quinta-feira, 11 de novembro de 2010

11 de Novembro - São Martinho

São Martinho de Tours, de soldado a bispo

Novembro. São Martinho de Tours nasceu em 316, na cidade de Sabaria, Panónima, e era filho de um tribuno romano. Entretanto acompanha o pai para Pavia e logo que atinge a idade de recrutamento, com quinze anos, entra para a armada romana, incorporado a guarda pessoal do imperador.
O regimento de Martinho desloca-se para a Gália, para Amiens, cenário da lenda da capa. Um inverno rigoroso. Num dia em que transpunha o portão da cidade, deparou com um pobre mendigo esfarrapado. Vendo que ninguém o acudia, ele mesmo, com a espada, rasgou a sua capa militar e deu metade ao pobre mendigo. A capa militar pertencia ao exército, pelo que não podia ser vendida ou dada. O cortá-la a meio foi uma forma de dar conservando a posse militar. Os colegas de armas fizeram troça dele. Nessa noite, teve uma visão em que via Jesus Cristo com a metade da capa vestida. Concluiu que foi com Cristo que dividiu a capa.
No dia seguinte, em nova visão, ouviu uma voz que lhe disse: "Cada vez que fizeres o bem ao mais pequeno dos meus irmãos é a mim que o fazes". Doravante passou a ver os cristãos com outros olhos.
Entretanto converteu-se ao cristianismo, fez-se catecúmeno, recebendo depois o baptismo. Apresentou-se ao seu general para lhe dizer que passava a servir a Jesus Viajou para Poitiers e engrossou o grupo dos discípulos de São Hilário, sábio e santo bispo. Para visitar os pais, voltou à Lombardia e pelo percurso terá sido assaltado, tendo conseguido que um dos ladrões se convertesse ao cristianismo.
Em 361, depois de um exílio forçado de São Hilário, para Oriente, junta-se-lhe em Poitiers. Isoulou-se arrastando consigo diversos monges, formando a Abadia Beneditina de Ligugé, mas o isolamento não o impediu de uma pregação constante pela Gália (França). Em 371/372, o segundo bispo de Tours, São Lidório, morreu, quiseram elegê-lo para Bispo, mas manteve surdo. Então um certo Rústico, rico cidadão, suplicou-lhe que viesse visitar a esposa gravemente doente. Sem suspeitar de nada entrou na cidade, a aclamação popular forçou-o a aceitar ser bispo de Tours, ainda que com a relutância de alguns dignitários eclesiásticos. Consolidou a fé e diante dos imperadores defendeu sempre a Igreja.
Em 27 anos de bispo ganhou o carinho de todo o seu povo.
Numa última visita a Roma, foi a Candes, um dos centros religiosos da diocese de Tours, foi atacado pela doença e aí viria a falecer. Pediu para ser levado ao presbitério da Igreja, morrendo em 397, com 81 anos de idade. O seu corpo foi levado para a cidade de Tours onde chegou a 11 de Novembro.
Fonte: Caritas in Veritate

POBRES PADRES!

Se usa hábito ou clerigman...
É um “conservador”!
Se não usa...
Nem parece um sacerdote!

Se prega mais de dez minutos...
Nunca acaba!
Se prega pouco...
É muito preguiçoso,
não tem vontade de falar!


Se fala da contemplação de Deus...
Já se perdeu nas nuvens!
Se comenta problemas sociais...
Só fala sobre política!

Se casa e batiza todo o mundo...
Abusa dos sacramentos!
Se exige uma preparação...
Só põe dificuldades pra gente!

Se está sempre na paróquia...
Não visita os paroquianos!
Se visita os paroquianos...
Não está nunca
na paróquia!

Se não organiza encontros...
Nesta paróquia
não se faz nada!
Se convoca reuniões...
Já estamos
mais que cansados
de reuniões!

Se faz obras no templo...
Como gasta em
tempos de crise!
Se não faz...
Deixa tudo abandonado!
--
Se pede dinheiro...
É um pedinchão!
Se não pede...
Deve ser
porque sobra dinheiro!

Se escuta Conselho Paroquial...
Deixa-se manipular!
por todos!
Se não escuta o Conselho...
É um individualista!
--
Se é jovem...
Não tem experiência!
Se é velho...
Teria que se aposentar!

Mas
quando vai embora,
ou morre...
Era realmente
insubstituível!

Nem pense! Padre, nunca!

--
Era eu um jovem padre. Leccionava numa escola secundária. Numa das turmas do 11º ano, havia um rapaz muito alegre e bem disposto, boa semsibilidade ao transcendente, que me parecia poder dar num bom padre. Era um jovem de valores que transpiravam nas mais pequenas coisas. A determinada altura, disse-lhe que queria falar com ele no fim da aula.
Falámos, falámos, até que lhe perguntei:
- Olha lá, não queres ser padre? Olhou para mim com o ar mais espantado do mundo, virou o dedo na sua própria direcção e retorquiu:
- EUUUUUUUUUUU!!!???
A conversa prolongou-se. Da surpresa, passou à empatia. Quando eu esperava um "vou pensar", eis que repentinamente dispara:
- Nem pense! Padre, nunca! Para um dia me fazerem aquilo que os da minha terra têm feito ao padre que lá está...

Nesta Semana dos Seminários, dá que pensar.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

DOIS ABADES, DOIS ESTILOS


Há pouco tempo li, no jornal SOPÉ DA MONTANHA, dois artigos: um falava do Padre Castro e o outro do Padre Duarte. Os dois sacerdotes foram Abades de Tarouca. Como conheci os desaposso dar testemunho de dois homens da Igreja com estilos completamente diferentes. 0 Abade Castro batizou-me e o Padre Duarte catequizou-me.
Recordo perfeitamente a figura alquebrada do Abade Castro que, nós crianças, gostávamos de ouvir na Igreja da Misericórdia nos domingos de manhã. Não sei porquê mas impressionava-nos aquela figura vetusta de sacerdote que celebrava a Missa em latim e sobretudo encantava-nos a maneira calma e sabedora como ele falava na homilia, sempre sentado. Que percebíamos nós das suas palavras? Que é que nos atraía naquele velho padre? Ainda hoje não sei explicar, mas que nos encantava e nos obrigava a levantar cedo mesmo podendo ficar na cama. A nossa Missa era a das onze na Igreja paroquial, celebrada pelo senhor Padre Duarte.
Quanto ao Padre Duarte, as minhas lembranças são muito maiores porque desde muito novo ele fez o favor de ser meu amigo e amigo dos meus pais. Ele era um Abade totalmente diferente do Padre Castro. Procurou dinamizar a paróquia e fê-lo através daquilo que mais chamava a atenção: a exposição pública da fé e a reanimação dos valores monumentais e religiosos da paróquia. Foi ele quem conseguiu tornar a Igreja paroquial monumento nacional. Foi ele que revitalizou a romaria de S.ta Helena e começou a desenvolver o culto a Cristo-Rei. Apesar de ser sacerdote nunca se desligou das suas origens rurais porque se tornou um agricultor moderno, tentando influenciar também os pequenos agricultores seus paroquianos . A paróquia não conseguia sustentá-lo como julgo que hoje em dia não consegue e ele, como S. Paulo, não queria ser pesado aos fiéis, lutando pela sua própria subsistência. Este enraizamento no meio social que paroquiava, mereceu-lhe imensas críticas de um ou outro senhor da pequena burguesia e de certos membros da Igreja que achavam que o padre se devia confinar às paredes da igreja. Nunca cedeu a modernismos e modas, procurando sempre cumprir os seus deveres de pároco. Disso são testemunho a catequese organizada, as pregações e confissões na Quaresma, as procissões da Semana Santa, o zelo pela Igreja paroquial e muito mais. Houve episódios que demonstram bem a sua vontade firme e inflexível quando se tratava de princípios da moral cristã. Lembra-me o episódio dos bailes no salão nobre da Câmara Municipal, das homilias duras em que toda a gente calculava a quem se dirigiam e a sua ligação permanente ao Bispo.
Na catequese lembra-me de um episódio em que eu próprio, criança de oito ou nove anos, estive em cheque. Na altura, a catequese era dada na igreja para rapazes e raparigas. A senhora Sara era a catequista como sempre foi. Sei que, em determinada altura, eu portei-me mal e a senhora Sara puxou-me as orelhas. A minha mãe não gostou e, quando soube, foi pedir explicações à senhor Sara. Armou-se uma discussão e minha mãe disse: "0 meu filho sabe mais doutrina que tu." A senhora Sara quei¬xou-se ao Padre Duarte. No dia seguinte, estávamos todos reunidos para a catequese na igreja e aparece o Padre Duarte. Olhou-nos a todos e disse: "0 Carlos, que era eu, dá hoje a catequese em vez da senhora Sara.” Dito isto , obrigou-me a sentar no lugar dela para dar a catequese. É evidente que eu desatei a chorar. Depois de alguns minutos o senhor Pa¬dre Duarte mandou-me para o meu lugar e, voltando-se para as crianças, explicou: "Aqui a senhora Sara é que é a catequista porque é pessoa muito competente e da minha confiança. Quero que a respeitem como se fosse eu."
O senhor Abade afastou-se e a catequista continuou o seu trabalho. O padre Duarte não ameaçou, não bateu ,mas usou uma boa prática pedagógica.
Um dia explicarei o caso dos bailes na Câmara porque é um exemplo da maneira de ser do padre Duarte, ainda que pareça, hoje em dia, fora do tempo.
Carlos A.Borges Simão

ENTREVISTA COM DEUS

Mensagem para a Semana dos Seminários

Seminário, comunidade dos discípulos de Cristo e irmãos no presbitério


1. A alegria da vocação e a graça do mistério


Samuel repousava no templo do Senhor.

A lâmpada do Deus não se tinha apagado. O Senhor chamou Samuel. Ele respondeu: “Eis-me aqui”. Samuel pensou que a voz insistente que o chamava no silêncio e no segredo da noite era a voz do sacerdote Eli. Quando compreendeu que era o Senhor, respondeu: “Fala, Senhor; o teu servo escuta” (1 Sam 3, 1-21).


Jeremias vivia em Israel ao tempo da deportação e do exílio dos habitantes de Jerusalém.

Ele diz-nos como Deus o chamou, consagrou e enviou, como profeta em tempo difícil. Jeremias não escondeu o seu temor nem calou as suas dificuldades: “Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, pois ainda sou um jovem”. Respondeu-lhe o Senhor: “Irás onde eu te enviar. Não tenhas medo, Jeremias. Eu estou contigo” (Jer 1, 1-19).

Maria habitava em Nazaré.

Diante do mensageiro de Deus que lhe anuncia que ela ia ser a Mãe de Jesus. Maria interroga-se: “Como pode ser isso?” O Anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre ti. Por isso Aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus”. Maria disse então: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”(Luc 1, 34-38).

Jesus estava em Cafarnaum.

Tinha passado a vigília da noite em oração. Caminhava, nessa manhã, ao longo do Mar da Galileia. Viu homens ocupados e preocupados com a faina da pesca e disse-lhes: “Vinde e segui-me. Farei de vós, pescadores de homens. ” E eles deixaram as redes, imediatamente, e seguiram-no (Mt 4, 18-20).

João, depois do baptismo de Jesus, permanecera na margem além do Jordão.

Ao ver passar Jesus, disse aos discípulos que estavam com ele: “ Eis o Cordeiro de Deus”. Os discípulos de João ouviram, compreenderam e seguiram Jesus.
Jesus voltou-se para eles e disse-lhes: “Que buscais?” “Mestre, onde moras?”, perguntaram eles. “Vinde ver”, respondeu-lhes Jesus.
“Eles foram, viram e permaneceram” (Jo 1, 38-40).

Saulo tinha recebido ordens para perseguir os cristãos que viviam em Damasco, na Jordânia.

Fez-se ao caminho com decisão e determinação. Era um israelita, descendente de Abraão, convicto e honesto. Subitamente uma inesperada visão interrompeu-lhe o caminho. Cegaram-se-lhe os olhos, mas o coração permaneceu vivo e atento ao diálogo que naquela hora nasceu: “Saulo, Saulo porque me persegues?” “Quem és tu, Senhor?” “Eu sou aquele a quem tu persegues. Ergue-te, entra na cidade e dir-te-ão o que tens a fazer”( Act 9, 4-9).

2. A Carta do Santo Padre aos seminaristas e a coragem da resposta ao chamamento de Deus

Estes são alguns dos momentos bíblicos que nos falam de vocação. Hoje, é o Santo Padre Bento XVI que escreve uma carta aos seminaristas. Logo no início dessa carta conta-nos o diálogo estranho com o seu comandante de companhia para quem na “nova Alemanha” já não havia lugar nem necessidade para padres. O medo não o venceu e a afronta do seu superior militar não o desanimou.

Para ele como para cada um de nós, a vocação ao Sacerdócio nasce neste berço de verdade e de coragem; exige liberdade para decidir; implica conversão interior; impõe deixar ocupações de rotina e certezas frágeis; encontra nova bússola a guiar os nossos passos e descobre alto farol a iluminar o caminho de quem quer seguir o Senhor.

“Tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir”, diz-nos o Santo Padre. É para isso o “Seminário como comunidade que caminha para o serviço sacerdotal”, onde se preparam os futuros sacerdotes, como verdadeiros “homens de Deus” e “mensageiros de Deus, (…) sempre prontos a responder (…) a todo aquele que nos perguntar “a razão” da nossa esperança (1 Ped 3, 15). Adquirir a capacidade para dar tais respostas é uma das principais funções dos anos do Seminário”, lembra o Santo Padre aos seminaristas.

3. Comunidade de discípulos e irmãos no presbitério

Preparamo-nos para viver, no ritmo do tempo e em data igual aos anos anteriores, a Semana dos Seminários de Portugal.

Da recente visita do Santo Padre ao nosso país e do encontro que com ele tivemos na Igreja da Santíssima Trindade, tem todo o sentido recordar a sua mensagem aos seminaristas: “A vós queridos seminaristas, que já destes o primeiro passo para o sacerdócio e estais a preparar-vos no Seminário maior e nas Casas de Formação Religiosa, O Papa encoraja-vos a serdes conscientes da grande responsabilidade que ides assumir: examinai bem as intenções e as motivações; dedicai-vos com ânimo forte e espírito generoso à vossa Formação”.

É com este espírito e com igual confiança que olhamos esta Semana dos Seminários como tempo e oportunidade para valorizarmos o trabalho e a missão dos Seminários na formação dos futuros sacerdotes. Serve-nos de lema para esta Semana o mesmo tema da Semana dos Formadores dos Seminários de Portugal, realizada no passado mês de Setembro, na Diocese de Angra, nos Açores: Seminário, comunidade dos discípulos de Cristo e irmãos no presbitério.

Queremos fazer nossa a mensagem do Santo Padre, dizer uma palavra de muita alegria e renovada confiança a todos os seminaristas de Portugal e testemunhar sentida gratidão a quantos se entregam diariamente com exemplar dedicação e inexcedível generosidade à exigente causa da formação nos nossos Seminários.

Estou consciente e confiante de que aos Seminários nunca faltará a comunhão fraterna e exemplar dos presbitérios diocesanos e religiosos nem a oração, o afecto e a generosidade das comunidades cristãs.

Temos percorrido, ao longo dos anos, os Seminários de Portugal para que na colaboração de cada um saibamos contribuir para o bem de todos. Este ano a Comissão Episcopal Vocações e Ministérios solicitou ao Seminário Maior de Lamego esse contributo que agradecemos e aqui é deixado como subsídio para a vivência desta Semana nas famílias, nos movimentos apostólicos e nas comunidades cristãs.

A exemplo do Santo Padre, na Carta que escreve aos seminaristas, também a Igreja em Portugal confia “o caminho de preparação para o Sacerdócio à protecção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça”.

D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro, Presidente da Comissão Episcopal Vocaçõeses e Ministérios

In ecclesia

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

AFINAL, O QUE É QUE COMPETE AO PADRE?

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Em plena Semana dos Seminários, é importante ler aquilo que D. Carlos Azevedo, secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, concedeu uma longa entrevista à Ecclesia. ( aqui)
Gostei do que e reli. Permito-me respigar para os meus amigos este excerto acerca da missão do padre. Fica o convite a todos para a leitura total da referida entrevista.
«Antes de mais, a missão do padre consiste em verem-se livres de tarefas adjacentes que foram acumulando ao longo da história. Têm alguma dificuldade em se desprenderem do que acumularam. Um padre não tem que ser gestor de centros sociais. O padre não tem que ser administrador dos bens de uma paróquia ou diocese. O padre não tem que ser o burocrata de serviço da paróquia. A sua missão específica é evangelizar e formar cristãos. Ser mistagogo».

NÃO é missão do padre:
- ser gestor de centros sociais.
- ser administrador dos bens de uma paróquia ou diocese.
- ser o burocrata de serviço da paróquia.


Mas é sua missão específica:
- evangelizar
- formar cristãos
- ser mistagogo (ensinar as pessoas a abrirem-se ao mistério)


E diz D. Carlos Azevedo:
"Cada vez mais as tarefas educativas e administrativas devem ser entregues a leigos para que os padres assumam a sua missão específica."

Mas que razões levam o padre a abarcar tarefas que caem fora da sua missão específica?
D. Carlos Azevedo esclarece:

- Muitos padres têm alguma dificuldade em se desprenderem do que acumularam.
- Muitos leigos ficam por uma pura religião natural. "Quando se fazem actos relacionados com a religião individual - caso das procissões ou grandes festas - as pessoas aderem. Todavia, isto não significa nada do ponto de vista comunitário porque muitas vezes não passa de uma mera religião natural que tem pouco fundamento cristão e evangélico."

domingo, 7 de novembro de 2010

Padres de Cristo para homens e mulheres do nosso tempo


Padres que rezam e tenham gosto de ensinar a rezar.
Padres-discípulos de Cristo e do Seu Evangelho.
Padres que sintam a comunhão da Igreja.
Padres que não se cansam de anunciar Cristo, único Salvador.
Padres que saibam ser profetas de um mundo novo.
Padres desentalados e desinstaladores.
Padres que ousem a fantasia da caridade e da pastoral.
Padres humildes que aceitam o “barro” de que são feitos e se saibam abrir à misericórdia de Deus e ao perdão das pessoas.
Padres livres em relação a tudo e a todos para a todos poderem ajudar a caminhar para Cristo.
Padres capazes de ousar remar contra a maré, mesmo quando a cruz aperta.
Padres que estão no mundo sem serem mundanos.
Padres felizes e testemunhas da alegria da manhã da Páscoa.
Padres trabalhadores da Esperança que não engana.
Padres de Cristo para homens e mulheres do nosso tempo.

Que confusão! Padre, Reitor, Abade, Monsenhor...

Uma família por Portugal repartida.
No Verão juntaram-se e numa das muitas tertúlias que estes familiares mantiveram, lá veio à conversa o tema "padres".
A Ana, que é professora numa cidade beirã, disse:
- O senhor Abade lá da freguesia onde dou aulas é um ancião bondoso...
A Rita que é enfermeira em Setúbal, afirmou:
-Todos os dias o senhor Prior visita o hospital...
O Rui, que trabalha no centro do país, referiu:
- O Cura da minha paróquia é um homem ainda novo...
O Anselmo, que é ministro extraordinário da comunhão numa paróquia de Lisboa, declarou:
- Um jovem da minha paróquia foi ordenado Presbítero há pouco tempo.
A Susana, que é médica em Braga, informou:
- O Pároco da freguesia onde vivo convidou-me para fazer um Curso de Cristandade...
A Henriqueta, que é auxiliar da Acção Educativa em Trás-os-Montes, disse:
- O Padre lá da terra onde trabalho canta muito bem...
O Jorge, que integra a Mesa da Irmandade de um famoso santuário, refere:
- O senhor Reitor é pontualíssimo...
O Aníbal, que é empregado de hotel no Algarve, informou:
- Há um Sacerdote holandês que todos os anos passa pelo hotel 8 dias...
A avó, que ouvira atentamente os seus familiares, desabafa:
- Bem, bem! Estou confusa! Estão a falar de padres ou de outro coisa que eu não entendi!
Todos sorriram. O Anselmo apressa-se a explicar:
- Estamos a falar de padres, sim! Mas eu explico melhor. Presbítero, Sacerdote e Padre querem dizer o mesmo. Abade, Prior, Cura são os nomes que as pessoas dão a um Padre que é Pároco de uma paróquia, dependendo dos lugares. Reitor é o nome que se dá a um padre que está à frente de um santuário importante, de um seminário, etc.
Já agora, alguém me sabe dizer o que significa Arcipreste, Cónego, Monsenhor? - perguntou curiosa a Ana.
- Eu posso tentar - respondeu a Susana. - Arcipreste é o Pároco que coordena a pastoral num arciprestado (que muitas vezes coincide com um concelho). Cónegos só existem nas dioceses mais antigas e o conjunto dos Cónegos formam o Cabido cuja função é ser um órgão de consulta para o Bispo diocesano. Em teoria são escolhidos os sacerdotes que, pela sua sabedoria, competência e zelo pastoral, podem ser um forte apoio ao Bispo no seu serviço à diocese. Monsenhor é um mero título pelo qual a Igreja reconhece a relevância dos serviços prestados por um sacerdote.

sábado, 6 de novembro de 2010

6º Aniversário da Associação dos Esporões


Enquadrado nas festividades de São Martinho, o povo dos Esporões festejou hoje o 1º aniversário da inauguração das obras de restauro da Capela e o 6º aniversário da Associação dos Esporões.
A Eucaristia foi muito bem dinamizada por um coral constituído para o efeito. Renovo aqui o apelo que lhe fiz de integrar o coral da Paróquia.
O Pároco, na homilia, felicitou a Associação pelos serviços prestados ao povo, sabendo proporcionar um espaço de convívio pacífico, de jogos populares e de são relacionamento. Frisou que há sempre muita gente por lá, mormente nas noites de Verão e aos fins-de-semana.
Falou depois da pessoa humana como "um ser em relação." Ninguém nasce ilha ou vive para ser ilha.
Seguiu-se um almoço na sede da Associação muito bem confeccionado por voluntários, prosseguindo o convívio pela tarde fora.

7 a 15 de Novembro: SEMANA DOS SEMINÁRIOS



Como viver a Semana dos Seminários?

1. Pela oração diária e confiante ( "Pedi ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe" - cf. Mt 9,37-38).
2. Fando das vocações e testemunhando o apreço pelas vocações. É Deus quem chama, mas pertence à família e à comunidade ajudar os jovens ( e não só...) a estarem despertos para a possível chamada que Deus depositou na caixa de correio do seu coração. 'Será que Deus te chama à vida sacerdotal'?
3. Pela partilha de bens. Se o Seminário forma os padres de que a Diocese precisa, compete à Diocese ser sólidária para com o Seminário.

Observação: Talvez seja importante rever o Fórum das Vocações que teve lugar na Novena de Santa Helena. AQUI.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

32º Domingo do Tempo Comum - Ano C


Leitura do Segundo Livro de Macabeus

Naqueles dias,
foram presos sete irmãos, juntamente com a mãe,
e o rei da Síria quis obrigá-los,
à força de golpes de azorrague e de nervos de boi,
a comer carne de porco proibida pela Lei judaica.
Um deles tomou a palavra em nome de todos
e falou assim ao rei:
«Que pretendes perguntar e saber de nós?
Estamos prontos para morrer,
antes que violar a lei de nossos pais».
Prestes a soltar o último suspiro,
o segundo irmão disse:
«Tu, malvado, pretendes arrancar-nos a vida presente,
mas o Rei do universo ressuscitar-nos-á para a vida eterna,
se morrermos fiéis às suas leis».
Depois deste começaram a torturar o terceiro.
Intimado a pôr fora a língua,
apresentou-a sem demora
e estendeu as mãos resolutamente,
dizendo com nobre coragem:
«Do Céu recebi estes membros
e é por causa das suas leis que os desprezo,
pois do Céu espero recebê-los de novo».
O próprio rei e quantos o acompanhavam
estavam admirados com a força de ânimo do jovem,
que não fazia nenhum caso das torturas.
Depois de executado este último,
sujeitaram o quarto ao mesmo suplício.
Quando estava para morrer, falou assim:
«Vale a pena morrermos às mãos dos homens,
quando temos a esperança em Deus
de que Ele nos ressuscitará;
mas tu, ó rei, não ressuscitarás para a vida».

A liturgia deste domingo propõe-nos uma reflexão sobre os horizontes últimos do homem e garante-nos a vida que não acaba.
Na primeira leitura, temos o testemunho de sete irmãos que deram a vida pela sua fé, durante a perseguição movida contra os judeus por Antíoco IV Epifanes. Aquilo que motivou os sete irmãos mártires, que lhes deu força para enfrentar a tortura e a morte foi, precisamente, a certeza de que Deus reserva a vida eterna àqueles que, neste mundo, percorrem, com fidelidade, os seus caminhos.
No Evangelho, Jesus garante que a ressurreição é a realidade que nos espera. No entanto, não vale a pena estar a julgar e a imaginar essa realidade à luz das categorias que marcam a nossa existência finita e limitada neste mundo; a nossa existência de ressuscitados será uma existência plena, total, nova. A forma como isso acontecerá é um mistério; mas a ressurreição é uma certeza absoluta no horizonte do crente.
Na segunda leitura temos um convite a manter o diálogo e a comunhão com Deus, enquanto esperamos que chegue a segunda vinda de Cristo e a vida nova que Deus nos reserva. Só com a oração será possível mantermo-nos fiéis ao Evangelho e ter a coragem de anunciar a todos os homens a Boa Nova da salvação.

Interrogando a nossa vida à luz da 1ª Leitura

• Como é que termina a nossa vida? Os sonhos que procuramos concretizar, as nossas realizações mais queridas, que é que valem se nos espera um dia, inevitavelmente, a morte? Estamos condenados a deixar e a perder tudo aquilo que amamos? A nossa morte é uma viagem fatal em direcção ao nada? Estas perguntas são eternas; e, há cerca de 2100 anos, um catequista de Israel já as colocava… A sua fé ditou-lhe, no entanto, a certeza de que a vida continua para além desta terra. É essa certeza que ele nos deixa, neste texto; e é essa experiência de fé que ele nos convida a fazer.

• Quem acredita na ressurreição não pode deixar-se paralisar pelo medo (muitas vezes é o medo que limita a nossa existência e nos impede de defender os valores em que acreditamos)… Pode comprometer-se na luta pela justiça e pela verdade, na certeza de que as forças da morte não o podem vencer ou destruir. É essa certeza que animou o testemunho de tantos mártires de ontem e de hoje… É essa certeza que anima a minha luta e que dá força ao meu compromisso?

• É, sem dúvida, inspiradora a “teimosia” com que estes irmãos defendem os valores em que acreditam. Num mundo em que o que é verdade de manhã, deixou de ser verdade à tarde, em que o partido dos oportunistas tem cada vez mais simpatizantes e em que todos os meios são legítimos para alcançar certos fins, o testemunho destes mártires é uma poderosa interpelação… Somos capazes de defender, com verdade e verticalidade aquilo em que acreditamos? Somos capazes de lutar, ainda que contra a corrente, pelos valores que nos parecem mais significativos e duradouros?
Fonte: aqui
Pode consultar um belo comentário às leituras deste domingo. basta clicar aqui.

Magusto solidário no Zanzibar


Organização: Conjunto de cidadãos de Tarouca

Local: Zanzibar - Tarouca

Tempo: 12 de Novembro

Horário: Das 21 às 23.30 horas - música ambiente, podendo as famílias tomar o seu cafezinho calmamente. A partir das 23.30 horas, sobe ao palco uma DJ convidada para animar os jovens e outras pessoas até ao raiar do dia.

Entrada: Gratis

Condição para entrar: Entregar produtos alimentares não perecíveis que serão posteriormente entregues a uma instituição de solidariedade social.

Nota: Os patrocinadores serão posteriormente divulgados nos jornais locais.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A nossa esperança

Esta semana fomos sacudidos pela realidade universal da morte, de dia, hora e lugar incerto.
Para acolher esse encontro eterno com Deus, é oportuna e bela esta oração de Santo Agostinho:
“Meu Senhor, minha única esperança,
faz que, cansado, eu não cesse de Te buscar,
mas procure o Teu rosto sempre, com ardor.
Dá-me a força de procurar,
Tu que Te sabes fazer encontrar,
e me deste a esperança
de Te encontrar sempre.
Diante de Ti está a minha força
e a minha debilidade:
conserva aquela, cura esta.
Diante de Ti está a minha ciência
e a minha ignorância;
onde me abri, acolhe o meu entrar;
onde me fechei, abre-me quando bater.
Faz que me lembre de Ti,
que Te escute, que Te ame. Ámen!”

A meio da vida – depois dos 40 anos – começa a surgir-nos o pensamento do regresso a Casa – à Casa donde partimos.
Começam a interessar-nos mais os temas espirituais, que nos descubram algo que alivie a obscuridade da morte.
Há anos, um médico amigo começou a pensar na vida para além da morte. Passou a ler todos os livros sobre este tema em português e em espanhol.
Todos pensamos em encontrar alguém que nos acolha, que dê razões à nossa esperança. Esse “Alguém” existe. É o Deus que em Jesus Cristo se aproxima de cada ser humano.
A nossa relação com Deus dá sentido à nossa vida e impele-nos a comunicar aos outros, para que a possibilidade de encontrar Deus seja uma esperança para todos.
Contemplando o rosto de Jesus e escutando as Suas palavras descobrimos quem somos e para que meta tende o nosso caminho quotidiano.
Maria é a Mãe da nossa esperança. Ela acreditou, aceitou, viveu os caminhos que Deus colocou diante de seus passos.
É o modelo da nossa fé e da nossa esperança.

Mário Salgueirinho

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Pensando nas pessoas




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As capelas de Santo António, Arguedeira, e de Santa Tecla, Valverde, possuem agora instalação sonora.
As comissões respectivas, com o apoio do pároco, resolveram dotar os templos com este meio, tendo em vista especialmente duas situações: funerais e festas. É que nestas situações as capelas não comportam toda a gente, o que faz com que muitos fiquem de fora. Ora quando as pessoas não ouvem o que se passa dentro do templo, ficando impossibilitadas de poder acompanhar as cerimónias, a tendência natural é para a dispersão e para o barulho.
Foi pensando em todos que as comissões procederam à instalação do som. Assim estamos convictos que ajudaremos toda a gente a participar mais, mantendo a postura que os actos litúrgicos requerem.
Parabéns a estas comissões pela sensibilidade que revelaram em relação ao bem comum e pela forma como sabem administrar os tostõezitos que as pessoas vão doando. Parabéns ás populações pela generosidade.
Também a capela de São Martinho, Esporões, está a pensar em adquirir uma instalação sonora pelos mesmos motivos.

Milhares de pessoas nas ruas de Mossul para condenar ataques contra cristãos


Milhares de pessoas saíram às ruas de Mossul, no Iraque, para condenar o ataque, no último Domingo, contra uma igreja católica em Bagdad.

Cristãos e muçulmanos utilizaram ramos de oliveira, faixas e bandeiras do Iraque para criticar o ataque que deixou mais de 50 mortos e várias dezenas de feridos.

O acto terrorista contra a catedral siro-católica já foi descrito pelas autoridades como o mais devastador cometido contra cristãos em território iraquiano.

As mortes na igreja na capital iraquiana aconteceram na sequência de confrontos entre forças de intervenção e milicianos do grupo Estado islâmico do Iraque, ligado à Al-Qaeda, que tinham tomado como reféns os fiéis presentes no edifício.
In ecclesia

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um fim-de-semana prolongado ... em trabalho


Aquilo que foi para muita gente um fim-de-semana prolongado, foi para muitos cristãos, também para os padres, um prolongado fim-de-semana de trabalho. Também para mim.
Sábado, Missas vespertinas. Uma das quais com crianças que exige sempre o máximo.
Domingo, programa normal dos domingos.
Segunda-feira, Todos os Santos. Além das Eucaristias, procissões aos cemitérios (Teixelo e Tarouca).
Terça-feira, Fiéis Defuntos, as três Eucaristias. À noite, correcção do jornal.

Apreciei o trabalho generoso de tanta gente: corais, leitores, pessoas que recolheram a partilha dos fiéis, ministros da Comunhão, sacristão. Sem nada exigir, dão-se pela fé aos irmãos.
Apreciei o respeito e serenidade com que as pessoas participaram nas celebrações.
Tocou-me a multidão que no cemitério participou respeitosamente na Eucaristia ali celebrada na tarde de segunda-feira.
Esperava muito mais gente nas Eucaristias dos Fiéis Defuntos. Até por ser o dia que era... Ocorrendo as Missas em horas tão diferentes para responder às disponibilidades de tempo das pessoas, menos compreendi.

Algumas pessoas falaram que, enquanto as flores mais caras se esgotaram, as mais baratas ficaram por vender. Afinal, onde está a crise!?
Compreendo que se tenha brio em apresentar a cama dos entes queridos decentemente asseada. Mas será que os exageros terão alguma utilidade para os falecidos? Será que não se faz dos arranjos das campas "uma feira de vaidades"?

Quando compreenderemos e meteremos no coração o pensamento sábio de Santo Agostinho?
"Se as flores murcham,
Se as lágrimas secam.
Se as velas se derretem,
A oração acolhe-a Deus."

Para os crentes, só existem duas formas de sermos real e efectivamente solidários para com os entes queridos falecidos: a oração (especialmente a Santa Missa) e a esmola, expressão da caridade.

Se você me ama, não chore por mim

“Se você me ama, não chore por mim
Se você conhecesse o mistério insondável do céu onde me encontro...
Se você pudesse ver e sentir o que eu sinto e vejo nesses horizontes sem fim e nesta luz que tudo
alcança e penetra, você jamais choraria por mim.
Eu estou agora absorvido pelo encanto de Deus, pelas suas expressões de infinita beleza.
Em confronto com esta nova vida, as coisas do passado são pequenas e insignificantes.
Conservo todo o meu afecto por você, com aquela ternura que sempre nos devotamos.
O amor que lhe dediquei permanecerá na eternidade, íntegra e forte...
Pense em mim em plena alegria da vida, pois nesta maravilhosa morada não existe a morte.
Se você verdadeiramente me ama, não chore por mim.
Eu estou em paz.”
Santo Agostinho, séc. IV
Fonte: aqui

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

2 de Novembro - Comemoração dos Fiéis Defuntos

Depois de ter cantado a glória e a felicidade dos Santos que «gozam em Deus a serenidade da vida imortal», a Liturgia, desde o início do século XI, consagra este dia à memória dos fiéis defuntos.
É uma continuação lógica da festa de Todos os Santos. Se nos limitássemos a lembrar os nossos irmãos Santos, a Comunhão de todos os crentes em Cristo não seria perfeita. Quer os fiéis que vivem na glória, quer os que vivem na purificação, preparando-se para a visão de Deus, são todos membros de Cristo pelo Baptismo. Continuam todos unidos a nós. A Igreja peregrina não podia, por isso, ao celebrar a Igreja da glória, esquecer a Igreja que se purifica no Purgatório.

É certo que a Igreja, todos os dias, na Missa, ao tornar sacramentalmente presente o Mistério Pascal, lembra «aqueles que nos precederam com o sinal da fé e dormem agora o sono da paz» (Prece Eucarística 1). Mas, neste dia, essa recordação é mais profunda e viva.

O Dia de Fiéis Defuntos não é dia de luto e tristeza. É dia de mais íntima comunhão com aqueles que «não perdemos, porque simplesmente os mandámos à frente» (S. Cipriano). É dia de esperança, porque sabemos que os nossos irmãos ressurgirão em Cristo para uma vida nova. É, sobretudo, dia de oração, que se revestirá da maior eficácia, se a unirmos ao Sacrifício de reconciliação, a Missa.

No Sacrifício da Missa, com efeito, o Sangue de Cristo lavará as culpas e alcançará a misericórdia de Deus para os nossos irmãos que adormeceram na paz com Ele, de modo que, acabada a Sua purificação, sejam admitidos no Seu Reino.
Fonte: aqui

domingo, 31 de outubro de 2010

1 de Novembro - Solenidade de Todos os Santos

Os SANTOS tinham fraquezas e defeitos
contra os quais se bateram toda a vida.

Os membros de uma mesma família têm traços do rosto comuns…
As pessoas que partilham toda uma vida juntos acabam por se parecerem…
Esta festa anual de Todos os Santos reúne inúmeros rostos que trazem em si a imagem e a semelhança de Deus. Todos os Santos. Alguns conhecidos, mas a imensa maioria é anónima.

Um rosto de humanidade transfigurada
Enquanto vivos, os santos não se consideravam como tais, longe disso! Eles não esculpiam a sua efígie num fundo de auto-satisfação…
Contrariamente àquilo que geralmente aparece nas imagens ditas piedosas e nas biografias embelezadas, eles não foram perfeitos, nem à primeira, nem totalmente, nem sobretudo sem esforço. Eles tinham fraquezas e defeitos contra os quais se bateram toda a vida.
Alguns, como S. Agostinho, vieram de longe, transfigurados pelo amor de Deus que acolheram na sua existência. Quanto mais se aproximaram da luz de Deus, tanto mais viram e reconheceram as sombras da sua existência.
Peregrinos do quotidiano, a maior parte deles não realizaram feitos heróicos nem cumpriram prodígios. É certo que alguns têm à sua conta realizações espectaculares, no plano humanitário, no plano espiritual, ou ainda na história da Igreja. Mas muitos outros, a maioria, são os santos da simplicidade e do quotidiano! Canoniza-se muito pouco estas pessoas do quotidiano!

Um rosto com traços de Cristo
Encontramos em cada um dos santos e das santas um mesmo perfil. Poderíamos mesmo desenhar o seu retrato-robô comum. Por muito frequentar Cristo, deixaram-se modelar pelos seus traços.
Como Jesus, os santos tiveram que viver muitas vezes em sentido contrário às ideias recebidas e aos comportamentos do seu tempo. Viver as Bem-aventuranças não é evidente: ser pobre de coração num mundo que glorifica o poder e o ter; ser doce num mundo duro e violento; ter o coração puro face à corrupção; fazer a paz quando outros declaram a guerra…
Os santos foram pessoas “em marcha” (segundo uma tradução hebraizante de “bemaventurado”), isto é, pessoas activas, apaixonadas pelo Evangelho… Os santos foram homens e mulheres corajosos, capazes de reagir e de afirmar a todo o custo aquilo que os fazia viver. Eles mostram-nos o caminho da verdade e da liberdade.
Aqueles que frequentaram os santos – aqueles que os frequentam hoje – afirmam que, junto deles, sentimos que nos tornamos melhores. O seu exemplo ilumina. A sua alegria é o seu testemunho mais belo. A sua felicidade é contagiosa.

As Bem-aventuranças


«Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados os humildes,
porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que choram,
porque serão consolados.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa,
vos insultarem, vos perseguirem
e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.
Alegrai-vos e exultai,
porque é grande nos Céus a vossa recompensa».
(Mt 5,1-12)

OS CRITÉRIOS DO MUNDO E OS CRITÉRIOS DE DEUS

As Bem-aventuranças revelam a realidade misteriosa da vida em Deus, iniciada no Baptismo. Aos olhos do mundo, o que os servidores de Deus sofrem, são
efectivamente formas de morte: ser pobre, suportar as provas (os que choram) ou as privações (ter fome e sede) de justiça, ser perseguido, ser partidário da paz, da
reconciliação e da misericórdia, num mundo de violência e de lucro, tudo isso aparece como não rentável, votado ao fracasso, consequentemente, à morte.
Mas que pensa Cristo? Ele, ao contrário, proclama felizes todos os seus amigos que o mundo despreza e considera como mortos, consola-os, alimenta-os, chama-os filhos de Deus, introdu-los no Reino e na Terra Prometida.
A Solenidade de Todos os Santos abre-nos assim o espírito e o coração às
consequências da Ressurreição. O que se passou em Jesus realizou-se também nos
seus bem amados, os nossos antepassados na fé, e diz-nos igualmente respeito: sob as folhas mortas, sob a pedra do túmulo, a vida continua, misteriosa, para se revelar no Grande Dia, quando chegar o fim dos tempos. Para Jesus, foi o terceiro dia; para os seus amigos, isso será mais tarde.

sábado, 30 de outubro de 2010

“Fotografia” de Deus

Senhor, que amais a vida



Que fantástica "fotografia" de Deus nos apresenta este texto do Livro da Sabedoria!
O Deus que nos apresenta é uma figura benevolente e tolerante, cheia de bondade e misericórdia, que não quer a destruição do pecador, mas a sua conversão e que ama todos os homens que criou, mesmo aqueles que praticam acções erradas. Ora, todos nós conhecemos bem este quadro de Deus, pois ele aparece-nos a par e passo…
Muitas vezes, percebemos certos males que nos incomodam como “castigos” de Deus pelo nosso mau proceder. No entanto, este texto deixa claro que Deus não está interessado em castigar os pecadores… Quando muito, procura fazer-nos perceber – com a pedagogia de um pai cheio de amor – o sem sentido de certas opções e o mal que nos fazem certos caminhos que escolhemos.

"Diante de Vós, Senhor, o mundo inteiro
é como um grão de areia na balança,
como a gota de orvalho que de manhã cai sobre a terra.
De todos Vós compadeceis, porque sois omnipotente,
e não olhais para os seus pecados,
para que se arrependam.
Vós amais tudo o que existe
e não odiais nada do que fizestes;
porque, se odiásseis alguma coisa,
não a teríeis criado.
e como poderia subsistir,
se Vós não a quisésseis?
Como poderia durar,
se não a tivésseis chamado à existência?
Mas a todos perdoais,
porque tudo é vosso, Senhor, que amais a vida.
O vosso espírito incorruptível está em todas as coisas.
Por isso castigais brandamente aqueles que caem
e advertis os que pecam, recordando-lhes os seus pecados,
para que se afastem do mal
e acreditem em Vós, Senhor."

(Livro da Sabedoria)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

31º Domingo do Tempo Comum - Ano C


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade.
Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu,
que era chefe de publicanos.
Procurava ver quem era Jesus,
mas, devido à multidão, não podia vê-l’O,
porque era de pequena estatura.
Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro,
para ver Jesus,
que havia de passar por ali.
Quando Jesus chegou ao local,
olhou para cima e disse-lhe:
«Zaqueu, desce depressa,
que Eu hoje devo ficar em tua casa».
Ele desceu rapidamente
e recebeu Jesus com alegria.
Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo:
«Foi hospedar-Se em cada dum pecador».
Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo:
«Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens
e, se causei qualquer prejuízo a alguém,
restituirei quatro vezes mais».
Disse-lhe Jesus:
«Hoje entrou a salvação nesta casa,
porque Zaqueu também é filho de Abraão.
Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar
o que estava perdido».

Quem era Zaqueu?
Era um publicano (neste caso, um “chefe dos publicanos”). O nosso herói é, portanto, um homem que o judaísmo oficial considerava um pecador público, um explorador dos pobres, um colaboracionista ao serviço dos opressores romanos e, portanto, um excluído da comunidade da salvação.
Os “publicanos” estavam ligados à cobrança dos impostos, ao serviço das forças romanas de ocupação. Tinham fama de utilizar o seu cargo para enriquecer de modo imoral; e é preciso dizer que, na generalidade, essa fama era bem merecida. De acordo com a Mishna, estavam afectados permanentemente de impureza e não podiam sequer fazer penitência, pois eram incapazes de conhecer todos aqueles a quem tinham defraudado e a quem deviam uma reparação. Se um publicano, antes de aceitar o cargo, fazia parte de uma comunidade farisaica, era imediatamente expulso dela e não podia ser reabilitado, a não ser depois de abandonar esse cargo. Quem exercia tal ofício, estava privado de certos direitos cívicos, políticos e religiosos; por exemplo, não podia ser juiz nem prestar testemunho em tribunal, sendo equiparado ao escravo.

Que procurava Zaqueu?
Este homem procurava “ver” Jesus. O “ver” indica aqui, provavelmente, mais do que curiosidade: indica uma procura intensa, uma vontade firme de encontro com algo novo, uma ânsia de descobrir o “Reino”, um desejo de fazer parte dessa comunidade de salvação que Jesus anunciava. No entanto, o “mestre” devia parecer-lhe distante e inacessível, rodeado desses “puros” e “santos” que desprezavam os marginais como Zaqueu. O subir “a um sicómoro” indica a intensidade do desejo de encontro com Jesus, que é muito mais forte do que o medo do ridículo ou das vaias da multidão.
Como é que Jesus vai lidar com este excluído, que sente um desejo intenso de conhecer a salvação que Deus oferece e que espreita Jesus do meio dos ramos de um sicómoro? Jesus começa por provocar o encontro; depois, sugere a Zaqueu que está interessado em entrar em comunhão com Ele, em estabelecer com Ele laços de familiaridade (“quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa»”). Atente-se neste quadro “escandaloso”: Jesus, rodeado pelos “puros” que escutam atentamente a sua Palavra, deixa todos especados no meio da rua para estabelecer contacto com um marginal e para entrar na sua casa. É a exemplificação prática do “deixar as noventa e nove ovelhas para ir à procura da que estava perdida”… Aqui torna-se patente a fragilidade do coração de Deus que, diante de um pecador que busca a salvação, deixa tudo para ir ao seu encontro.

Como é que a multidão que rodeia Jesus reage a isto?

Manifestando, naturalmente, a sua desaprovação às atitudes incompreensíveis de Jesus (“ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «foi hospedar-se em casa de um pecador»”). É a atitude de quem se considera “justo” e despreza os outros, de quem está instalado nas suas certezas, de quem está convencido de que a lógica de Deus é uma lógica de castigo, de marginalização, de exclusão. No entanto, Jesus demonstra-lhes que a lógica de Deus é diferente da lógica dos homens e que a oferta de salvação que Deus faz não exclui nem marginaliza ninguém.

Como é que tudo termina?
Termina com um banquete (onde está Zaqueu, o chefe dos publicanos) que simboliza o “banquete do Reino”. Ao aceitar sentar-Se à mesa com Zaqueu, Jesus mostra que os pecadores têm lugar no “banquete do Reino”; diz-lhes, também, que Deus os ama, que aceita sentar-Se à mesa com eles – isto é, quer integrá-los na sua família e estabelecer com eles laços de comunhão e de amor. Jesus mostra, dessa forma, que Deus não exclui nem marginaliza nenhum dos seus filhos – mesmo os pecadores – mas a todos oferece a salvação.

E como é que Zaqueu reage a essa oferta de salvação que Deus lhe faz?
Acolhendo o dom de Deus e convertendo-se ao amor. A repartição dos bens pelos pobres e a restituição de tudo o que foi roubado em quádruplo, vai muito além daquilo que a lei judaica exigia (cf. Ex 22,3.6; Lev 5,21-24; Nm 5,6-7) e é sinal da transformação do coração de Zaqueu… Repare-se, no entanto, que Zaqueu só se resolveu a ser generoso após o encontro com Jesus e após ter feito a experiência do amor de Deus. O amor de Deus não se derramou sobre Zaqueu depois de ele ter mudado de vida; mas foi o amor de Deus – que Zaqueu experimentou quando ainda era pecador – que provocou a conversão e que converteu o egoísmo em generosidade. Prova-se, assim, que só a lógica do amor pode transformar o mundo e os corações dos homens.

Fonte: aqui

Um site a visitar





Chama-se ABC da Catequese - http://www.abcdacatequese.com/

Tem importância para:
- crianças
- jovens
- famílias
- catequese paroquial
- adultos.

Aqui pode encontrar:
- imagens
- cartazes
- vídeos
- powerpoints
- sugestões de leitura
- cânticos
- materiais de apoio
- fórum
- celebração dominical
- notícias
- catequeses várias
.....

NINGUÉM TE AMA COMO EU

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A Fé e a salvação dos mineiros

Todo o mundo se emocionou com a libertação dos mineiros do Chile. E não faltou oração. Houve missas e orações na superfície e dentro da mina, imagens de santos por todos os lados, além de mensagens de fé enviadas de todo o mundo.

Segundo o engenheiro que fez a perfuração do buraco para resgatar os 33 mineiros a "fé e a oração estiveram na base do sucesso" que resgatou, de cerca de 700 metros de profundidade, os 33 reféns que aí estiveram retidos durante mais de 2 meses.
Greg Hall é o dono da empresa Drillers Supply International, responsável pela perfuração que permitiu o resgate dos 33 mineiros. Este engenheiro americano, que se assume como um católico convicto afirmou que "a fé para superar os obstáculos e a oração diária foram as chaves do êxito da sua missão."

Hall, que a 12 de Fevereiro será ordenado diácono permanente, exprimiu a sua emoção perante o êxito da operação de resgate afirmando que "foi um árduo trabalho, mas que valeu a pena porque agora estes 33 mineiros já se podem reunir com as suas famílias. Foi uma sensação maravilhosa ter contribuído para o resgate destas vidas humanas."

A empresa de Hall trabalha no Chile desde há 20 anos e especializou-se na perfuração de rocha dura e o Ministério das Minas de Chile escolheu-a para perfurar o túnel de 622 metros, por onde saíram os mineiros, no passado dia 13 de Outubro.

Quando souberam que a sua empresa tinha sido escolhida para a tarefa do resgate, tanto o engenheiro como a sua esposa Angélica sentiram " o peso do mundo" sobre os seus ombros. Efectivamente, tudo o que sabiam sobre perfuração teve que ser alterado porque era a primeira vez que utilizavam os seus conhecimentos para resgatar vidas humanas. A perfuração tinha que ser muito precisa, muito cuidadosa, para que não provocasse nenhum desmoronamento no interior da mina. "Foi uma tarefa muito tensa"- confessou o engenheiro, esclarecendo que procurou manter-se, emocionalmente, afastado da situação dos mineiros "para não perder a concentração numa tarefa assaz complicada e delicada" a qual, para além da oração, envolveu muitas capacidades, muito planeamento e preparação para fazer as coisas o mais perfeitas possível.

"Os momentos em que tudo parecia falhar – confessa o engenheiro – eram momentos para a oração".

In O Amigo do Povo

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Novo Sínodo para 2012

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"O meu regozijo pelo anúncio feito pelo Papa Bento XVI anunciou na homilia do Dia Mundial das Missões, que foi também de encerramento de um Sínodo para a Igreja do Médio Oriente, uma Igreja minoritária em países islâmicos, onde não há liberdade religiosa: convocar um novo Sínodo para 2012 com o tema da nova evangelização.

Com certeza que não vão surgir grandes novidades de conteúdos para a missão da Igreja. Mas da reflexão preparatória do Sínodo e da revisão dos nossos métodos e linguagem poderá surgir alguma luz e simplificação para a acção da Igreja no mundo contemporâneo.

Igreja em Portugal?

Está com o plano repensar a pastoral da Igreja em Portugal, que está em curso e que nos próximos meses irá envolver todos os colaboradores da missão da Igreja nas dioceses com seus serviços, paróquias e movimentos, tendo por base duas perguntas, para ajudar ao discernimento, uma sobre a leitura de fé dos sinais de Deus na sociedade e outra sobre os sinais e indicadores do Espírito Santo na própria vida da Igreja:
1. Igreja em Portugal, “que vês na noite” da sociedade em que vives (cf. Is 21, 11)? Quais os sinais de Deus e os desafios para a tua missão? O que verdadeiramente precisam as pessoas de hoje, a nível espiritual e humano, e o que podes tu oferecer-lhes?
2. Igreja em Portugal, que indicações ou rumores do Espírito encontras hoje em ti (experiências, carismas, dinamismos existentes...) a apontar te o estilo de vida cristã e a “nova maneira de ser Igreja” adequada aos tempos de hoje? Que caminhos pastorais te assinalam os sinais e os dons do Espírito para viveres e testemunhares o Evangelho de Cristo?

A reflexão na base destas questões poderá trazer à Igreja em Portugal novos dinamismos de missão, acentuar as suas prioridades e até simplificar algumas estruturas pesadas da nossa organização, que sorvem muito do nosso tempo e energias. Na sua homilia no Porto, o Papa Bento XVI alertava para isso mesmo, quando exclamava: Quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado, por inadvertência deste ponto! Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à eficácia da missão: a missão recebemo-la sempre de Cristo, que nos deu a conhecer o que ouviu a seu Pai, e somos nela investidos por meio do Espírito na Igreja. Como a própria Igreja, obra de Cristo e do seu Espírito, trata-se de renovar a face da terra a partir de Deus, sempre e só de Deus!

D. António Vitalino

VALE A PENA LER

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Reevangelizar ou simplesmente evangelizar?

AQUI!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sempre se esmurrou, sempre se há-de esmurrar!

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Conta-se que em determinada paróquia havia o hábito de as pessoas, ao fim de um funeral ou de uma procissão, ao chegarem à sacristia, apagarem as velas esmurrando-as contra a parede.
Quando chegou àquela terra um novo pároco e vendo a sacristia imunda, informou-se das causas daquele estado miserável das paredes.
Procurou o sacerdote com toda a paciência e persistência convencer os paroquianos da nocividade de tal prática.
Quando tempos depois se realizou um funeral, o pároco assistiu consternado à repetição do mesmo acto. Com a paciência disponível, procurou ali mesmo chamar à atenção dos prevaricadores. Eis que ouve a resposta que o deixou prostrado:
- Ó senhor abade, aqui sempre se esmurrou, sempre se há-de esmurrar!

Penso que aquilo que está em causa nesta situação é a fé supersticiosa em que vivemos e que nos faz confundir tudo, até sujidade com limpeza. Ou como alguém diz, muita religiosidade e pouco cristianismo.
Muitas vezes, nos podemos perguntar: Onde fica Cristo no meio desta confusão de tradições e costumes, superstições, procissões, velas, promessas?
Bento XVI não cessa de nos chamar ao essencial. E na fé cristã, o essencial só pode ser a adesão intima, profunda, inequívoca à pessoa de Cristo e o Seu Evangelho.

domingo, 24 de outubro de 2010

Reuniu o Conselho Pastoral Paroquial


Em 23 de Outubro, reunião do Conselho Pastoral paroquial.
As pessoas presentes saudaram o seminarista estagiário Amadeu, presente na reunião, a quem deram as boas-vindas, desejando-lhe um bom trabalho e salientando que pode contar com a comunidade, e que esta conta com ele.
Também a presença do Diácono Amorim mereceu dos presentes uma palavra de apoio e a manifestação do desejo sentido de que ultrapasse o momento menos bom de saúde porque passa actualmente.
Ambos agradeceram a manifestação de solidariedade, tendo o Diác. Amorim referido que “manter a actividade normal é uma forma de lutar.”

Análise do Plano Pastoral 2009/2010
Aspectos positivos
• O Plano Pastoral foi cumprido e até suplantado.
• A Via-Sacra foi espectacular. E agradeceu-se ao Grupo de jovens, a outros jovens vindos de fora e aos adultos que participaram. Salientou-se a presença de muita gente, adultos, jovens e crianças, tendo-se referido que estas actividades conquistam mais a gente nova do que a oração que eles sentem mais fastidiosa.
• Também foi dito que a Procissão de Nossa Senhora de Fátima contou com muita gente, mesmo de pessoas que só aparecem ocasionalmente.
• A catequese de Setembro sobre a vivência da morte à luz da vida, foi oportuna pelos esclarecimentos prestados e pelas pistas abertas.
• As festas da catequese correram bem. O grupo de catequistas trabalha com amor, dedicação e persistência e os catequizandos são fantásticos.
• A Missa com famílias foi uma acção muito positiva, que envolveu muitas famílias e que deixou nos participantes um apelo a mais…
• A novena e festa de Santa Helena, a nossa festa, tem melhorado de ano +para ano. Este ano, com um ar mais jovem, agradou a toda a gente. O Forum das Vocações, o concerto do P.e Marcos Alvim e a maneira como o P.e José Fernando soube estar, falar e orientar cativaram toda a gente. É de continuar…
• A festa-convívio do Senhor do Monte, capela que pertence à Junta de Freguesia, foi um sucesso, apesar da fraca divulgação. A procissão, a Missa, o convívio, os jogos tradicionais movimentaram muita gente que se sentiu bem e deixou em todos uma vontade de repetir.
• Referiu-se também que o Lausperene pelos povos correu bem, em muitos lados foi mesmo do melhor que se fez até ao presente.
• A Paróquia está de parabéns pelas actividades que vem realizando. As pessoas gostaram e particionaram… É que a novidade aumenta a vontade de participar.

Aspectos menos positivos
• A Profissão de Fé foi numa quinta-feira e correu bem. Mas logo no domingo seguinte, quantas crianças e pais participaram na Eucaristia? Se alguns o fizeram, muitos não compareceram… É que há quem revele demasiada preocupação com o vestuário, as exterioridades e, ao mesmo tempo, demasiada ausência de compromissos.
• A Igreja não é nenhuma praia nem nenhuma passarela. Quem entra num templo deve vestir de forma condigna pelo respeito ao lugar e para não escandalizar os outros. Mas também as pessoas devem concentrar-se muito mais naquilo que lá estão a fazer em vez de estar a reparar no modo com os outros se apresentam…
• Não podemos ser mais antiquados nas ideias do que a nossa bela Igreja que nos vem da Idade Média. Em vez de olhar de soslaio e criticar quem só aparece às vezes, precisamos de melhor muito o acolhimento a quem chega…
• Quanto às pessoas que não vão à Missa ou só o fazem raramente, o Pároco não deve estar sempre a bater na mesma tecla. É contraproducente. Há mesmo quem diga que só ouve quem cumpre. Será dever de cada participante, pela palavra e pelo testemunho, ajudar familiares, amigos e vizinhos a descobrir a beleza da Eucaristia.
• O Grupo Coral, que teve uma quebra com as férias de Verão, precisa agora de “arrebitar”. Precisamos todos de chamar mais gente para lá, uma vez que a animação coral se destina a ajudar toda a assembleia a celebrar e a viver melhor a Eucaristia.

Plano Pastoral 2010/2011
Após explicação, análise e debate, foi unanimemente aprovado o Plano Pastoral 2010/2011.
Este Plano Pastoral surge num contexto específico, em que sobressaem três vertentes que o condicionam e o moldam:
1. A nível nacional. Todas as dioceses estão numa caminhada ao estilo sinodal. Procura-se escutar o que a Igreja diz à Igreja, procurando auscultar quais são os sinais de Deus no mundo e quais as luzes que o Espírito Santo vai acendendo na própria Igreja. Neste sentido, o Conselho pastoral indicou os representantes desta Paróquia na próxima reunião arciprestal que terá lugar em 16 de Janeiro.
2. A nível diocesano. O nosso Bispo já fez 75 anos e espera-se dentre de alguns meses que possa chegar o seu sucessor.
3. A nível paroquial. O Centro Paroquial, em construção, é absorvente tanto para o Pároco como para a comunidade.


Observação: Pode ver o Plano Pastoral aprovado na 3ª página do Sopé da Montanha, logo que ele esteja online. Pedimos a melhor atenção e a sua divulgação.

sábado, 23 de outubro de 2010

24 de Outubro: DIA MUNDIAL DAS MISSÕES


Também é preciso tomar consciência de que é toda a Igreja que é missionária, e que, portanto, ser cristão implica necessariamente ser missionário. Que o cristão não necessita de outra vocação para ser missionário: basta a vocação que tem. Que «cristão» e «missionário» não identificam duas figuras distintas nem duas vocações distintas, mas são qualificações inseparáveis do discípulo de Jesus. Que ninguém pode pensar que se pode ser, em primeiro lugar, cristão, e depois, se se sentir chamado e se quiser, vir também a ser missionário. Para o cristão, ser missionário é a sua maneira de ser, a sua identidade, a sua graça, é uma necessidade, é de fundo e não um adereço facultativo. A sua referência permanente é Jesus Cristo, e o seu horizonte são todos os corações.

D. António Couto

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

30º DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano C

Deus não está à venda


São muitas as tentativas para comprar Deus. O que está por detrás de tais gestos pouco humildes, são a tentativa de manipular Deus. Isto é, não são raros os que pensam que é possível fabricar um Deus à maneira de cada um e que com palavras benévolas a seu favor e contra os outros, podem dar a volta à misericórdia de Deus. Provavelmente, pensamos que podemos desviar a atenção de Deus escondendo os nossos desmandos com palavras mansas. Esta lógica da manipulação não se coaduna com o agir de Deus Pai/Mãe de Jesus. Não é a fé a única razão da dedicação à Igreja para muita gente. Mas muitos haverão, que se envolvem em grupos, movimentos e actividades da igreja não com a intenção de servir a comunidade, mas para se promoverem e mostrarem que são mais importantes que todos os outros e ganharem dinheiro com isso. Apontar os erros dos outros é sempre mais fácil. Mas, o valor de uma pessoa está na sua capacidade de reconhecer os seus defeitos e depois tentar melhorar sempre em cada hora da vida.
Jesus quis mostrar que não é com a exaltação pessoal que agradamos a Deus, mas com o reconhecimento das nossas falhas e dos nossos pecados. Reconheço portanto, que muitos haverão na igreja que sabem verdadeiramente estar ao serviço da comunidade sem interesse nenhum. Não reclamam qualquer reconhecimento. No silêncio da oração e do encontro com Deus mostram quanto a sua fé se alimenta de humildade e de fé verdadeira no Reino de Deus. Se meditamos assim, somos levados a concluir que Deus detesta ser comprado com ofertas bajuladoras, ritos anacrónicos e sem sentido, orações ocas e sem conteúdo, celebrações faustosas que enchem os olhos sem qualquer consistência na vida prática.
É um engano pensar que são as nossas muitas coisas que rezamos e celebramos que nos justificam. O que nos salva, é sempre a bondade e a misericórdia de Deus. E Ele salva e justifica quem reconhece a sua inutilidade e miséria, descobrindo que o amor e a justificação são gestos da profunda gratuidade de Deus. Nada em Deus está à venda, tudo é oferta de amor que se derrama em todos os corações disponíveis para o acontecer dessa graça.
E termino como o padre Victor Gonçalves na sua crónica-comentário a esta mesma parábola do Evangelho: «É a verdade de sermos pobres e necessitados de Deus, do seu amor e do seu abraço, que importa dizer e sentir. Por isso, “pecador” é quem quer mudar, é quem diz como o Jorge Palma: 'Enquanto houver estrada para andar/ A gente vai continuar/ Enquanto houver estrada para andar/ Enquanto houver ventos e mar/ A gente não vai parar/Enquanto houver ventos e mar'».

SER CRISTÃO IMPLICA NECESSARIAMENTE SER MISSIONÁRIO


1. A Conferência Episcopal Portuguesa tornou pública no passado dia 17 de Junho deste ano de 2010 uma Carta Pastoral intitulada «Como Eu vos fiz, fazei vós também». Para um rosto missionário da Igreja em Portugal. A presente Carta Pastoral surge como resposta a uma proposta do Congresso Missionário Nacional, realizado nos dias 3 a 7 de Setembro de 2008, em que se solicitava à CEP uma Carta de orientação da Missão em Portugal, no sentido de avivar a vocação missionária de todos os cristãos.

2. A Carta agora publicada, e que recolhe as melhores e mais incisivas orientações do magistério Conciliar e Papal, das Congregações Romanas, de importantes acontecimentos eclesiais (Aparecida, CAM 3 / COMLA 8), assenta em cinco traves mestras fundamentais e significativas: 1) «O primado da missão do amor»; 2) «Evangelização: o primeiro e o melhor serviço»; 3) «Todos evangelizados, todos evangelizadores»; 4) «Igrejas locais, sujeito primeiro da missão»; 5) «Fiéis leigos: contributo indispensável no coração do mundo».

3. Compulsando a documentação referida e recolhendo a sensibilidade missionária de outras Conferências Episcopais que mais se têm debruçado nos últimos anos sobre esta temática, vê-se bem que a missão ad gentes aparece cada vez mais como o horizonte permanente e o paradigma por excelência de toda a dinâmica e empenhamento pastoral. Neste sentido, é cada vez mais claro que a missão ad gentes não é tanto uma maneira de demarcar espaços a que haja que levar o primeiro anúncio do Evangelho, mas é mais o modo feliz, ousado, pobre, despojado e dedicado de o cristão sair de si mesmo por amor para, por amor, levar Cristo ao coração de cada ser humano, seja quem for, seja onde for.

4. É aqui que incide, porventura abrindo feridas na nossa compreensão empoeirada, o título desta Carta Pastoral, situando-nos no inevitável seguimento modelar de Cristo: «Como Eu vos fiz, fazei vós também» (Jo 13,15). É o como que nos desafia; não é o onde. Portanto, aqui também, e desde aqui, se pode e deve fazer como fez Cristo. A missão ad gentes não é tanto o que fazer; é o modo, o como fazer. E aí não nos resta senão ser cristãos e missionários ao jeito de Cristo: pobres e humildes, felizes e livres, sem coisas atrás, para que o anúncio do Evangelho seja mesmo «primeiro» e credível. É também aqui que se compreende que as comunidades europeias, de antiga tradição cristã, estejam a tomar consciência deste modo novo e «primeiro» de serem missionárias ad gentes. E também se compreende que tenham chegado a este caminho depois de verificarem o relativo (ou completo) insucesso da chamada «nova evangelização». Uma comunidade rica e parada, empoeirada, com estruturas ricas e pesadas, dificilmente será credível, não é mesmo credível.

5. Também é preciso tomar consciência de que é toda a Igreja que é missionária, e que, portanto, ser cristão implica necessariamente ser missionário. Que o cristão não necessita de outra vocação para ser missionário: basta a vocação que tem. Que «cristão» e «missionário» não identificam duas figuras distintas nem duas vocações distintas, mas são qualificações inseparáveis do discípulo de Jesus. Que ninguém pode pensar que se pode ser, em primeiro lugar, cristão, e depois, se se sentir chamado e se quiser, vir também a ser missionário. Para o cristão, ser missionário é a sua maneira de ser, a sua identidade, a sua graça, é uma necessidade, é de fundo e não um adereço facultativo. A sua referência permanente é Jesus Cristo, e o seu horizonte são todos os corações.

6. É claro. Já não basta converter ou reconverter estruturas. É mesmo necessário e preliminar que comecemos por nos convertermos nós ao estilo de Cristo, ao como de Cristo. Igreja de Portugal, é tempo de renascer!

António Couto
http://mesadepalavras.wordpress.com/

Bispos e Misericórdias

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O Bispo de Beja em crónica de opinião assinada na Rádio Pax admitiu que " o prestígio das Misericórdias fez com que por vezes alguns se servissem delas para usufruírem desse prestígio, ao contrário do que nos prescreve o Evangelho (...). D. António Vitalino Dantas deixou no ar algumas interrogações: "quem corrige quando há desvios? Quem é responsável quando alguma instituição se afasta das suas finalidades?"
D. António Vitalino indica que deveriam ser os próprios membros da associação a fazê-lo através dos seus órgãos, de acordo com os seus Estatutos mas nem sempre é possível pois, na opinião do bispo de Beja, "os órgãos são, por vezes, constituídos por pessoas incorporadas por compadrio e não segundo o espírito associativo próprio; neste caso o compromisso evangélico das obras de misericórdia".
"Quando os membros não se entendem, se fecham as admissões de irmãos, se fazem assembleias sem participação de irmãos e se tomam decisões ruinosas, quem tem a tutela para intervir? Quem as defende da ambição do poder político, como tem acontecido ao longo dos séculos? Quem aprova as actualizações e alterações do compromisso e dos Estatutos?", volta a questionar D. António. De acordo com o Bispo de Beja o decreto da Conferência Episcopal vem responder a todas estas questões. O Bispo considera que é necessário incentivar "o espírito associativo e fraterno, e todos ganharemos com a transparência e o cumprimento do compromisso cristão das Misericórdias".

In O Amigo do Povo

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ETERNIDADE

Fé, Esperança e Caridade

SALMO 54

A caridade dá os pés à esperança para caminhar até à meta da fé
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Creio em ti como rei,
espero em ti como pastor,
amo-te como pai.

Creio em ti como fonte,
espero em ti como rio,
amo-te como água viva.

Creio em ti como Senhor,
espero em ti como Mestre,
amo-te como amigo.

Creio em ti como sol,
espero em ti como chuva,
amo-te como pão.

Creio em ti como Deus,
espero em ti como Salvador,
amor-te como irmão.

Creio em ti neste silêncio,
espero em ti nesta cruz,
amo-te nesta Igreja.

Creio em ti porque és,
espero em ti porque vens,
amo-te porque estás.

http://tbcparoquia.blogspot.com/