quarta-feira, 1 de abril de 2026
Ele morre — hoje. Morre agora
Ele morre — hoje.
Morre agora.
Morre em cada criança impedida de nascer,
em cada amor que se desfaz antes de florescer,
em cada lar onde o silêncio pesa mais do que o carinho.
Morre nos olhos de quem não tem pão,
no corpo cansado de quem perdeu a dignidade,
no coração ferido de quem nunca conheceu a paz.
Morre nas bombas que rasgam o céu,
nos gritos que ninguém escuta,
nas lágrimas que caem sem testemunhas.
Morre nos injustiçados,
nos abandonados,
nos caluniados —
em todos aqueles cuja dor não encontra defesa.
Morre no desempregado esquecido,
no migrante maltratado,
no jovem a quem roubaram o futuro antes mesmo de o sonhar.
Morre nas vítimas das drogas que aprisionam,
no tráfico que desumaniza,
no corpo transformado em mercadoria,
na vida reduzida a lucro.
Morre — silenciosamente —
em tantos corações fechados,
onde Deus já não encontra lugar,
onde se ergueram altares à beleza, ao dinheiro, ao poder, à fama.
Mas se Ele morre hoje,
então hoje também pode ressuscitar.
Ressuscita em cada gesto de amor gratuito,
em cada mão que se estende,
em cada palavra que devolve esperança.
Ressuscita em ti —
se tiveres coragem de não passar ao lado,
de não te calares,
de não te habituares.
Não digas apenas que Ele morreu.
Pergunta antes:
Onde está Ele a morrer — diante de mim — hoje?
E o que estou eu disposto a fazer… para que Ele viva?