.
Pedi o Baptismo para os meus 2 filhos. Por opção e com fé. Se daqui a amanhã eles quiserem professar outra fé (ou nenhuma), terei de respeitar, claro. Mas não concordo nada com aquela conversa do «eles é que vão escolher, um dia mais tarde, se querem ser baptizados ou não, não lhes vou impor isto.» Ora essa! Também não lhes escolhi a escola? Não lhes escolho todos os dias os programas de TV que os deixo ou não ver? Não lhes escolho os sítios onde os levo para brincar? Não lhes escolho os alimentos que entendo que lhes fazem melhor à saúde? Não lhes hei-de recomendar caminhos de verdade, de respeito pelos outros, de cidadania, se solidariedade? Se mais tarde eles quiserem seguir outros caminhos, estarei cá para os amar na mesma e respeitar essas opções, desde que conscientes e fundamentadas, e que não façam deles más pessoas! Mas acho (eu acho!) que tenho o direito e o dever, como mãe, de lhes dar esta formação, de traçar com eles este caminho que em nada os limita, pelo contrário.
Muitas vezes me deparo com situações de sacramentos - Casamentos e Baptismos (sobretudo) - em que não se trata de questões de fé, de caminho espiritual, mas apenas da Festa, do traje, do pretexto para reunir amigos e família, do lado "pagão" da coisa. Ao ler isto hoje, revi-me um bocadinho no modo de pensar e sentir. Não sou padre, nem quero ser mais papista que o papa, mas as coisas são o que são. Quem quer pedir o Baptismo para um filho, deve querer fazê-lo pelas razões certas. Quem «dá» o baptismo é a Santa Madre Igreja. A Santa Madre Igreja tem regras. E as regras/normas/preceitos devem ser seguidos entre aqueles que a elas escolhem vincular-se seja numa comunidade, num grupo religioso, num condomínio, num grupo desportivo, na sociedade. Nunca percebi o porquê de questionar certas normas. Afinal a Igreja não obriga ninguém a baptizar os filhos... E também nunca vi ninguém a ir à Conservatória do Registo e questionar o horário ou a necessidade de testemunhas ou os papéis a preencher ou o ter de lá ir uma ou duas ou três vezes, se necessário for... Mas isto sou só eu que acho! Entendo que haja exigências e formalismos a cumprir - que os padrinhos sejam pessoas idóneas, católicas também elas (pois se os padrinhos visam assegurar que os afilhados são educados na fé - como podem fazê-lo se eles próprios a não professam?! - hoje em dia já não se trata de substituir os pais em caso de falta destes!), que haja reuniões de preparação (cada vez mais, para as pessoas perceberem o que é o baptismo, para que serve, o que implica, que não se trata apenas de um dia e uma festa). Se podemos perder dias a fio a preparar a festa por fora (ofertas, roupas, decorações), não podemos 'perder' umas horas a preparar a festa «por dentro»?!"
No blog "Confessionário dum Padre", o autor publicou um post a que deu o título 'Um dia os baptismos ainda hão-de ser baptismos" - aqui.
Uma visitadora desse blog (SCAS) deixou um comentário ao post que, com a devida vénia, aqui transcrevo, dada a importância que lhe atribuo para os amigos leitores.
Quem «dá» o baptismo é a Santa Madre Igreja.
A Santa Madre Igreja tem regras
"Sou católica. Por formação primeiro, agora por opção. Não acredito em praticantes e não praticantes. Se o expoente máximo do ser-se católico é a Eucaristia, não sei como se pode ser católico e não se ir à missa estar com Ele, recarregar baterias, renovar a fé, estar em comunhão com Cristo e os irmãos. Mas isto sou só eu que acho!Pedi o Baptismo para os meus 2 filhos. Por opção e com fé. Se daqui a amanhã eles quiserem professar outra fé (ou nenhuma), terei de respeitar, claro. Mas não concordo nada com aquela conversa do «eles é que vão escolher, um dia mais tarde, se querem ser baptizados ou não, não lhes vou impor isto.» Ora essa! Também não lhes escolhi a escola? Não lhes escolho todos os dias os programas de TV que os deixo ou não ver? Não lhes escolho os sítios onde os levo para brincar? Não lhes escolho os alimentos que entendo que lhes fazem melhor à saúde? Não lhes hei-de recomendar caminhos de verdade, de respeito pelos outros, de cidadania, se solidariedade? Se mais tarde eles quiserem seguir outros caminhos, estarei cá para os amar na mesma e respeitar essas opções, desde que conscientes e fundamentadas, e que não façam deles más pessoas! Mas acho (eu acho!) que tenho o direito e o dever, como mãe, de lhes dar esta formação, de traçar com eles este caminho que em nada os limita, pelo contrário.
Muitas vezes me deparo com situações de sacramentos - Casamentos e Baptismos (sobretudo) - em que não se trata de questões de fé, de caminho espiritual, mas apenas da Festa, do traje, do pretexto para reunir amigos e família, do lado "pagão" da coisa. Ao ler isto hoje, revi-me um bocadinho no modo de pensar e sentir. Não sou padre, nem quero ser mais papista que o papa, mas as coisas são o que são. Quem quer pedir o Baptismo para um filho, deve querer fazê-lo pelas razões certas. Quem «dá» o baptismo é a Santa Madre Igreja. A Santa Madre Igreja tem regras. E as regras/normas/preceitos devem ser seguidos entre aqueles que a elas escolhem vincular-se seja numa comunidade, num grupo religioso, num condomínio, num grupo desportivo, na sociedade. Nunca percebi o porquê de questionar certas normas. Afinal a Igreja não obriga ninguém a baptizar os filhos... E também nunca vi ninguém a ir à Conservatória do Registo e questionar o horário ou a necessidade de testemunhas ou os papéis a preencher ou o ter de lá ir uma ou duas ou três vezes, se necessário for... Mas isto sou só eu que acho! Entendo que haja exigências e formalismos a cumprir - que os padrinhos sejam pessoas idóneas, católicas também elas (pois se os padrinhos visam assegurar que os afilhados são educados na fé - como podem fazê-lo se eles próprios a não professam?! - hoje em dia já não se trata de substituir os pais em caso de falta destes!), que haja reuniões de preparação (cada vez mais, para as pessoas perceberem o que é o baptismo, para que serve, o que implica, que não se trata apenas de um dia e uma festa). Se podemos perder dias a fio a preparar a festa por fora (ofertas, roupas, decorações), não podemos 'perder' umas horas a preparar a festa «por dentro»?!"
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Ano B - Evangelho de São Marcos
Desde o passado domingo que estamos em NOVO ANO LITÚRGICO - Ano B.
O Evangelho que mais de perto nos vai acompanhar durante este ano litúrgico é o de São Marcos.
Introdução
Diz-se actualmente que o Evangelho de São Marcos foi escrito em Roma, numa época próxima ao martírio de Pedro (ano 64). Antigos escritores da Igreja recordam que Marcos foi companheiro de pregação de Pedro e escreveu o Evangelho depois da morte do apóstolo.
É possível imaginar quais seriam os destinatários de Marcos: um grupo de cristãos em Roma, no meio de perseguições. Eram os cristãos recém-convertidos e logo se encontraram com estas provas sangrentas. Estão conscientes que já veio o Messias, que começou o Reino dos Céus, mas também notam que não há uma intervenção de Deus para salvar a comunidade que se encontra nesta situação. Que perguntas faria esta comunidade de cristãos romanos que se reunia a escutar a pregação e a celebrar a eucaristia! O pregador tinha de dar uma resposta a todas as perguntas. Era tarefa de Marcos apresentar Cristo vivente, morto e ressuscitado, que pudesse responder a estas interrogações.
A comunidade cristã à qual está dirigido o Evangelho, é uma comunidade onde a sua maioria são pagãos convertidos. Por essa razão, Marcos percebe a necessidade de explicar certos costumes ou usos do judaísmo. Marcos não tem a arte literária de Mateus, e lendo o seu Evangelho na língua original, vê-se que escreve o grego com certa dificuldade. Descobrem-se erros gramáticos e usa uma linguagem muito simples, às vezes até vulgar. Evita os discursos (ao contrário de Mateus), mas alonga-se na narração dos factos, com grande vivacidade e cheios de detalhes. No geral, o Evangelho é muito colorido, abundante em narrações e carente em discursos, com muito movimento e contado de maneira simples e calma
O Evangelho de Marcos chega só ao capítulo 16, 8. Os manuscritos mais antigos terminam nesse versículo; os versículos seguintes (16, 9-20) encontram-se só em alguns manuscritos e fazem um resumo daquilo que foi dito nos outros Evangelhos sobre as aparições do Senhor ressuscitado. No entanto, este trecho foi acrescentado por outra pessoa e não pelo próprio autor do Evangelho. A Igreja fez seu este “final de Marcos”, considerando-o parte da Sagrada Escritura. Vê-se que os primeiros cristãos ficavam perplexos perante este final tão abrupto, em que as mulheres fogem aterrorizadas do sepulcro, e por isso acrescentaram estes versículos que apresentam um final diferente. Existiam também outros “finais” para este Evangelho, que se encontram em alguns manuscritos e que se podem ler nas notas de algumas bíblias. No entanto, são “finais” que a Igreja não aceitou como canónicos.
2 – Plano do Evangelho
O Evangelho começa com a predicação de João Baptista e termina com a mensagem do anjo no sepulcro vazio. Dentro destes dois extremos, Marcos estrutura o seu material de uma maneira distinta de Mateus.
Inicia o Evangelho com um título: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (1, 1). O relato estende-se até 8, 30. A segunda parte começa, indicando que se inicia algo novo: (Jesus) “Começou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito…” (8, 31). O relato estende-se até ao final do livro (16, 8).
A primeira parte (1, 1 – 8, 30) termina com a confissão de Pedro, quando Jesus pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”, Pedro responde “Tu és o Messias” (8, 29). A segunda parte (8, 31 – 16, 8) termina também com uma confissão. Desta vez é o centurião, um pagão que está ao pé da cruz que, quando Jesus morre, diz: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus” (15, 39). As duas confissões correspondem aos dois títulos que se dão a Jesus no início do Evangelho: “Jesus, Messias, Filho de Deus” (1, 1). 1ª Confissão: “…Messias” (8, 29); 2ª Confissão “…Filho de Deus” (15, 39).
Toda a obra está enquadrada pelas proclamações de que Jesus é o Filho de Deus: no começo (1, 11) Deus diz (a Jesus): “Tu és o meu Filho muito amado…”; no meio (9, 7) Deus diz (aos homens): “Este é o meu Filho muito amado…”; no fim (15, 39) um homem (o centurião) diz: “Este Homem era Filho de Deus…”.
3 – 1ª Parte: Jesus, o Messias (1, 1 – 8, 30)
Nesta primeira parte, Jesus faz grande quantidade de milagres e exorcismos, provocando a admiração e a adesão das multidões, que pouco a pouco se vai esfriando, dando lugar à incompreensão e à oposição. Chama a atenção com insistência, para que guardem segredo sobre quem é Ele e sobre a realização dos milagres e exorcismos. Tem um desejo muito claro, para que não se faça publicidade, e ainda em casos curiosos, como por exemplo quando manda guardar segredo sobre a ressurreição da filha do chefe da sinagoga (5, 43). Ver-se-á depois a razão da insistência de Marcos neste tema do segredo.
A revelação de quem é Jesus vai-se produzindo lentamente. João Baptista anuncia só que vem alguém mais digno do que ele (1, 7-8). Na cena do baptismo, a voz do céu, dirigindo-se só a Jesus, proclama que Ele é o Filho de Deus (1, 9-11).
O leitor fica já advertido desde a primeira página, que o próprio Deus proclamou Jesus como seu Filho. Mas Marcos mostra que os homens que acompanhavam Jesus não viam mais do que a Sua humanidade e mostra também que Jesus guardava zelosamente em segredo a sua condição divina. À medida que Marcos apresenta Jesus, coloca detalhes que revelam o seu aspecto humano:
1 – Jesus olha com indignação e magoado (3, 5)
2 – Pergunta para saber (5, 30-32; 9, 16.21.33; etc.)
3 – Admira-se (6, 6)
4 – Suspira (8, 12)
5 – Indigna-se (10, 14)
6 – Abraça as crianças (10, 16)
7 – Olha com carinho (10, 21)
8 – Tem fome (11, 12)
Jesus aparecia como um homem igual a qualquer outro, mas fazendo coisas extraordinárias, que levantavam interrogações na multidão. E Jesus não respondia, nem permitia que se respondesse a esses interrogadores.
Na narração das tentações, Marcos reduz-se a poucas palavras. Omite a menção ao jejum e a descrição das tentações que existe em Mateus e Lucas. Não diz como foi o diálogo com Satanás, quais foram as tentações, nem o que aconteceu. Omitindo isto tudo, diz somente que: “o Espírito impeliu-o para o deserto. E ficou no deserto quarenta dias. Era tentado por Satanás, estava entre as feras e os anjos serviam-no” (1, 12-13). Um personagem que está só, entre os animais, acompanhado pelos anjos e tentado por Satanás, corresponde à imagem de Adão, segundo as narrações populares muito em voga nos tempos que se escrevia o Novo Testamento. Se Mateus, escrevendo para judeus, falou das tentações de Jesus relacionando-as com as que sofreu o povo de Israel no deserto, Marcos, por sua vez, escrevendo para cristãos vindos do paganismo, prefere relacionar as tentações de Jesus com as de Adão: a primeira tentação da Humanidade. Jesus, como o primeiro homem (Adão), sofre a tentação, mas sai vencedor.
Jesus começa a predicar e provoca admiração em todos “porque ensinava como quem tem autoridade, e não como os doutores da lei (escribas)” (1, 22). Os escribas não falavam de própria autoridade, mas sim com a autoridade de outros. Citavam sempre o que tinham dito outros mestres mais antigos. Jesus ensinava sem citar a autoridade de outros mestres, mas mostrava a sua autoridade, porque a palavra realizava o que dizia. Esta manifestação de autoridade provocava uma grande interrogação: “Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!” (1, 27). A multidão não chega a compreender.
Perante a presença de Jesus, os demónios gritavam: “Eu sei quem Tu és: o Santo de Deus”, mas Jesus mandava-os calar (1, 24-25). O mesmo acontece no relato que vem mais adiante: “…mas não deixava falar os demónios, porque sabiam quem Ele era” (1, 34). A autoridade que manifesta diante das pessoas fica bem justificada: pela sua maneira de ensinar e porque mesmo os demónios são expulsos e obrigados a se calarem. No entanto, ninguém sabe qual a origem desta autoridade.
Na passagem da cura do paralítico (2, 1-12), a autoridade de Jesus é posta em causa: Jesus diz que lhe perdoa os pecados e é acusado de blasfémia, porque o único que tem autoridade para perdoar os pecados é Deus. Repete-se então a primeira interrogação perante a presença de Jesus: “quem é este!”. A seguir vem mais uma série de acontecimentos que provocam outras interrogações: Jesus come com os pecadores, não jejua, não observa o descanso obrigatório do dia de sábado e cura o homem da mão paralisada no dia de sábado (2, 15 – 3, 6). Por um lado, viola a Lei, por outro realiza milagres: parecem coisas antagónicas. Isto faz com que as pessoas que o observam se questionem: “Porque faz isto?”; mas Jesus nunca lhes dá resposta, e os interrogantes seguem crescendo.
Deve-se também destacar que aqueles que presenciam os feitos e as palavras de Jesus no princípio se entusiasmam. No entanto, pouco a pouco vão perdendo o entusiasmo, à medida que cresce a agressividade, até terminar com a deliberação de matar o Senhor. No Evangelho de Marcos, até os Apóstolos participam deste clima de incredulidade e inclusive de agressividade contra Jesus:
- Aqueles que presenciam um milagre, juntam-se para matá-lo (3, 6)
- Os seus parentes vão buscá-lo, porque pensam que está fora de si (3, 21)
- Os escribas dizem que está possuído por um demónio (3, 22)
- Os discípulos reprovam-no (4, 39)
- Os discípulos não têm fé (4, 40; 6, 52; 8, 17-21)
- As pessoas troçam de Jesus (5, 40)
- Aqueles que o conhecem escandalizam-se dele (6, 3)
Desta forma, Jesus fica completamente só, no meio da hostilidade crescente por parte das pessoas.
Ao descrever o ministério de Jesus desta forma, Marcos está fazendo ver aos leitores de Roma que a situação que eles vivem já foi vivida anteriormente pelo próprio Jesus. Assim é, que na sua visita a Nazaré, Jesus disse: “Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e em sua casa”; a passagem continua: “E não pôde fazer ali milagre algum. Apenas curou alguns enfermos, impondo-lhes as mãos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente” (6, 4-6). Neste mesmo contexto, Marcos relata a execução de João Baptista como um prelúdio do que acontecerá a Jesus (6, 17-29).
A primeira parte do Evangelho termina quando Jesus reúne os seus discípulos para lhes fazer uma pergunta: “Quem dizem os homens que Eu sou?” (8, 27). Os discípulos respondem: “João Baptista; outros, Elias; e outros, que és um dos profetas” (8, 28). Mas quando lhes faz a eles a mesma pergunta, Pedro responde: “Tu és o Messias” (8, 29). Então, Jesus “ordenou-lhes que não dissessem isto a ninguém” (8, 30).
Marcos dá por terminada a primeira parte do seu Evangelho, quando um dos seus discípulos confessa o primeiro título dado a Jesus na Introdução: “Jesus é o Messias” (1, 1 e 8, 29). A pergunta acerca de Jesus que se fez nos capítulos anteriores, encontrou uma resposta. Mas Jesus ordena que não se diga nada acerca deste “título”, porque na opinião das pessoas e dos discípulos, o Messias é um rei glorioso; Jesus terá de ensinar progressivamente aos seus discípulos de que maneira é Ele o Messias.
4 – 2ª Parte: Jesus, o Filho de Deus (8, 31 – 16, 8)
Marcos começa a segunda parte dizendo que Jesus “começou a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos-sacerdotes e pelos escribas, e ser morto e ressuscitar depois de três dias” (8, 31). Aqui Marcos acrescenta: “E dizia claramente estas coisas” (8, 32). Sobre este aspecto já não há segredo.
Entra-se num novo tema: a necessidade do sofrimento. Isto explica o porquê do segredo acerca do Messias. Jesus não é um Messias glorioso, mas sofredor. Uma vez que os discípulos chegaram à compreensão que Ele é o Messias, então já lhes pode explicar de que forma vai realizar a sua obra messiânica: através da dor, do sofrimento, da morte e ressurreição.
O primeiro incidente acontece quando Jesus anuncia abertamente o caminho da Paixão. Pedro intervém, repreendendo Jesus. Passagem certamente escandalosa: Pedro sente-se com autoridade para repreender o Senhor; por sua vez, Jesus repreende Pedro com palavras muito duras (8, 32-33). Fica claro o que entendia Pedro por Messias, em relação a Jesus: um Messias que não devia sofrer, por isso, merece a repreensão de Jesus. Nesta oportunidade, Jesus chama as pessoas e os discípulos para lhes falar das condições necessárias para O seguir (8, 34-38). Estas palavras de Jesus não vão dirigidas só aos Doze, mas a todos os homens: “…chamando a multidão e os discípulos, disse-lhes…” (8, 34). É um convite para seguir Jesus, mas para isso, há que carregar a cruz.
Os leitores de todos os tempos, entre os quais estão também os primeiros discípulos de Roma, podem encontrar nestas palavras um sentido para o sofrimento que padecem, pelo facto de terem o nome de “cristãos”.
Na passagem seguinte, Jesus retira-se com alguns dos seus discípulos e manifesta-se, transfigurando-se diante deles. A voz do Pai proclama: “ Este é o meu Filho muito amado…” e acrescenta um imperativo: “Escutai-o” (9, 7). As exigências do Filho (8, 34-38) devem ser escutadas, porque a sua autoridade é confirmada pelo Pai. Ao mesmo tempo, percebe-se que o caminho da cruz de Cristo termina na glória do Pai; aos homens que seguem Jesus por esse caminho, é-lhes concedido participar da mesma glória com Ele.
Depois deste primeiro ensinamento de Jesus sobre a sua Paixão e da proclamação do Pai, no Evangelho de Marcos já não há mais pedidos para guardar segredo: agora fala-se e age-se abertamente. Jesus começa a caminhar até Jerusalém, e durante o caminho, recorda aos discípulos que vai até Jerusalém para padecer (9, 30-32; 10, 32-34). Apesar de Jesus falar e actuar abertamente nestes momentos, os seus discípulos continuam sem compreender e receiam questioná-Lo (9, 32); depois do primeiro anúncio da Paixão (8, 31), Pedro recusa que Jesus tenha de sofrer (8, 32). Depois do segundo anúncio (9, 31), os discípulos desentendem-se e começam a discutir sobre qual deles é o mais importante (9, 33-34). Depois do terceiro anúncio (10, 33-34), Tiago e João pedem o privilégio de sentarem-se à direita e à esquerda de Jesus no Reino (10, 35-37), fazendo com que os outros dez se indignem (10, 41). Marcos aproveita cada um destes momentos, para introduzir ensinamentos de Jesus acerca do verdadeiro “seguimento”. Nos relatos seguintes, que são os que preparam imediatamente a Paixão (e os próprios da Paixão), Marcos acumula sinais contraditórios, para mostrar de uma forma muito dolorosa tudo o que acontece neste processo: Jesus chegou a Jerusalém entrando solenemente, aclamado pelas multidões (11, 1-11). Ao entrar desta maneira, aqueles que o acompanhavam esperariam que Jesus fosse à casa do governador ou a tomar o poder. No entanto, a única coisa que fez foi entrar no templo, olhar ao seu redor e sair (11, 11).
O relato da Paixão, começa indicando que os sumos-sacerdotes e os escribas procuravam Jesus para matá-lo, sem que houvesse alguma sentença prévia (14, 1-2). Em contraposição, uma mulher derrama um perfume muito caro sobre a cabeça de Jesus durante uma ceia (14, 3), o que provoca o protesto dos que estão presentes (14, 4-9). Esta passagem termina de um forma muito dolorosa: “…e Judas espreitava ocasião favorável para o entregar” (14, 10-11). Marcos tem uma forma muito particular de narrar todo este facto: nos outros Evangelhos aparece Judas Escariotes que entrega Jesus a troco de dinheiro; em Marcos, entrega-O de uma forma totalmente gratuita. Existe uma promessa de dinheiro, uma vez que ele disse que O entregaria, mas não como uma condição para entregá-Lo. Desta forma, Marcos destaca mais a maldade do acto de Judas: não entrega Jesus por avareza, mas sim, como reacção perante a cena do perfume.
O relato da última ceia (Instituição da Eucaristia – 14, 22-25) fica enquadrado por duas passagens referentes aos discípulos: o anúncio da traição de Judas (14, 17-21) e o anúncio das negações de Pedro (14, 26-31). Manifesta-se o interesse de Marcos em expor gestos contraditórios: antes descreveu a atitude da mulher com o perfume, precedido pela referência à atitude dos sumo-sacerdotes e escribas, e seguida pela reacção de Judas. O mesmo aconteceu na última ceia: a Instituição da Eucaristia, precedida pelo anúncio da traição de Judas e seguido pelo anúncio das negações de Pedro.
Depois da ceia, Jesus vai para o Horto de Getsémani (14, 32-42), onde interrompe por três vezes a sua oração para procurar a companhia dos seus discípulos, os quais encontra sempre a dormir. Enquanto estes dormem, outro dos Doze vem com os inimigos para prender Jesus (14, 43), e o sinal da traição é um beijo (14, 44-45). Esta sucessão de sinais culmina com as palavras que dirige Jesus àqueles que o vêm prender. Diz-lhes que vêm buscá-lo com paus e espadas, como se fosse um ladrão, quando ele já tinha estado a ensinar no templo e não o detiveram (14, 49-50).
A atitude de Jesus perante o tribunal é muito diferente daquela que observamos durante a narração do Evangelho de Marcos, até este ponto. Como se viu anteriormente, Jesus nunca deu uma resposta quando lhe perguntavam: “Quem és Tu”?; Quando está perante o tribunal, o qual não encontra uma testemunha para condená-lo, Ele mesmo responde e dá o testemunho que O levará à cruz (14, 61-62).
As palavras de Jesus, que se manifesta como o Messias, Filho de Deus, desencadeiam reacções negativas: o sumo-sacerdote diz que blasfemou, todos o condenam à morte, alguns cospem-lhe e atingem-no (14, 63-65), e o seu discípulo nega-o (14, 66-72). Perante Pilatos, que lhe pergunta se é o Rei dos judeus, Jesus não responde da maneira clara com que fez diante do sumo-sacerdote, mas de uma maneira ambígua: “Tu o dizes” (15, 2). Desta maneira, deixa a responsabilidade da resposta sobre quem lhe faz a pergunta. “Rei do judeus” tinha um significado diferente, tendo em conta quem o dissesse, Pilatos ou Jesus. Para Pilatos era um revolucionário, enquanto que para Jesus era o título do Messias. Perante as acusações dos sacerdotes, Jesus permanece em silêncio e não se defende (15, 3-5).
No contexto do julgamento diante de Pilatos, produz-se a cena com Barrabás. Depois de dizer que Barrabás pertencia a um grupo de revoltosos, que tinha cometido um homicídio durante a revolta (15, 7), Marcos fala da multidão que foi ao tribunal de Pilatos (15, 8). Não eram pessoas que se interessavam por Jesus, mas sim partidários de Barrabás que vinham pedir a sua libertação. Foi a estas pessoas que Pilatos deu a responsabilidade de decidir quem iria ficar em liberdade e quem iria ser crucificado (15, 12-14). Os sacerdotes acusavam Jesus de revolucionário e incitavam as pessoas para que pedissem a libertação de Barrabás, que era um revolucionário acusado por homicídio. Então Jesus é condenado à morte (15, 15).
No final da passagem do julgamento perante Pilatos, há uma passagem de injúrias por parte dos soldados romanos (15, 16-20), assim como houve outra passagem de injúrias no final do julgamento por parte dos judeus (14, 65): judeus e pagãos injuriam Jesus. Essas injúrias continuam ao pé do Calvário (15, 29-32).
A morte de Jesus está narrada de uma forma muito simples: “Jesus, dando um grande grito, expirou” (15, 37). Jesus morre como qualquer homem torturado, sem nenhum fenómeno extraordinário ao seu redor, como vem descrito no Evangelho de Mateus (Mateus 27, 51-53).
Chega-se à segunda confissão: o centurião romano confessa o segundo título com que Marcos apresenta Jesus na introdução do Evangelho (1, 1), e que por duas vezes foi proclamado pelo Pai (1, 11 e 9, 7): “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus” (15, 39). Aos seus leitores, Marcos mostra-lhes que o primeiro homem ao qual chegou a fé no Filho de Deus, era um romano (pagão). O centurião fez essa confissão “ao vê-lo expirar assim”, isto é, ao vê-lo sofrer e sem necessidade de nenhum sinal extraordinário.
Os sumos-sacerdotes tinham dito: “O Messias, o Rei de Israel! Desça agora da cruz para nós vermos e acreditarmos” (15, 32). Os que exigiam sinais extraordinários para acreditar, não os obtiveram e não chegaram à fé. Antes, aos fariseus que pediam um sinal (8, 11), Jesus tinha-lhes respondido que não haveria nenhum sinal (8, 12).
O relato do encontro do túmulo vazio é muito sóbrio. As piedosas mulheres vão com perfumes para embalsamar o corpo do Senhor. Não se manifesta nelas nenhum indício de que esperassem a ressurreição, porque levam os perfumes para perpetuar o cadáver de Jesus. Ao receberem a mensagem da ressurreição, em vez de alegrarem-se, enchem-se de temor. O Evangelho de Marcos finaliza sem relatar as aparições do Senhor ressuscitado; só há uma mensagem dada por um mensageiro celestial, e deve-se acreditar na sua palavra.
5 – O Propósito de Marcos
Ao escrever o seu Evangelho para os fiéis de Roma, Marcos transmitiu o seu ensinamento sobre Jesus: Ele é o Messias e Filho de Deus. Não é como esperavam alguns, o Messias de carácter nacionalista, que vinha estabelecer um reino terrestre, mas sim o Filho de Deus, que salva a humanidade através da Paixão e da Ressurreição.
Aos cristãos de Roma afligidos pelas perseguições, Marcos mostra-lhes um Jesus sofredor, que padecendo as mesmas tribulações, permaneceu fiel até ao fim. Àqueles fiéis que perguntam porque Deus não intervêm de uma maneira extraordinária, Marcos diz-lhes que, para acreditar, não se devem exigir sinais, milagres, aparições, intervenções fantásticas de Deus. Os falsos messias também podem fazer coisas surpreendentes (13, 22). Como o centurião – o primeiro romano a proclamar a fé – há que encontrar a fé no meio do sofrimento. Por isso também omite os relatos das aparições de Jesus ressuscitado. A única coisa que há sobre a Ressurreição é a mensagem do jovem que aparece com uma veste gloriosa no sepulcro, e diz às mulheres que Jesus já não está ali, porque ressuscitou (16, 1-8).
Resumindo, o Evangelho Segundo São Marcos é o Evangelho que anuncia Jesus, o Messias Filho de Deus, que se manifestou como Salvador sofredor, e ao qual se deve acompanhar no seu caminho da cruz, para poder alcançar como Ele, a glória da Ressurreição, sem exigir-lhe milagres para crer.
Capítulo 16, versículos:
9-11 – Aparição a Maria Madalena: João 20, 11-18
12-13 – Aparição aos discípulos de Emaús: Lucas 24, 13-35
14 – Aparição aos Onze: Lucas 24, 36-43; João 20, 19-29
15-18 – Missão dos Apóstolos: Mateus 28, 16-20; Lucas 24, 44-49
19-20 – Ascensão: Lucas 24, 50-53; Actos 1, 4-11
O Evangelho que mais de perto nos vai acompanhar durante este ano litúrgico é o de São Marcos.
Introdução
Diz-se actualmente que o Evangelho de São Marcos foi escrito em Roma, numa época próxima ao martírio de Pedro (ano 64). Antigos escritores da Igreja recordam que Marcos foi companheiro de pregação de Pedro e escreveu o Evangelho depois da morte do apóstolo.
É possível imaginar quais seriam os destinatários de Marcos: um grupo de cristãos em Roma, no meio de perseguições. Eram os cristãos recém-convertidos e logo se encontraram com estas provas sangrentas. Estão conscientes que já veio o Messias, que começou o Reino dos Céus, mas também notam que não há uma intervenção de Deus para salvar a comunidade que se encontra nesta situação. Que perguntas faria esta comunidade de cristãos romanos que se reunia a escutar a pregação e a celebrar a eucaristia! O pregador tinha de dar uma resposta a todas as perguntas. Era tarefa de Marcos apresentar Cristo vivente, morto e ressuscitado, que pudesse responder a estas interrogações.
A comunidade cristã à qual está dirigido o Evangelho, é uma comunidade onde a sua maioria são pagãos convertidos. Por essa razão, Marcos percebe a necessidade de explicar certos costumes ou usos do judaísmo. Marcos não tem a arte literária de Mateus, e lendo o seu Evangelho na língua original, vê-se que escreve o grego com certa dificuldade. Descobrem-se erros gramáticos e usa uma linguagem muito simples, às vezes até vulgar. Evita os discursos (ao contrário de Mateus), mas alonga-se na narração dos factos, com grande vivacidade e cheios de detalhes. No geral, o Evangelho é muito colorido, abundante em narrações e carente em discursos, com muito movimento e contado de maneira simples e calma
O Evangelho de Marcos chega só ao capítulo 16, 8. Os manuscritos mais antigos terminam nesse versículo; os versículos seguintes (16, 9-20) encontram-se só em alguns manuscritos e fazem um resumo daquilo que foi dito nos outros Evangelhos sobre as aparições do Senhor ressuscitado. No entanto, este trecho foi acrescentado por outra pessoa e não pelo próprio autor do Evangelho. A Igreja fez seu este “final de Marcos”, considerando-o parte da Sagrada Escritura. Vê-se que os primeiros cristãos ficavam perplexos perante este final tão abrupto, em que as mulheres fogem aterrorizadas do sepulcro, e por isso acrescentaram estes versículos que apresentam um final diferente. Existiam também outros “finais” para este Evangelho, que se encontram em alguns manuscritos e que se podem ler nas notas de algumas bíblias. No entanto, são “finais” que a Igreja não aceitou como canónicos.
2 – Plano do Evangelho
O Evangelho começa com a predicação de João Baptista e termina com a mensagem do anjo no sepulcro vazio. Dentro destes dois extremos, Marcos estrutura o seu material de uma maneira distinta de Mateus.
Inicia o Evangelho com um título: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (1, 1). O relato estende-se até 8, 30. A segunda parte começa, indicando que se inicia algo novo: (Jesus) “Começou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito…” (8, 31). O relato estende-se até ao final do livro (16, 8).
A primeira parte (1, 1 – 8, 30) termina com a confissão de Pedro, quando Jesus pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”, Pedro responde “Tu és o Messias” (8, 29). A segunda parte (8, 31 – 16, 8) termina também com uma confissão. Desta vez é o centurião, um pagão que está ao pé da cruz que, quando Jesus morre, diz: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus” (15, 39). As duas confissões correspondem aos dois títulos que se dão a Jesus no início do Evangelho: “Jesus, Messias, Filho de Deus” (1, 1). 1ª Confissão: “…Messias” (8, 29); 2ª Confissão “…Filho de Deus” (15, 39).
Toda a obra está enquadrada pelas proclamações de que Jesus é o Filho de Deus: no começo (1, 11) Deus diz (a Jesus): “Tu és o meu Filho muito amado…”; no meio (9, 7) Deus diz (aos homens): “Este é o meu Filho muito amado…”; no fim (15, 39) um homem (o centurião) diz: “Este Homem era Filho de Deus…”.
3 – 1ª Parte: Jesus, o Messias (1, 1 – 8, 30)
Nesta primeira parte, Jesus faz grande quantidade de milagres e exorcismos, provocando a admiração e a adesão das multidões, que pouco a pouco se vai esfriando, dando lugar à incompreensão e à oposição. Chama a atenção com insistência, para que guardem segredo sobre quem é Ele e sobre a realização dos milagres e exorcismos. Tem um desejo muito claro, para que não se faça publicidade, e ainda em casos curiosos, como por exemplo quando manda guardar segredo sobre a ressurreição da filha do chefe da sinagoga (5, 43). Ver-se-á depois a razão da insistência de Marcos neste tema do segredo.
A revelação de quem é Jesus vai-se produzindo lentamente. João Baptista anuncia só que vem alguém mais digno do que ele (1, 7-8). Na cena do baptismo, a voz do céu, dirigindo-se só a Jesus, proclama que Ele é o Filho de Deus (1, 9-11).
O leitor fica já advertido desde a primeira página, que o próprio Deus proclamou Jesus como seu Filho. Mas Marcos mostra que os homens que acompanhavam Jesus não viam mais do que a Sua humanidade e mostra também que Jesus guardava zelosamente em segredo a sua condição divina. À medida que Marcos apresenta Jesus, coloca detalhes que revelam o seu aspecto humano:
1 – Jesus olha com indignação e magoado (3, 5)
2 – Pergunta para saber (5, 30-32; 9, 16.21.33; etc.)
3 – Admira-se (6, 6)
4 – Suspira (8, 12)
5 – Indigna-se (10, 14)
6 – Abraça as crianças (10, 16)
7 – Olha com carinho (10, 21)
8 – Tem fome (11, 12)
Jesus aparecia como um homem igual a qualquer outro, mas fazendo coisas extraordinárias, que levantavam interrogações na multidão. E Jesus não respondia, nem permitia que se respondesse a esses interrogadores.
Na narração das tentações, Marcos reduz-se a poucas palavras. Omite a menção ao jejum e a descrição das tentações que existe em Mateus e Lucas. Não diz como foi o diálogo com Satanás, quais foram as tentações, nem o que aconteceu. Omitindo isto tudo, diz somente que: “o Espírito impeliu-o para o deserto. E ficou no deserto quarenta dias. Era tentado por Satanás, estava entre as feras e os anjos serviam-no” (1, 12-13). Um personagem que está só, entre os animais, acompanhado pelos anjos e tentado por Satanás, corresponde à imagem de Adão, segundo as narrações populares muito em voga nos tempos que se escrevia o Novo Testamento. Se Mateus, escrevendo para judeus, falou das tentações de Jesus relacionando-as com as que sofreu o povo de Israel no deserto, Marcos, por sua vez, escrevendo para cristãos vindos do paganismo, prefere relacionar as tentações de Jesus com as de Adão: a primeira tentação da Humanidade. Jesus, como o primeiro homem (Adão), sofre a tentação, mas sai vencedor.
Jesus começa a predicar e provoca admiração em todos “porque ensinava como quem tem autoridade, e não como os doutores da lei (escribas)” (1, 22). Os escribas não falavam de própria autoridade, mas sim com a autoridade de outros. Citavam sempre o que tinham dito outros mestres mais antigos. Jesus ensinava sem citar a autoridade de outros mestres, mas mostrava a sua autoridade, porque a palavra realizava o que dizia. Esta manifestação de autoridade provocava uma grande interrogação: “Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!” (1, 27). A multidão não chega a compreender.
Perante a presença de Jesus, os demónios gritavam: “Eu sei quem Tu és: o Santo de Deus”, mas Jesus mandava-os calar (1, 24-25). O mesmo acontece no relato que vem mais adiante: “…mas não deixava falar os demónios, porque sabiam quem Ele era” (1, 34). A autoridade que manifesta diante das pessoas fica bem justificada: pela sua maneira de ensinar e porque mesmo os demónios são expulsos e obrigados a se calarem. No entanto, ninguém sabe qual a origem desta autoridade.
Na passagem da cura do paralítico (2, 1-12), a autoridade de Jesus é posta em causa: Jesus diz que lhe perdoa os pecados e é acusado de blasfémia, porque o único que tem autoridade para perdoar os pecados é Deus. Repete-se então a primeira interrogação perante a presença de Jesus: “quem é este!”. A seguir vem mais uma série de acontecimentos que provocam outras interrogações: Jesus come com os pecadores, não jejua, não observa o descanso obrigatório do dia de sábado e cura o homem da mão paralisada no dia de sábado (2, 15 – 3, 6). Por um lado, viola a Lei, por outro realiza milagres: parecem coisas antagónicas. Isto faz com que as pessoas que o observam se questionem: “Porque faz isto?”; mas Jesus nunca lhes dá resposta, e os interrogantes seguem crescendo.
Deve-se também destacar que aqueles que presenciam os feitos e as palavras de Jesus no princípio se entusiasmam. No entanto, pouco a pouco vão perdendo o entusiasmo, à medida que cresce a agressividade, até terminar com a deliberação de matar o Senhor. No Evangelho de Marcos, até os Apóstolos participam deste clima de incredulidade e inclusive de agressividade contra Jesus:
- Aqueles que presenciam um milagre, juntam-se para matá-lo (3, 6)
- Os seus parentes vão buscá-lo, porque pensam que está fora de si (3, 21)
- Os escribas dizem que está possuído por um demónio (3, 22)
- Os discípulos reprovam-no (4, 39)
- Os discípulos não têm fé (4, 40; 6, 52; 8, 17-21)
- As pessoas troçam de Jesus (5, 40)
- Aqueles que o conhecem escandalizam-se dele (6, 3)
Desta forma, Jesus fica completamente só, no meio da hostilidade crescente por parte das pessoas.
Ao descrever o ministério de Jesus desta forma, Marcos está fazendo ver aos leitores de Roma que a situação que eles vivem já foi vivida anteriormente pelo próprio Jesus. Assim é, que na sua visita a Nazaré, Jesus disse: “Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e em sua casa”; a passagem continua: “E não pôde fazer ali milagre algum. Apenas curou alguns enfermos, impondo-lhes as mãos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente” (6, 4-6). Neste mesmo contexto, Marcos relata a execução de João Baptista como um prelúdio do que acontecerá a Jesus (6, 17-29).
A primeira parte do Evangelho termina quando Jesus reúne os seus discípulos para lhes fazer uma pergunta: “Quem dizem os homens que Eu sou?” (8, 27). Os discípulos respondem: “João Baptista; outros, Elias; e outros, que és um dos profetas” (8, 28). Mas quando lhes faz a eles a mesma pergunta, Pedro responde: “Tu és o Messias” (8, 29). Então, Jesus “ordenou-lhes que não dissessem isto a ninguém” (8, 30).
Marcos dá por terminada a primeira parte do seu Evangelho, quando um dos seus discípulos confessa o primeiro título dado a Jesus na Introdução: “Jesus é o Messias” (1, 1 e 8, 29). A pergunta acerca de Jesus que se fez nos capítulos anteriores, encontrou uma resposta. Mas Jesus ordena que não se diga nada acerca deste “título”, porque na opinião das pessoas e dos discípulos, o Messias é um rei glorioso; Jesus terá de ensinar progressivamente aos seus discípulos de que maneira é Ele o Messias.
4 – 2ª Parte: Jesus, o Filho de Deus (8, 31 – 16, 8)
Marcos começa a segunda parte dizendo que Jesus “começou a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos-sacerdotes e pelos escribas, e ser morto e ressuscitar depois de três dias” (8, 31). Aqui Marcos acrescenta: “E dizia claramente estas coisas” (8, 32). Sobre este aspecto já não há segredo.
Entra-se num novo tema: a necessidade do sofrimento. Isto explica o porquê do segredo acerca do Messias. Jesus não é um Messias glorioso, mas sofredor. Uma vez que os discípulos chegaram à compreensão que Ele é o Messias, então já lhes pode explicar de que forma vai realizar a sua obra messiânica: através da dor, do sofrimento, da morte e ressurreição.
O primeiro incidente acontece quando Jesus anuncia abertamente o caminho da Paixão. Pedro intervém, repreendendo Jesus. Passagem certamente escandalosa: Pedro sente-se com autoridade para repreender o Senhor; por sua vez, Jesus repreende Pedro com palavras muito duras (8, 32-33). Fica claro o que entendia Pedro por Messias, em relação a Jesus: um Messias que não devia sofrer, por isso, merece a repreensão de Jesus. Nesta oportunidade, Jesus chama as pessoas e os discípulos para lhes falar das condições necessárias para O seguir (8, 34-38). Estas palavras de Jesus não vão dirigidas só aos Doze, mas a todos os homens: “…chamando a multidão e os discípulos, disse-lhes…” (8, 34). É um convite para seguir Jesus, mas para isso, há que carregar a cruz.
Os leitores de todos os tempos, entre os quais estão também os primeiros discípulos de Roma, podem encontrar nestas palavras um sentido para o sofrimento que padecem, pelo facto de terem o nome de “cristãos”.
Na passagem seguinte, Jesus retira-se com alguns dos seus discípulos e manifesta-se, transfigurando-se diante deles. A voz do Pai proclama: “ Este é o meu Filho muito amado…” e acrescenta um imperativo: “Escutai-o” (9, 7). As exigências do Filho (8, 34-38) devem ser escutadas, porque a sua autoridade é confirmada pelo Pai. Ao mesmo tempo, percebe-se que o caminho da cruz de Cristo termina na glória do Pai; aos homens que seguem Jesus por esse caminho, é-lhes concedido participar da mesma glória com Ele.
Depois deste primeiro ensinamento de Jesus sobre a sua Paixão e da proclamação do Pai, no Evangelho de Marcos já não há mais pedidos para guardar segredo: agora fala-se e age-se abertamente. Jesus começa a caminhar até Jerusalém, e durante o caminho, recorda aos discípulos que vai até Jerusalém para padecer (9, 30-32; 10, 32-34). Apesar de Jesus falar e actuar abertamente nestes momentos, os seus discípulos continuam sem compreender e receiam questioná-Lo (9, 32); depois do primeiro anúncio da Paixão (8, 31), Pedro recusa que Jesus tenha de sofrer (8, 32). Depois do segundo anúncio (9, 31), os discípulos desentendem-se e começam a discutir sobre qual deles é o mais importante (9, 33-34). Depois do terceiro anúncio (10, 33-34), Tiago e João pedem o privilégio de sentarem-se à direita e à esquerda de Jesus no Reino (10, 35-37), fazendo com que os outros dez se indignem (10, 41). Marcos aproveita cada um destes momentos, para introduzir ensinamentos de Jesus acerca do verdadeiro “seguimento”. Nos relatos seguintes, que são os que preparam imediatamente a Paixão (e os próprios da Paixão), Marcos acumula sinais contraditórios, para mostrar de uma forma muito dolorosa tudo o que acontece neste processo: Jesus chegou a Jerusalém entrando solenemente, aclamado pelas multidões (11, 1-11). Ao entrar desta maneira, aqueles que o acompanhavam esperariam que Jesus fosse à casa do governador ou a tomar o poder. No entanto, a única coisa que fez foi entrar no templo, olhar ao seu redor e sair (11, 11).
O relato da Paixão, começa indicando que os sumos-sacerdotes e os escribas procuravam Jesus para matá-lo, sem que houvesse alguma sentença prévia (14, 1-2). Em contraposição, uma mulher derrama um perfume muito caro sobre a cabeça de Jesus durante uma ceia (14, 3), o que provoca o protesto dos que estão presentes (14, 4-9). Esta passagem termina de um forma muito dolorosa: “…e Judas espreitava ocasião favorável para o entregar” (14, 10-11). Marcos tem uma forma muito particular de narrar todo este facto: nos outros Evangelhos aparece Judas Escariotes que entrega Jesus a troco de dinheiro; em Marcos, entrega-O de uma forma totalmente gratuita. Existe uma promessa de dinheiro, uma vez que ele disse que O entregaria, mas não como uma condição para entregá-Lo. Desta forma, Marcos destaca mais a maldade do acto de Judas: não entrega Jesus por avareza, mas sim, como reacção perante a cena do perfume.
O relato da última ceia (Instituição da Eucaristia – 14, 22-25) fica enquadrado por duas passagens referentes aos discípulos: o anúncio da traição de Judas (14, 17-21) e o anúncio das negações de Pedro (14, 26-31). Manifesta-se o interesse de Marcos em expor gestos contraditórios: antes descreveu a atitude da mulher com o perfume, precedido pela referência à atitude dos sumo-sacerdotes e escribas, e seguida pela reacção de Judas. O mesmo aconteceu na última ceia: a Instituição da Eucaristia, precedida pelo anúncio da traição de Judas e seguido pelo anúncio das negações de Pedro.
Depois da ceia, Jesus vai para o Horto de Getsémani (14, 32-42), onde interrompe por três vezes a sua oração para procurar a companhia dos seus discípulos, os quais encontra sempre a dormir. Enquanto estes dormem, outro dos Doze vem com os inimigos para prender Jesus (14, 43), e o sinal da traição é um beijo (14, 44-45). Esta sucessão de sinais culmina com as palavras que dirige Jesus àqueles que o vêm prender. Diz-lhes que vêm buscá-lo com paus e espadas, como se fosse um ladrão, quando ele já tinha estado a ensinar no templo e não o detiveram (14, 49-50).
A atitude de Jesus perante o tribunal é muito diferente daquela que observamos durante a narração do Evangelho de Marcos, até este ponto. Como se viu anteriormente, Jesus nunca deu uma resposta quando lhe perguntavam: “Quem és Tu”?; Quando está perante o tribunal, o qual não encontra uma testemunha para condená-lo, Ele mesmo responde e dá o testemunho que O levará à cruz (14, 61-62).
As palavras de Jesus, que se manifesta como o Messias, Filho de Deus, desencadeiam reacções negativas: o sumo-sacerdote diz que blasfemou, todos o condenam à morte, alguns cospem-lhe e atingem-no (14, 63-65), e o seu discípulo nega-o (14, 66-72). Perante Pilatos, que lhe pergunta se é o Rei dos judeus, Jesus não responde da maneira clara com que fez diante do sumo-sacerdote, mas de uma maneira ambígua: “Tu o dizes” (15, 2). Desta maneira, deixa a responsabilidade da resposta sobre quem lhe faz a pergunta. “Rei do judeus” tinha um significado diferente, tendo em conta quem o dissesse, Pilatos ou Jesus. Para Pilatos era um revolucionário, enquanto que para Jesus era o título do Messias. Perante as acusações dos sacerdotes, Jesus permanece em silêncio e não se defende (15, 3-5).
No contexto do julgamento diante de Pilatos, produz-se a cena com Barrabás. Depois de dizer que Barrabás pertencia a um grupo de revoltosos, que tinha cometido um homicídio durante a revolta (15, 7), Marcos fala da multidão que foi ao tribunal de Pilatos (15, 8). Não eram pessoas que se interessavam por Jesus, mas sim partidários de Barrabás que vinham pedir a sua libertação. Foi a estas pessoas que Pilatos deu a responsabilidade de decidir quem iria ficar em liberdade e quem iria ser crucificado (15, 12-14). Os sacerdotes acusavam Jesus de revolucionário e incitavam as pessoas para que pedissem a libertação de Barrabás, que era um revolucionário acusado por homicídio. Então Jesus é condenado à morte (15, 15).
No final da passagem do julgamento perante Pilatos, há uma passagem de injúrias por parte dos soldados romanos (15, 16-20), assim como houve outra passagem de injúrias no final do julgamento por parte dos judeus (14, 65): judeus e pagãos injuriam Jesus. Essas injúrias continuam ao pé do Calvário (15, 29-32).
A morte de Jesus está narrada de uma forma muito simples: “Jesus, dando um grande grito, expirou” (15, 37). Jesus morre como qualquer homem torturado, sem nenhum fenómeno extraordinário ao seu redor, como vem descrito no Evangelho de Mateus (Mateus 27, 51-53).
Chega-se à segunda confissão: o centurião romano confessa o segundo título com que Marcos apresenta Jesus na introdução do Evangelho (1, 1), e que por duas vezes foi proclamado pelo Pai (1, 11 e 9, 7): “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus” (15, 39). Aos seus leitores, Marcos mostra-lhes que o primeiro homem ao qual chegou a fé no Filho de Deus, era um romano (pagão). O centurião fez essa confissão “ao vê-lo expirar assim”, isto é, ao vê-lo sofrer e sem necessidade de nenhum sinal extraordinário.
Os sumos-sacerdotes tinham dito: “O Messias, o Rei de Israel! Desça agora da cruz para nós vermos e acreditarmos” (15, 32). Os que exigiam sinais extraordinários para acreditar, não os obtiveram e não chegaram à fé. Antes, aos fariseus que pediam um sinal (8, 11), Jesus tinha-lhes respondido que não haveria nenhum sinal (8, 12).
O relato do encontro do túmulo vazio é muito sóbrio. As piedosas mulheres vão com perfumes para embalsamar o corpo do Senhor. Não se manifesta nelas nenhum indício de que esperassem a ressurreição, porque levam os perfumes para perpetuar o cadáver de Jesus. Ao receberem a mensagem da ressurreição, em vez de alegrarem-se, enchem-se de temor. O Evangelho de Marcos finaliza sem relatar as aparições do Senhor ressuscitado; só há uma mensagem dada por um mensageiro celestial, e deve-se acreditar na sua palavra.
5 – O Propósito de Marcos
Ao escrever o seu Evangelho para os fiéis de Roma, Marcos transmitiu o seu ensinamento sobre Jesus: Ele é o Messias e Filho de Deus. Não é como esperavam alguns, o Messias de carácter nacionalista, que vinha estabelecer um reino terrestre, mas sim o Filho de Deus, que salva a humanidade através da Paixão e da Ressurreição.
Aos cristãos de Roma afligidos pelas perseguições, Marcos mostra-lhes um Jesus sofredor, que padecendo as mesmas tribulações, permaneceu fiel até ao fim. Àqueles fiéis que perguntam porque Deus não intervêm de uma maneira extraordinária, Marcos diz-lhes que, para acreditar, não se devem exigir sinais, milagres, aparições, intervenções fantásticas de Deus. Os falsos messias também podem fazer coisas surpreendentes (13, 22). Como o centurião – o primeiro romano a proclamar a fé – há que encontrar a fé no meio do sofrimento. Por isso também omite os relatos das aparições de Jesus ressuscitado. A única coisa que há sobre a Ressurreição é a mensagem do jovem que aparece com uma veste gloriosa no sepulcro, e diz às mulheres que Jesus já não está ali, porque ressuscitou (16, 1-8).
Resumindo, o Evangelho Segundo São Marcos é o Evangelho que anuncia Jesus, o Messias Filho de Deus, que se manifestou como Salvador sofredor, e ao qual se deve acompanhar no seu caminho da cruz, para poder alcançar como Ele, a glória da Ressurreição, sem exigir-lhe milagres para crer.
Capítulo 16, versículos:
9-11 – Aparição a Maria Madalena: João 20, 11-18
12-13 – Aparição aos discípulos de Emaús: Lucas 24, 13-35
14 – Aparição aos Onze: Lucas 24, 36-43; João 20, 19-29
15-18 – Missão dos Apóstolos: Mateus 28, 16-20; Lucas 24, 44-49
19-20 – Ascensão: Lucas 24, 50-53; Actos 1, 4-11
(Tradução do original espanhol, escrito por Luis Heriberto Rivas, Sacerdote da Arquidiocese de Buenos Aires, licenciado em Teologia pela Universidade Católica Argentina e em Sagradas Escrituras pela Comissão Bíblica do Vaticano)
Fonte: aqui
domingo, 27 de novembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
Chegou o ADVENTO... E agora???
ADVENTO (= vinda, Chegada)
- “valores cristãos” do Advento: “esperança”, “alegria” e “pobreza”.
- Advento,não é apenas o tempo em que os cristãos aguardam por Jesus: “Ele também espera por nós: pela nossa chegada à sua proposta de salvação”.
...
O TEMA do Ano Pastoral: " Família e Igreja nos Caminhos da Nova Evangelização"
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Então nesta 1ª semana do Advento:
ADVENTO | MENSAGEM BÍBLICA | DIMENSÕES DA FÉ | ATITUDES |
1ª semana | “Porventura sabeis ‘a que horas virá o dono da casa’?” | “vigiar” | Vigiar-se cada um a si mesmo para não magoar ninguém em família |
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- Durante o Advento, ler em família os capítulos 1, 2, 3 do Evangelho de São Lucas
- Momento de oração comunitário, virado para as famílias, em 8 de Dezembro: Exposição do SS.mo, Vésperas, meditação e oração pelas famílias
- De tal maneira amou Deus o mundo, que lhe deu o Seu próprio filho.” Por isso onde haja caridade e amor, aí habita Deus. Então em família:
- Praticar algum tipo de renúncia a favor do amor
- Entrega de brinquedos, roupas e outras coisas que já não estão em uso a quem precisa…
- Visitar doentes ou solitários
- Formar para a solidariedade, para o respeito e para a partilha
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Tem 11 anos e não se vergonha da sua fé!
- Então, que andas a fazer? - perguntei.
- A D. Ana não pode vir à Missa e sou eu quem tem de começar os cânticos. Ando a ensaiar... - respondeu com ar convicto e alegre.
Penso que um dos maiores problemas do nosso cristianismo é a vergonha. Vergonha de ser cristão, vergonha de proclamar a fé, vergonha de a transmitir.
Num café ou numa conversa de amigos, falamos do tempo, do futebol, da crise, de "conquistas", de sexo e outros prazeres, de caça... Contamos anedotas... Mas falar da fé, está quieto! Ficamos tolhidos de vergonha e de respeitos humanos. Só falamos se for para o"deita abaixo"! Então aí somos capazes de ser mais maldizentes do que os outros maldizentes que conversam connosco.
O Diogo oferece a todos uma lição. Não se escondeu na sacristia, veio cá para fora. Não teve vergonha de publicamente preparar a tarefa que ia desempenhar.
Obrigado, Diogo, pelo testemunho.
I Domingo de Advento - Ano B
Leituras: aqui
1. «Vigiai»! A nós que esperamos ardentemente a manifestação gloriosa de Cristo no final dos tempos, Jesus diz: «vigiai»! A nós que vivemos, entre a primeira e a última vinda do Senhor, Jesus diz: «vigiai»! A nós, a quem o Senhor, ao partir de viagem, confiou a «casa» da Igreja, do mundo e da família, «atribuindo a cada um a sua tarefa», Jesus diz: «vigiai»! Vigiai, pois, não como quem aguarda, com temor, um acontecimento, mas como quem espera, com amor, a vinda de alguém: o Senhor Jesus!
2. “Mas como «vigiar»? Antes de mais, vigia bem, precisamente, quem ama! É o que faz a esposa que aguarda o marido, que se atrasou no trabalho, ou que está de regresso de uma longa viagem. Como faz a mãe que se inquieta com a demora do filho, a chegar a casa. Ou o namorado que está ansioso por encontrar a namorada... Quem ama, sabe esperar, até mesmo quando o outro se demora. Esperamos Jesus, se O amarmos e se desejarmos ardentemente estar com Ele. E esperamo-Lo, amando concretamente, servindo-O, por exemplo, em quem esta próximo de nós. É o próprio Jesus que nos convida a viver assim, ao contar a parábola do servo fiel. Este, enquanto espera o regresso do seu patrão, toma conta dos outros empregados e dos negócios da casa” (C. Lubich, Palavra de Vida, Novembro 2001).
Assim, neste tempo, que é o nosso, importa vigiar, isto é, ser fiel à tarefa que o Senhor confia a cada um, de modo a responder e a corresponder às exigências do evangelho!
3. Permiti-me, por isso, abrir-vos o coração, para vos dizer, que a nossa vigilância, deve traduzir-se, sobretudo, em fidelidade e perseverança! Disse-o de maneira tão bela Bento XVI em Fátima: “A principal preocupação de todo o cristão há de ser a fidelidade, a lealdade à própria vocação. A fidelidade no tempo é o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo a Cristo”! São Paulo sabia bem que a rotina e o cansaço dos dias e que a perigosa erosão provocada pelas desilusões da vida ao longo do tempo, pode pôr em risco a fidelidade e fazer esmorecer a fé, a esperança e o amor! Por isso, deixava-nos o apelo a «permaneceremos firmes, até ao fim», numa fidelidade a toda a prova, à imagem do nosso Deus, que é fiel (cf. I Cor.1,8-9).
4. Neste ano dedicado à família, sublinhemos então o valor da fidelidade conjugal. Precisamente, nestes nossos dias, verifica-se o aumento das separações e dos divórcios: eram de 1,1% em 1969; foram de 64,8% em 2009. Neste contexto, a fidelidade dos esposos torna-se, por si só, um testemunho significativo do amor de Cristo, que permite viver o Matrimónio, por aquilo que é, ou seja, a união de um homem e de uma mulher que, com a graça de Cristo, se amam e se ajudam, durante a vida inteira, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Neste sentido, a primeira educação para a fé dos filhos consiste precisamente no testemunho desta fidelidade ao pacto conjugal: dela os filhos aprendem, sem palavras, que Deus é amor fiel, paciente, respeitador e generoso!Esta fidelidade, que é afinal «o nome do amor no tempo», anda, por isso, a par da perseverança, da resistência, no amor e por amor.
5. Caríssimos: É bem sabido que “a infidelidade pode atingir qualquer casal, e até as pessoas com comportamentos norteados por valores morais” (Cláudia Morais, O amor e o facebook, 141) por razões várias: “problemas de comunicação, desconexão emocional, falta de intimidade, perda de um familiar, desemprego, nascimento de um filho ou qualquer outro acontecimento que cause stress” (Ib.27). É, por isso, preciso estar constantemente de “vigia”, sobre as próprias emoções, para não vir a trair o amor! Nomeadamente, é preciso especial vigilância, quanto ao uso da internet e das redes sociais, como o facebook, que ”constituem ferramentas poderosíssimas de aproximação entre pessoas, que se sintam insatisfeitas nas suas relações” (Ib.157). “Segundo um estudo, o facebook é uma fonte de conflitos entre os casais, estando associado a cerca de 28 milhões de divórcios (…) Não me sinto capaz de olhar para o facebook ou para qualquer outra rede social como diabólica, mas há limites, para que o amor não seja negativamente condicionado, por esta evolução tecnológica” (Ib. 167)!
6. Caríssimos casais: lutai pelo amor e testemunhai aos vossos filhos a beleza exigente do amor até ao fim! E naqueles momentos, nos quais sobrevém a tentação, de que a fidelidade já não compensa, resisti firmes na fé e permanecei no amor! No meio da crise, buscai orientação espiritual segura, vigiai e orai, a sós e em família, para não cairdes em tentação e procurai ardentemente a Eucaristia, que é a luz e a força da fé, o sustentáculo da esperança e o calor do vosso amor! Não basta pintar no guarda-chuva, é preciso gravar nos vossos corações as palavras «fidelidade e perseverança», para que «Cristo vos torne firmes até ao fim! Fiel é Deus por quem fostes chamados à comunhão» (I Cor.1,8-9).
Fonte: aqui
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Arcebispo de Braga diz que novo bispo de Lamego é «Embaixador da Palavra» de Deus
(...) numa comunhão eclesial profunda, tivemos o dom de ter connosco D. António José da Rocha Couto. A Igreja chama-o, agora, para servir na Diocese irmã de lamego. Sentimos a tristeza da perda, mas reconhecemos que o seu trabalho, amigo e persistente, ficará como semente a produzir frutos ou como chuva suave a penetrar o coração das comunidades para o seu rejuvenescimento.
A sua consciência profunda da missão da Igreja e a sua paixão pela Palavra de Deus e a sua permanecerá. Por isso, o termo mais justo para o definir será: "O Embaixador da Palavra". Embaixador, pois a sua acção pastoral funda-se num carácter missionário; Palavra, pois esta é o conteúdo central dessa acção.
A dedicação não se paga nem se esquece. O amor nem sempre necessita de palavras mas faz com que nos sintamos unidos na mesma missão, mesmo que em terrenos diferentes. A gratidão está na certeza de que pode continuar a sentir-se "bracarense", pois não deixaremos de contar com ele em oportunidades e circunstâncias que o futuro nos reservará.
"Quem corrige alguém, encontra depois mais gratidão do que aquele que lisonjeia com palavras" (Pr 28,23). Sei que não aceita homenagens. Mas como forma de agradecer as "correcções bíblicas e missionárias" que nos proporcionou, o clero da Arquidiocese irá manifestar-lhe um sincero obrigado no dia 20 de Dezembro, no seu encontro de Natal.
Que nas terras de Lamego, também através da nossa comunhão eclesial, continue a gastar a vida pela "vinha amada" que, lá como cá, deve produzir frutos na medida em que se alimenta da Palavra.
Bem-haja, D. António Couto! Fica entre nós pelo testemunho.
Vamos consigo na oração.
† Jorge Ortiga, A.P.
Braga, 19 de Novembro de 2011
In ecclesia
A sua consciência profunda da missão da Igreja e a sua paixão pela Palavra de Deus e a sua permanecerá. Por isso, o termo mais justo para o definir será: "O Embaixador da Palavra". Embaixador, pois a sua acção pastoral funda-se num carácter missionário; Palavra, pois esta é o conteúdo central dessa acção.
A dedicação não se paga nem se esquece. O amor nem sempre necessita de palavras mas faz com que nos sintamos unidos na mesma missão, mesmo que em terrenos diferentes. A gratidão está na certeza de que pode continuar a sentir-se "bracarense", pois não deixaremos de contar com ele em oportunidades e circunstâncias que o futuro nos reservará.
"Quem corrige alguém, encontra depois mais gratidão do que aquele que lisonjeia com palavras" (Pr 28,23). Sei que não aceita homenagens. Mas como forma de agradecer as "correcções bíblicas e missionárias" que nos proporcionou, o clero da Arquidiocese irá manifestar-lhe um sincero obrigado no dia 20 de Dezembro, no seu encontro de Natal.
Que nas terras de Lamego, também através da nossa comunhão eclesial, continue a gastar a vida pela "vinha amada" que, lá como cá, deve produzir frutos na medida em que se alimenta da Palavra.
Bem-haja, D. António Couto! Fica entre nós pelo testemunho.
Vamos consigo na oração.
† Jorge Ortiga, A.P.
Braga, 19 de Novembro de 2011
In ecclesia
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