quarta-feira, 6 de maio de 2026

10 de Maio, 2026 - 06º Domingo da Páscoa - Ano A



Leituras: aqui

 A Palavra de Deus deste domingo fala-nos de uma promessa e de uma presença: não estamos sós. Jesus, no Evangelho, diz aos discípulos: “Não vos deixarei órfãos”. Esta frase é direta, forte, concreta. Num mundo onde tanta gente se sente abandonada, perdida ou sem rumo, Cristo garante: há Alguém que permanece convosco — o Espírito Santo.

Mas reparemos: esta promessa não é automática nem mágica. Jesus liga-a a uma condição muito clara: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” Amar Jesus não é apenas um sentimento; é uma decisão que se traduz em vida concreta. Quem ama, vive de maneira diferente. Quem ama, escolhe o bem, mesmo quando custa.

O Espírito Santo — chamado por Jesus de “Defensor” — não é uma ideia vaga. É presença viva de Deus em nós. É Ele que nos dá força para perdoar, coragem para testemunhar, luz para discernir. Sem o Espírito, a fé torna-se teoria; com o Espírito, a fé torna-se vida.

A segunda leitura mostra-nos isso mesmo: Pedro exorta-nos a dar razão da nossa esperança, mas “com mansidão e respeito”. Ou seja, o cristão não impõe, propõe; não grita, testemunha; não agride, convence pela vida. E quando sofre por fazer o bem, não desiste — porque sabe em Quem confia.

E aqui entra algo muito concreto para nós hoje: a Semana da Vida que agora começa. Esta não é apenas uma data no calendário. É um apelo. Se acreditamos que Deus está connosco, então cada vida humana tem um valor infinito — desde o seu início até ao seu fim natural.

Celebrar a Semana da Vida significa:

  • defender a vida quando ela é mais frágil,
  • cuidar de quem sofre, de quem está doente, de quem é descartado,
  • respeitar cada pessoa, não como número ou problema, mas como dom.

Num tempo em que tantas vezes se relativiza o valor da vida — seja pela indiferença, seja por decisões concretas que a ameaçam — o cristão é chamado a ser voz e presença. Não com agressividade, mas com firmeza e coerência. Amar Jesus implica amar a vida concreta dos outros.

Perguntemo-nos com sinceridade:

  • A minha fé traduz-se em gestos concretos de cuidado pela vida?
  • Sou presença de esperança para alguém, ou vivo fechado em mim mesmo?
  • Deixo-me conduzir pelo Espírito Santo, ou apenas pelas minhas conveniências?

Jesus não nos deixou órfãos. Mas cabe-nos viver como filhos — com confiança, com coragem e com responsabilidade.

Que nesta Eucaristia peçamos a graça de acolher o Espírito Santo e de viver esta Semana da Vida não como algo exterior, mas como compromisso pessoal: defender, promover e amar a vida em todas as circunstâncias.

Assim seja.

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