domingo, 24 de setembro de 2023
quinta-feira, 21 de setembro de 2023
D. Américo nomeado bispo de Setúbal
Podemos pensar num bispo como uma mera figura de proa para um sistema bastante bem montado, e que até pode funcionar sozinho – afinal de contas, Setúbal está há quase dois anos com um administrador apostólico em vez de um bispo e as coisas vão andando – mas isso seria um terrível erro. Ou pelo menos devia ser.
Um bispo faz muita falta a uma diocese, como ponto de referência para os seus fiéis e, sobretudo, como ponto de referência e de concórdia para os seus padres. Faz falta quem determine um rumo; faz falta quem congregue as ovelhas, que de outro modo tendem a dispersar.
Sem ir mais longe, reparemos que Setúbal esteve sem bispo durante todo este tempo em que a Igreja teve de enfrentar a crise dos abusos sexuais, quando mais era preciso haver vozes firmes para conduzir uma Igreja local ferida, magoada, revoltada e com medo. Quando mais era preciso colocar alguma ordem, precisamente nesse assunto, cujo tratamento em Setúbal tem deixado muito a desejar.
Também por todas as razões elencadas acima, não basta uma diocese ter um bispo, tem de ser um bom bispo. Um bispo que não seja apenas um burocrata. Setúbal, depois de tudo o que passou, merece um bispo activo, capaz e comprometido com o seu rebanho.
D. Américo tem potencial para fazer um bom trabalho em Setúbal e para ser essa figura, e assim espero que seja.
É verdade que ele não é a pessoa mais consensual do mundo, mas há boas razões para pensar que as dificuldades que sentiu em Lisboa não se repetirão na sua nova diocese.
D. Américo entrou em Lisboa como o braço direito de D. Manuel Clemente, que trabalhou com ele quando foi bispo do Porto. Ao contrário de D. Manuel, que regressava a uma casa onde era já conhecido e estimado, o então Padre Américo vinha de fora com aura de protegido e com atitude de cão de guarda do pastor (o termo é dele, e não meu). Isso não caiu bem entre muito do clero lisboeta.
Desde cedo começou a coleccionar cargos. Desde presidente do Conselho de Administração da Renascença – uma máquina influente e enorme, mas fragilizada e a precisar de reformas corajosas e urgentes – a homem de ponta para lidar com a crise dos abusos e, mais tarde, arquitecto daquele que foi simplesmente o maior evento que Portugal alguma vez recebeu, e alguma vez receberá.
Entretanto foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa. Bispo auxiliar é um cargo complicado, não é carne, nem é peixe. É bispo, certo, mas não é a cabeça da diocese, nem é visto como tal pelo clero. Sei que muitos padres ficaram desagradados com a forma como ele exerceu esse cargo, nomeadamente na relação com o clero, agindo como seu superior – que era, hierarquicamente – o que foi interpretado por alguns como uma usurpação da autoridade do Patriarca.
Agora D. Américo não terá esse problema. É ele o pastor de Setúbal e espera-se mesmo que se comporte como tal. Sobretudo porque Setúbal precisa urgentemente de alguém que ponha ordem na diocese e consiga resolver problemas complicados, incluindo financeiros, que ela enfrenta. D. Américo pode ter muitos defeitos, mas é um homem de acção e que gosta de ter a “mão na massa”, o que aqui será um enorme benefício.
O novo bispo de Setúbal chega “em alta”, tendo sido a face do enorme sucesso que foi a Jornada Mundial da Juventude e entrará oficialmente na diocese já como cardeal, o que não deixa de constituir uma enorme honra para uma diocese que tem menos de 50 anos.
O que nos leva à segunda questão. Então e Roma?
Durante meses era dado como certo que D. Américo estaria a caminho de um cargo na cúria romana, a pedido específico do Papa Francisco. O que é que terá acontecido? Não sei, mas não se pode excluir que o próprio D. Américo tenha preferido ficar em Portugal, numa diocese onde pode desenvolver uma acção mais directa e no terreno, do que num gabinete no Vaticano. Se assim for é bom sinal, pois revela ausência de carreirismo.
Pode ter contribuído para isso o facto de o futuro cardeal não dominar línguas estrangeiras, nomeadamente o italiano, que é essencial para conseguir trabalhar em Roma.
O que espero, sinceramente, é que D. Américo não esteja a prazo em Setúbal. Não digo que tenha de lá ficar a cumprir o mandato até aos 75 anos, mas pelo menos tempo suficiente para traçar um plano de acção e o concretizar, tempo para lançar raízes e deixar trabalho feito. A passagem relâmpago de D. José Ornelas não deixou especiais saudades aos setubalenses e a última coisa de que precisam é de um bispo que dê ares de estar simplesmente a pousar antes de partir para voos mais altos.
D. Américo é novo, só faz 50 anos em Dezembro. Tem mais que tempo, ainda, para fazer um bom trabalho na sua nova diocese. E o facto de ser cardeal significa que certamente terá também cargos em Roma que o obriguem a viajar e a pôr a render os talentos que Francisco reconheceu nele.
Fonte: Filipe d'Avillez, aqui
quarta-feira, 20 de setembro de 2023
24 de Setembro, 2023 - 25º Domingo do Tempo Comum - Ano A
sexta-feira, 15 de setembro de 2023
Valverde - Nossa Senhora das Dores 2023
Menos gente na Missa. Silêncio e postura de fé, numa noite de quase Outono onde a chuva foi ameaça permanente .
Falou-se de Maria. Das suas dores enquanto Mãe de Jesus e mãe de todas as pessoas.
Maria. Perto de Jesus crucificado na comunidade de irmãos.
Maria, no Calvário, junto de Jesus, não sozinha, mas com um grupo de crentes. A fé cristã é uma adesão pessoal a Cristo que se realiza e se afirma na comunidade, com a comunidade e pela comunidade.
Parabéns à comissão, à pessoa que cuida da capela, às pessoas que deram o seu donativo e colaboração.
Parabéns às pessoas que marcaram presença.
Esperamos que, no próximo ano, todos, todos, todos marquem presença e participem.
NOSSA SENHORA DAS DORES
quinta-feira, 14 de setembro de 2023
quarta-feira, 13 de setembro de 2023
terça-feira, 12 de setembro de 2023
A primeira família inteira a ser beatificada na Igreja Católica.
Józef e Wiktoria Ulma casaram em 1935 na Igreja de Santa Doroteia, na aldeia de Markowa, na Polónia.
Quatro anos mais tarde começou a Segunda Guerra Mundial, precisamente com a invasão da Polónia pela Alemanha Nazi.
Em 1942 os Ulma já tinham vários filhos quando oito judeus – os seis membros da família Szall e as irmãs Goldman – vieram pedir ajuda para se refugiar dos nazis, que estavam a proceder à captura e assassinato sistemáticos dos judeus naquele país.
Józef e Wiktoria tinham todas as razões do mundo para dizer que não. Já tinham assistido à matança dos judeus de Markowa no Verão de 1942, sabiam como os nazis eram implacáveis e sanguinários. Ainda por cima tinham filhos com que se preocupar, mais as suas próprias vidas para salvaguardar. Todos sabiam que albergar ou auxiliar judeus era um crime punível com a morte.
Todavia, eles abriram a sua casa àquelas famílias.
Ao longo destes últimos anos tenho lido bastantes livros sobre este período da história, incluindo um livro perturbador sobre os homens que compunham os pelotões de polícia alemã que eram responsáveis por prender e executar judeus em massa na Polónia, um livro quase enciclopédico sobre a perseguição nazi aos católicos na própria da Alemanha e outro sobre pessoas comuns que resistiram aos nazis na Alemanha também. É muito simples dizer que os Ulma arriscaram as suas vidas para salvar judeus porque eram católicos, e porque os católicos são chamados a esse tipo de sacrifício. Mas é demasiado simples. A Polónia estava repleta de católicos naquele período, como está agora, e embora haja muitas histórias de homens e mulheres que arriscaram ou deram mesmo a vida para salvar quem era injustamente perseguido – sendo que pelo menos 1000 polacos não-judeus foram executados pelos nazis por essa razão – também não há falta de actos terríveis de violência levados a cabo contra judeus por cidadãos normais, ou de pessoas que denunciaram aqueles que escondiam os judeus.
Porque é que os Ulma eram diferentes? A sua fé era mais profunda? Acho que não será só isso. A meu ver há aqui um factor importante de decisão racional, assente, certamente – sobretudo neste caso – numa fé profunda, que sabemos que os animava.
Eu acredito que a dada altura os Ulma tiveram de pesar aquilo que lhes poderia acontecer caso fossem apanhados e tomaram uma decisão firme de que estavam dispostos a abraçar essa cruz caso lhes fosse apresentada. E acredito que é, acima de tudo, essa a lição que a sua história contém para nós.
Claro que aqui estamos a falar de um gesto absolutamente radical, mas a verdade é que podem surgir nas nossas vidas muitas outras situações em que o que está em causa não é a vida, mas o bem-estar, o conforto material ou financeiro. Se fizermos este exercício para o sacrifício máximo, creio que estaremos em melhor posição para o podermos pôr em prática nos sacrifícios mais banais.
Em 1944 um polícia denunciou os Ulma aos nazis. Parece que era um homem que já tinha ajudado os Szall a troco de dinheiro e que estava a tomar conta dos seus pertences, e que assim fez quando eles tentaram reclamar as suas coisas.
No dia 24 de Março de 1944 a polícia alemã apareceu na casa dos Ulma. Os judeus foram localizados e executados. Depois toda a família foi reunida. Aparentemente, nesse momento Wiktoria entrou em trabalho de parto e deu à luz o seu sétimo filho. Sem qualquer piedade, os nazis executaram toda a família, incluindo o recém-nascido.
A execução dos Ulma causou tanto pânico entre os polacos que ainda estavam a esconder judeus, que na manhã seguinte foram encontrados 24 cadáveres de judeus nos campos. Tinham sido assassinados pelas mesmas pessoas que lhes tinham dado guarida durante 20 meses.
Em 1995 os Ulma foram reconhecidos Justos entre as Nações pelo memorial Yad Vashem, em Israel.
Mais recentemente, as autoridades locais usaram o exemplo da família Ulma como justificação para acolher ucranianos refugiados e continuar a apoiar a nação ucraniana durante a guerra.
Agora, no dia 10 de Setembro, toda a família Ulma será beatificada, depois de terem sido considerados mártires. Trata-se da primeira vez que uma família é beatificada em conjunto.
No nosso tempo, pelo menos aqui na nossa realidade europeia e ocidental, temos os nossos desafios, mas felizmente sabemos que não corremos risco iminente de vida ou de liberdade por viver a nossa fé. Mas nunca se sabe quão rapidamente essa realidade pode mudar e podemos ser chamados a actos de heroísmo altruísta, a que a Igreja chama santidade. Se esses dias chegarem, que tenhamos todos a força e a coragem dos Ulma e de tantos outros que se sacrificaram pelo bem em todos os períodos da história.
Filipe d'Avillez, aqui
domingo, 10 de setembro de 2023
Festa/convívio - Senhor do Monte 2023
No dia 10 de Setembro, a Junta da União de Freguesias de Tarouca e Dalvares voltou a celebrar a festa em honra do Senhor do Monte. A pequena capela, perto dos Arcos da Paredela, abriu as portas aos fregueses que aí se reuniram para o convívio.
sábado, 9 de setembro de 2023
quinta-feira, 7 de setembro de 2023
Valverde - Festa de Santa Tecla
Já durante a tarde houve a atuação da Banda Filarmónica de Tarouca que exalou alegria e boa disposição para todos os habitantes.
Apesar das condições climatéricas não serem as melhores, ninguém arredou pé e um grande número de pessoas esteve presente durante todo o dia.
A nova comissão de festas tem como mordomos Benjamim Bento Carvalho, Vasco Vieira, Alexandre Monteiro, Joana Teixeira, Silvia Rodrigues, Carlos Lucena Monteiro, Rafael Vieira, Cristina Ferreira, Paulo Teixeira, João Monteiro, Bruno Vieira e Diogo Guerra.
Muitos parabéns à Comissão de Festas presente, pois tudo esteve em conformidade com o esperado e boa sorte à Comissão vindoura.
terça-feira, 5 de setembro de 2023
Catequese Paroquial 2023/24 - Inscrições
quinta-feira, 17 de agosto de 2023
segunda-feira, 14 de agosto de 2023
sexta-feira, 11 de agosto de 2023
quinta-feira, 10 de agosto de 2023
Lisboa: D. Rui Valério é o novo patriarca de Lisboa
quarta-feira, 9 de agosto de 2023
segunda-feira, 7 de agosto de 2023
“Todos, todos, todos”, mas na vida nada é grátis
O Papa di-lo e tem-no dito até à exaustão.
Porque - penso eu - há muita gente que, à priori, se julga de fora, julga-se sem "direito" a fazer parte da Igreja, sem direito a participar na vida eclesial, sem direito a celebrar os sacramentos.
Tenho encontrado muitas pessoas (sobretudo pessoas divorciadas, mães solteiras, recasados) que partem do pressuposto que estão excluídas da Igreja e, por isso mesmo, nem sequer ponderam um diálogo com vista a uma aproximação, a uma (re)integração, a uma maior participação.
E é verdade que o discurso e a nossa prática clerical por muitos e por muito tempo (e ainda hoje por uns tantos) ajudou a estigmatizar estas pessoas.
Creio que o Papa, com esta insistência, quer dizer a todos que devem aproximar-se da Igreja, independentemente do seu estado de saúde espiritual e que, para todos, há um lugar na Igreja. A Igreja, enquanto Mãe, está aberta a todos.
Mas também, como explicou o Papa na entrevista dada no voo de regresso a Roma, para quem quer entrar, há um caminho de ingresso e de progresso, há um processo paciente de discernimento, de crescimento e de acompanhamento, que é preciso fazer.
A vida cristã e a pertença e participação na Igreja não é anárquica. O Papa fala mesmo assim: “quem está dentro está de acordo com a legislação”.
Cada um tem, pois, de fazer o seu próprio caminho, na oração, no diálogo pastoral com a Igreja, a fim de encontrar a sua forma de prosseguir, de se integrar, de participar. E aí sim, para todos, todos, todos, deve estar aberta a porta da Igreja.
Portanto, este “todos, todos, todos” não significa abrir agora uma «época de saldos», caindo na tentação da 'graça barata', em que se pede e exige à Igreja todos os direitos, para poder entrar e celebrar os sacramentos, sem se identificar e sem se comprometer minimamente com nada e com ninguém.
Este "todos, todos, todos" do Papa Francisco não significará, pois, uma "entrada" ao desbarato, sem verdade cristã nas intenções e disposições.
Pressupõe-se, para quem quer entrar na Igreja, o desejo de fazer parte dela, de participar, de ser membro ativo e de "pleno direito" na vida da comunidade eclesial. E isso implica não só graça como missão, não só direitos como deveres.
O acolhimento cordial não pode dispensar o apelo à conversão, até ao bem possível, que cada um pode oferecer na sua resposta à graça de Deus.
E a estes, a todos estes, todos, todos, todos, desejosos de iniciar um caminho de pertença e de participação, nunca se poderá impedir de entrar; a estes todos não se deve "alfandegar" a fé, com normas e regras, que os deixem sempre do lado de fora e com o complexo de culpa.
Todos terão o seu lugar, na Igreja. Todos, todos, todos. Mas isso também significa que devem querer fazer desse lugar não um direito de posse temporária, mas uma possibilidade de viver a sua vocação e missão, mesmo se com algumas limitações.
Os ouvintes, porventura mais desprevenidos, ficarão com a ideia de que aquele "todos, todos, todos" do Papa Francisco seja uma espécie de via verde, sem quaisquer restrições, para aceder à vida da Igreja, à comunhão eclesial e até aos sacramentos, como se, de repente, a celebração dos sacramentos não pressupusesse a fé da Igreja e pudéssemos banalizar tudo, como se tudo e o seu contrário, valessem a mesma coisa.
Doravante, alguns leigos – sobretudo os mais distantes da comunhão eclesial – poderão pensar que qualquer filtro ou "crivo" para se tornar cristão, para exercer um múnus ou ministério na Igreja (para ser padrinho ou madrinha), para batizar ou comungar na Eucaristia, é algo contrário à vontade do Papa, que insiste tanto no "todos, todos, todos".
Ora a parábola que o Papa cita para justificar esta opção (Mt 22, 1-15) é a do convite de um tal Senhor para um banquete, em que, depois de sucessivas declinações dos primeiros convidados, se alarga o convite a todos os que se encontrar pelas ruas e encruzilhadas dos caminhos.
Mas a mesma parábola também alude à presença de alguém que, estando ali, não veste o traje nupcial, não veste a camisola, não se identifica com o grupo. E a esse é dada a ordem de saída.
Portanto, é preciso caldear este "todos, todos, todos", com a certeza de que a porta está aberta a todos, é uma porta alta, mas é sempre uma porta estreita.
É verdade, que muitas vezes, a estreitamos, a tal ponto, que ninguém poderia passar por ela, mas também é verdade que alguns, quando entram, já o fazem pela porta de saída.
Portanto, a afirmação do Papa tem de ser complementada com outra na vigília de oração: “Na vida, nada é de graça; tudo se paga. Só uma coisa é gratuita: o amor de Jesus” (Papa Francisco).
Lisboa 2023: Jornada «não pode ser reduzida» a um momento, mas «faz parte duma história que a precede e a segue» – Francisco
Lisboa 2023: Papa elogia Jornada «mais bem preparada» que viu
Lisboa 2023: Papa sublinha «seriedade» da Igreja portuguesa na resposta à crise dos abusos
domingo, 6 de agosto de 2023
JMJ -- Maravilha!
Parabéns, Igreja que está em Portugal!












