sábado, 14 de junho de 2014

Oração simples à Santíssima Trindade


Pai, Filho e Espírito Santo,
Santíssima Trindade acompanhai-me toda a vida,
dai-me sempre guarida, tende de mim piedade,
Pai Eterno, ajudai-me,
Verbo de Deus, abençoai-me,
Espírito Santo, alcançai-me protecção, honra e virtude,
nunca a soberba me ataque
e sempre busque o bem,
com a Santíssima Trindade para sempre.
Amen.

Nós por cá (V)




sexta-feira, 13 de junho de 2014

Santo António: Figura global apela à solidariedade


António, o mais popular de todos os santos

Imagem

Santo António é um santo de projeção universal, sendo, muito provavelmente, o mais popular de todos os santos. Igrejas e capelas dedicadas a Santo António, imagens em grande parte das igrejas e nas casas particulares, azulejos e pinturas, cânticos, festas e peregrinações dão ideia da grande devoção popular a Santo António, que hoje atravessa todas as idades e todas as classes sociais, em todo o mundo.

De cónego Agostiniano a frade Franciscano
A vida de Santo António é muito conhecida, uma vez que vários estudos de relevo lhe têm sido dedicado, pelo que nos limitaremos a alguns traços ligeiros, que nos parecem mais significativos para compreendermos a afeição popular por este Santo.
António é um intelectual do seu tempo e o Primeiro Doutor da Ordem Franciscana. Mas esta qualidade é pouco conhecida pelo povo, apesar de ter sido declarado Doutor da Igreja, em 1946, mediante a bula Exulta, Lusitania felix, de Pio XII.
Filho de ricos comerciantes portugueses, recebeu no Batismo o nome de Fernando Martins de Bulhões. Nasceu em Lisboa, entre 1191 e 1195, cerca de 50 anos depois do nascimento da nação portuguesa e no decurso da reconquista cristã do território ao domínio muçulmano. A sua história deve ser vista nesse ambiente de expulsão dos muçulmanos e, ao mesmo tempo, de emergência de uma nova nação. Vive os primeiros anos da sua vida a dois passos da Catedral de Lisboa, onde frequentou os primeiros estudos, nas aulas de Gramática. Próximo dali, a cerca de um quilómetro, fica o Mosteiro de São Vicente de Fora, dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Com cerca de 15 anos de idade, Fernando pediu aos pais que o deixem entrar no Mosteiro e aí fez o noviciado. Depois, cerca dos 19 ou 20 anos, foi terminar a sua formação intelectual em Santa Cruz de Coimbra, onde foi Ordenado Sacerdote.
Em Coimbra teve a oportunidade de conhecer os Frades Menores de São Francisco, que viviam no eremitério de Santo Antão, nos Olivais, sobre uma colina, a Nordeste da cidade. Por essa altura, passaram por Portugal a cominho de Marrocos, cinco Frades Franciscanos, para aí pregarem a fé cristã. Mal recebidos em Marrocos, acabaram por ser barbaramente martirizados.
Este facto foi crucial no despertar da vocação franciscana em Fernando de Bulhões. A passagem solene, pelas ruas da cidade de Coimbra, dos corpos dos cinco Frades martirizados em Marrocos, fez nascer nele o mesmo ideal. Podemos dizer que, nesse dia, o desejo de encontrar a morte pelo martírio desprendeu-o de tudo: das suas raízes, da sua vocação monástica e da quietude do Mosteiro, dos estudos, da ciência. Tinha cerca de 30 anos. Pediu para entrar na Ordem dos Frades Menores e aí recebeu o nome de António, sendo-lhe concedida imediata permissão para partir para o norte de África.
Aí desembarcou, no inverno de 1220. Mas, uma persistente doença obrigou-o a voltar para a Portugal. No regresso, o navio que do Norte de África vinha para Lisboa, foi desviado por uma violenta tempestade e foi parar às costas da Sicília, na Itália. Estávamos no começo da primavera de 1221. O religioso português foi recolhido pelos seus irmãos Franciscanos italianos, que o levaram para a cidade de Messina, devolvendo-lhe, com os seus cuidados, a saúde corporal.
No final de maio, desse mesmo ano, realizava-se em Assis o Capítulo Geral da Ordem dos Frades Menores, para o qual todos os religiosos eram convidados. Foi aí que António conheceu Francisco de Assis. Terminado o Capítulo, seguiu para o pequeno eremitério de Montepaolo, perto de Forli, no Norte de Itália, onde estavam seis Frades. É-lhe dado o encargo de presidir à celebração da Santa Missa para os seus irmãos e ajudar nos trabalhos domésticos. Desejando preservar a humildade, António nunca revelou seus conhecimentos e raramente era visto com livros, além do breviário e do missal.
Na cidade de Forli havia um convento de estudos da Ordem de São Domingos. Em setembro de 1222, os Dominicanos convidaram os Franciscanos para participarem na cerimónia das Ordenações sacerdotais naquele convento. Na hora própria, o superior dos Dominicanos dirige-se aos Franciscanos, a fim de que um deles fizesse a pregação. O Superior do eremitério de Montepaolo pede ao irmão António que suba ao púlpito e diga «tudo o que lhe seja sugerido pelo Espírito Santo». As primeiras palavras foram simples, mas, em seguida, tornam-se firmes, seguras e convincentes, a ponto de impressionarem todos os presentes. A notícia deste facto percorreu toda a região e, em pouco tempo, António foi nomeado pregador oficial da Ordem.
Na época de António, desenvolveram-se alguns movimentos heréticos, entre os quais estavam os Cátaros, isto é, puros, e os Albigenses, que renovavam as antigas correntes gnósticas e maniqueístas. Com a sua pregação, António irá defrontá-los, procurando contrapor-se às suas doutrinas. O conhecimento profundo das Escrituras dava às suas palavras uma autoridade invulgar, lançando no coração de ouvintes raízes tão fundas, que a todos arrebatava e reconduzia à verdade. Tanto pregou no Norte da Itália, como no sul da França, onde se destacam Montpellier, Le Puy, Arles, Toulouse, Limoges, Bourges, entre outras cidades.
O seu ofício de pregador valeu-lhe o título de «Arca do Testamento», mas António foi também diretor de estudos e professor de teologia. Segundo algumas fontes, o próprio São Francisco o teria incumbido dessas funções. Em Bolonha fundou e dirigiu a primeira escola da Ordem Franciscana.
As suas biografias mais seguras, ocultam-nos pormenores acerca deste período da vida do pregador António. Só no fim do século XIII, D. Jean Rigaud, bispo da Bretanha, procurou ordenar os factos lendários preenchendo as lacunas da vida do Santo. Desta forma, a fama de Taumaturgo provém sobretudo dos escritos deste bispo, que ficaram conhecidos com o nome de «Rigaldina».
Em 1226, foi nomeado Custódio dos Frades Menores da região de Limoges e, em 1227, é nomeado Superior Maior da província da Romagna, que abrangia todo o norte da Itália. António exerce esse cargo até maio de 1230 e segue para Pádua, pregando sucessivamente nas 55 igrejas da região. Em fins de 1231, com a saúde muito abalada, António retira-se para o castelo de Camposampiero, próximo de Pádua. Ali, escreve e revê os seus Sermões, dedicando longas horas à meditação espiritual.
Um dia, estando em Camposampiero, sente-se mal à mesa e pede a um dos irmãos que o leve imediatamente para Pádua. No caminho, sentido-se desfalecer, teve de ficar no mosteiro das clarissas, em Arcella. António só tem tempo para se confessar e receber a unção. Morreu dizendo: «Vejo o meu Senhor». Era o dia 13 de junho de 1231. (...)

A paixão popular por Santo António
Depois de ter dado a conhecer os seus dotes oratórios em Forli, António dedicou o resto da sua vida, quase sempre, à pregação popular, atraindo sobre si, a atenção de todo o povo. Três elementos explicam o seu sucesso: em primeiro lugar, o fascínio da sua santidade e autoridade moral; em segundo lugar, a extensão e profundidade da sua cultura, acompanhada por um invulgar poder de comunicação, segundo as regras da Retórica do seu tempo; e, em terceiro lugar, a sua magnífica figura física.
O testemunho da «Primeira Legenda» reforça a fama do pregador ímpar, dizendo que:
«Homens de todas as condições, classes e idades alegravam-se de ter recebido dele ensinos apropriados à sua vida».
A propósito da última Quaresma pregada em Pádua, informa-nos que:
«Vinham multidões quase inumeráveis de ambos os sexos das cidades, castelos e aldeias de à volta de Pádua, todos sequiosos de ouvir com a maior devoção a palavra de vida». Mais adiante: «Estavam presentes velhos, acorriam jovens, homens e mulheres, de todas as idades e condições, vestidos como se fossem religiosos, o próprio Bispo de Pádua [Tiago de Corrado] e o seu clero».
Segundo a mesma «Legenda Prima», chegavam a reunir-se, para escutar o Santo, «perto de trinta mil homens», todos no mais respeitoso silêncio, de «ânimo suspenso e de orelha virada para aquele que falava». «Os negociantes fechavam o comércio e só o reabriam depois de terminada a pregação».
O resultado de tal pregação na última Quaresma da sua vida terrena vem assim descrito no capítulo 13 da legenda «Assidua»:
«Tentava reconduzir à paz fraterna aqueles em que reinava o ódio»
«lutava pela restituição de usuras e de bens obtidos por violência»
«afastava as prostitutas do seu infamante modo de vida»
«convencia os ladrões famosos pelos seus malefícios a não tocarem no alheio».

O nascimento de um santo
Dada a sua fama de santidade, no dia da sua morte, todos queriam fazer-se guardas dos restos mortais. As freiras Clarissas do Mosteiro onde morreu, de acordo com os Franciscanos de Arcella, tentaram ocultar o seu falecimento. Mas, as crianças de Arcella, ao saberem da notícia, saíram por todos os lados a gritar: «Morreu o Santo! Morreu o padre Santo». O povo da região acorreu todo a Arcella. Como a última vontade do Santo tinha sido ir para Pádua, o seu corpo acabou por ser para aí conduzido, 4 dias depois da sua morte, no dia 17 de junho de 1231, que era uma Terça-feira.
A devoção por aquele homem, verdadeiramente eleito pelo Céu, era geral. Todos queriam estar junto, tocar de alguma forma o corpo de António, já canonizado pelo povo em vida e logo nos primeiros dias após a sua morte. Dizem os biógrafos que os primeiros milagres surgem no dia do enterro, em Pádua. Nos dias seguintes, toda a gente se encaminha para o túmulo do bem-aventurado António, de pés descalços, a fim de obterem graças do céu por seu intermédio. «Acorrem os venezianos, apressam-se os tervisinos, notam-se pessoas de Vicenza, lombardos, eslavónios, da Aquileia, teutónicos, húngaros». Este é o primeiro mapa do culto antoniano.
Os populares de Pádua, representados pelas autoridades civis e religiosos, apresentaram na Cúria Pontifícia, então em Rieti, uma delegação a pedir a canonização do irmão António. O processo foi aberto no início de julho de 1231, ainda não tinha passado um mês da morte do Servo de Deus. E a cerimónia de canonização ocorreu no dia 30 de maio de 1232, solenidade do Pentecostes, na catedral de Espoleto. Em menos de um ano o processo ficou concluído. O nome de António foi inscrito no catálogo dos Santos, pela bula da canonização Cum dicat Dominus, que manda celebrar a sua festa todos os anos, no dia 13 de junho.

A devoção espalha-se por todo o mundo
O fascínio exercido por António durante a sua vida terrena como pregador itinerante, sábio e santo espalhou-se após a sua morte e canonização, sobretudo na Itália do Norte e na França do Sul. No entanto, este fenómeno levou dois séculos a atingir o resto da cristandade. Além dos paduanos, Santo António começou por ser venerado, pela Europa, nos conventos, eremitérios e igrejas onde os Frades Menores estavam estabelecidos. A Portugal a fama da sua santidade só chegou depois da sua canonização. Mas conta-se nas «Florinhas de Santo António» que no mesmo dia em que o Papa Gregório IX canonizava Santo António em Itália, em Lisboa os sinos de toda a cidade tocaram, sem que ninguém os estivesse a tanger. Pouco tempo depois, a notícia chegou à capital portuguesa e a cidade dedicou a Santo António o Altar-mor da Catedral e começou a celebrar-se todos os anos com grande solenidade o dia 13 de junho.
Assim, durante os séculos XIII e XIV, Santo António é venerado em Lisboa, sua cidade natal e nalguns mosteiros portugueses dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, com os quais estudou e viveu, professando a mesma forma de vida, antes de se fazer Franciscano. É venerado também na diocese de Pádua e nas igrejas franciscanas, um pouco por todo o lado.
No século XV, o movimento dos espirituais, que se emancipava dentro da Ordem dos Frades Menores, levou Santo António para outros lugares da Europa, onde ainda não era conhecido, o que contribuiu decisivamente para aumentar o culto e veneração a este Santo. Nos séculos XVI, XVII e XVIII, as viagens marítimas dos navegadores portugueses, espanhóis e italianos levaram a sua fama às terras de África, América e Ásia. Normalmente as expedições marítimas contavam com a presença de alguns missionários, que, quando eram Franciscanos, se encarregaram de implantar a devoção antoniana nas terras onde desembarcavam.
O aparecimento da imprensa não só veio contribuir para a divulgação em larga escala da sua vida. As pinturas e esculturas dos artistas mais célebres foram reproduzidas em gravuras e, multiplicadas aos milhares, eram distribuídas nos santuários antonianos mais importantes, para responderem ao desejo dos devotos.
Por ocasião das comemorações do sétimo centenário, na última década do século XIX, Santo António atinge o máximo da sua popularidade. Nesta ocasião, para além das outras manifestações de piedade começou a sublinhar-se o aspeto social do Santo. A bênção do pão de Santo António e a sua distribuição aos pobres generaliza-se por todos os países, o que faz com que quase todas as representações do Santo feitas no século XX o apresentem com um Alforge de pão para distribuir aos pobres, embora conservem outros símbolos tradicionais.

Iconografia antoniana
(...) Desde as primeiras imagens realizadas, Santo António sempre foi representado vestido de franciscano, quase sempre de pé. Mas, para não se confundir com São Francisco de Assis, igualmente vestido de hábito castanho e cuja devoção estava largamente difundida, a sua face surgia quase sempre como a de um jovem, alegre ou pensativo, sem barba. Na mão esquerda costuma ter um livro, como alusão à sua vasta sabedoria, enquanto a mão direita faz um gesto explicativo, como alusão ao pregador. Noutras imagens, na mão direita é colocado um lírio, sugerindo a pureza e castidade; ou uma cruz, símbolo da fidelidade a Cristo. Também aparece com uma chama de fogo na mão direita, símbolo da caridade; ou um coração, com ou sem chama, para nos lembrar que, apesar de franciscano, ele é um discípulo de Santo Agostinho de Hipona. O Menino Jesus, expressão do seu amor por Deus Menino - que uma tradição antiga diz lhe ter aparecido em Camposampiero pouco antes da sua morte - começa a surgir na iconografia antoniana no século XV. A figura do menino foi tão bem aceite que, a partir de então, Santo António nunca mais a dispensou, obrigando os artistas a verdadeiros exercícios de equilibrismo, fazendo sentar o menino sobre o livro que Santo António também não gosta de esquecer. Em Portugal, o Santo também aparece vestido com o hábito de Cónego Regrante de Santo Agostinho. Na Bélgica algumas representações de Santo António salientam o seu caráter sacerdotal, apresentando-o vestido com os paramentos da Eucaristia.

Devoção antoniana em Portugal
(...) Muitas fachadas das casas têm um painel de azulejos com a sua imagem. Como protetor das famílias, aparece dentro das casas, sobre pequenos altares, acompanhado de velas e flores. Nos estabelecimentos comerciais, é frequente encontrarmos o Santo, em lugar de destaque, dentro dos mercados, dos comércios, das farmácias, das padarias, drogarias, entre outros. Aqui ele vela pelos bons negócios dos seus proprietários. Entre os marinheiros portugueses, sobretudo os da região de Lisboa, tornou-se comum levarem uma imagem do Santo António na embarcação, para os proteger contra as forças marítimas, talvez, por ele ter sido vítima de uma tempestade, que o empurrou para as costas da Sicília. Em séculos passados, perante o perigo, ao mesmo tempo que o invocavam, esses marinheiros mergulhavam a sua imagem de cabeça para baixo, para serem mais rapidamente atendidos.
Portanto, todo o país conhece Santo António e ele está presente, de um modo geral, na vida eclesial, social e pessoal portuguesa, como patrono de Paróquias, Províncias Religiosas, casas religiosas, edifício públicos, casas particulares, avenidas, ruas, praças, terrenos agrícolas, embarcações, etc. A sua imagem figurava já numa coleção de selos de 1895, em comemoração do 7º centenário do seu nascimento e circulou em Portugal uma nota de 20 escudos, com o seu busto e a Casa-Igreja de Santo António, em Lisboa.
Muitas são também as pessoas que adotam o seu nome para batizarem os filhos, confiando-os à sua proteção durante toda a vida. Esta tendência criou raízes no século XVI, uma vez que, na Idade Média, o nome «António» era muito pouco utilizado. Na região de influência do Mosteiro de Alcobaça, por exemplo, por o nome «António» passou a ser o nome masculino mais comum nesse tempo, surgindo também o antropónimo feminino, «Antónia», para as meninas. A este facto, não é alheia a transformação da casa dos pais de Santo António em Igreja, no século XV, o que a tornou imediatamente um lugar de peregrinação, não só para os lisboetas, mas, a pouco e pouco, para todo o país.
No terramoto de 1755, a Casa-Igreja de Santo António foi destruída, salvando-se apenas a imagem do Santo e a cripta, onde se conserva o lugar que dizem ter sido o quarto de Santo António. A reconstrução que se seguiu deu lugar à Basílica atual, que conserva uma passagem, através da sacristia, para o quarto do Santo, no piso inferior. (...) Em Lisboa, em paralelo com a relíquia, mais que a imagem do Santo, é venerado este espaço simbólico, de dimensões reduzidas. A esse local acorrem, durante todo o ano, milhares de peregrinos e turistas curiosos, vindos de todo o mundo.
A imagem de Santo António está presente em quase todas as igrejas portuguesas, as quais, quando o não têm como patrono, lhe dedicam um altar. Normalmente a festa do dia 13 de junho não é esquecida e onde não se criou essa tradição, a imagem do Santo é integrada nas procissões e festas principais das paróquias. (...)

Outras peculiaridades da devoção antoniana
Em Portugal, como em todo o mundo, considera-se Santo António extraordinário advogado das coisas perdidas. A devoção enraíza-se no poeta músico Frei Juliano de Espira, que cerca de 1235, compôs o ofício litúrgico de Santo António e nele deixa ler o célebre responsório: Si quaeris miracula (Se milagres quereis).
Desde há um século a esta parte, Santo António tornou-se um especial advogado de bons casamentos. Como santo casamenteiro, «não admira, pois, que a principal clientela de devotos de Santo António se recrute entre o elemento feminino: raparigas solteiras à espera de noivo, mulheres solteironas desesperadas para o encontrar, ou viúvas não querendo ficar esquecidas, e até as casadas [...], na esperança de fazerem voltar um marido infiel, ou afastar uma concorrente indesejável». A deduzir de afirmações de vários estudiosos, esta faceta antoniana é exclusiva do mundo lusitano. Antigamente, quando uma moça queria encontrar um noivo, colocava o seu pedido num papel debaixo da imagem, que tinha no altar lá em casa. Se o Santo demorasse muito, ou se o noivo não lhe agradasse, virava o Santo para a parede, até que o noivo fosse o desejado.
Uma das características singulares da figura de Santo António em Portugal, que se estendeu a alguns países de língua e influência portuguesa, é a sua carreira militar. Durante as guerras da restauração da independência, Santo António foi várias vezes invocado para se obter a vitória face aos exércitos espanhóis. Em 1688, assentou praça no 2º Regimento de Infantaria, em Lagos, por alvará de D. Pedro II. Em 1683, foi promovido a Capitão, em atenção aos seus bons serviços militares, sendo-lhe atribuído um salário de dez mil reis. Em 1814, no contexto das invasões francesas, D. João VI promoveu-o a Tenente-Coronel de Infantaria. Nesta época, a carreira militar de Santo António estendeu-se de Portugal ao Brasil, a Angola, a Moçambique, à Índia, a Macau e a Timor Leste. Ainda hoje, nestes países, Santo António é conhecido como militar de carreira.
Existem, em Portugal, várias Associações Antonianas e irmandades, com fins sócio-caritativos, promovendo a assistência aos pobres e orfanatos. As irmandades de inspiração antoniana são hoje formas vivas e articuladas de devoção. No que diz respeito à sua origem, cada uma delas tem a sua história particular de piedade. Mas, no que diz respeito à finalidade, todas elas convergem em quatro pontos: são sociedades que promovem a mútua ajuda entre os seus membros; o socorro dos pobres; a promoção espiritual e moral dos associados, através de práticas religiosas e do testemunho pelo exemplo e boas obras e a difusão do culto a Santo António. (...)
Fonte: aqui

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Fátima: Peregrinação Nacional das Crianças

Como é hábito, Tarouca marcou presença




Os catequizandos do 6º ano desta comunidade, juntamente com um grupo de Salzedas, participaram na Peregrinação Nacional das Crianças a Fátima, em 9 e 10 de Junho. Acompanharam os catequizandos alguns catequistas e o P.e Adriano.
Os pequenos portaram-se bem, participaram e divertiram-se. Para alguns deles, foi a primeira vez que visitaram Fátima ou que passaram uma noite fora da família.
Gostaram da apresentação realizada na Igreja da Santíssima Trindade, da experiência de se sentirem “membros de uma Igreja que vai além das suas paróquias, dioceses ou mesmo países”, de realizar compras, de visitar as casas dos pastorinhos.
A parte mais crítica - e já não é de agora - é a Eucaristia. Duas horas!!! O que devia ser o coração da festa torna-se uma "seca" para eles.
Homilia não mobilizadora, símbolos imperceptíveis, ensaios que persistem mesmo perante o maior alheamento das crianças, proliferação de intervenções, etc.
Onde esteve a comunicação social? Ali estiveram milhares e milhares de crianças, numa das maiores peregrinações a Fátima.
No dia de Portugal, a comunicação social passou ao lado destes portugueses que celebraram a alegria da sua fé.
Ah! Se fosse um escândalo, a comunicação social caía como abutres!
No fundo, quem merece tudo são as crianças. Parabéns, pequenos!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Trabalhar, sonhar e projetar Santa Helena




1. Durante o dia de hoje, a Comissão da Igreja trabalha mais uma vez em Santa Helena. Para conservar e manter digno aquele espaço.
Durante um momento de oração na capela, veio-me à mente aquele pensamento de Madre Teresa de Calcutá: “As mãos que ajudam são mais sagradas que os lábios que rezam ”.
Estes homens aproveitaram o feriado para desenvolverem voluntariado a favor da comunidade. E eles têm família, têm o seu trabalho, têm a sua vida!
Como é nobre e belo este gesto! Esta gente não procura o aplauso. Fá-lo pelo seu gosto àquele lugar abençoado. Contudo, só engrandece  as pessoas que são capazes de apoiar e reconhecer o trabalho e dedicação de quem deixa tudo para cuidar daquilo que é de todos.
2. Também hoje estiveram em Santa Helena os Presidentes da Câmara e da Junta e o Vice-Presidente da Câmara. Percorremos aquele espaço admirável, sonhámos juntos outra vida para o local, projetámos iniciativas que envolvam as pessoas, procurámos saídas para os problemas imediatos.
- O parque das merendas vai, futuramente, ser objeto de um estudo em ordem a proporcionar um espaço mais acolhedor, mais chamativo, mais enquadrado com a exigências da preservação da natureza. Igualmente a fonte vai ter a dignidade que o local requer.
- Para que a Serra chame e fixe pessoas tem de ter condições de acolhimento como acontece noutros locais idênticos por esse mundo fora. Chega de pensar em mecenas ou em grandes investidores externos. Por aí, está visto, não vamos lá. Precisamos de uma forma, concreta e legal, que chame a nossa gente ao investimento através  de uma sociedade. E sabemos que há gente que tem vontade de participar. Uma areia não faz uma praia, muitas areias podem fazer...
Uma unidade hoteleira, à base de bengalôs, bem enquadrada na Serra, que não atrapalhe a dignidade da religiosidade, que propicie o usufruto da paisagem divinal, que ofereça individualidade, que propicie espaços e serviços, como piscina, restaurante, etc.


- Também o Centro Paroquial, máxima preocupação da Paróquia, cujas obras da 2ªfase estão em arranque, mereceu especial destaque neste encontro com os autarcas. Sublinhe-se que também neste ponto vimos a melhor boa vontade da sua parte. Com a ajuda da comunidade paroquial e da autarquia, vamos ser capazes de levar em frente as obras. Também aqui é indispensável que nenhum cidadão se demita de oferecer o seu grão de contribuição.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Grupo de Jovens da Paróquia de S. Pedro de Tarouca - Arautos da Alegria - no Festival Diocesano da Juventude 2014 - Lamego






O Grupo de Jovens desta comunidade marcou presença no Festival Diocesano da Juventude 2014. Foi a 1ª vez que os Arautos da Alegria atuaram neste tipo de festivais.
Percebemos o seu entusiasmo, a sua dedicação, o seu tão natural nervosismo. Com a paixão bela que põem em tudo, estiveram no festival. Com o entusiasmo dos que estiveram na plateia, com o brio dos que estiveram em palco.
De uma coisa eles tinham consciência: participar já é vencer!

Aqui partilhamos o testemunho da  nossa Marta Magno, apresentadora do festival.
 "A verdade é que vivi este festival de uma forma um pouco diferente de todos os restantes em que algum dia participei e possivelmente participarei. O facto de ter sido apresentadora permitiu-me conhecer tanta gente, nem tinha bem noção de como ia ser! Cheguei até a ouvir coisasdo tipo: "porquê que eu não te conhecia antes?". Nem eu sei bem responder! A verdade é que conheci um pouco de cada grupo,estive até mais com os outros grupos do que convosco (quer dizer, almoço e jantar foi convosco e foi sagrado) a Telma até fazia anos!
O dia de ontem foi o mais intenso da minha vida. Andei a 1000 todo o dia para que tudo corresse bem! Cheguei até a chatear-me um bocadinho convosco, espero que compreendam que estava nervosa e qualquer coisa me irritava. Seguindo, as músicas este ano eram espetaculares e com músicas eu não excluo ninguém, a nossa também, pessoal, muito fixe! Para o ano começamos mais cedo a trabalhar em tudo, este ano acho que serviu muito bem de experiência porque foi espetacular!
Para ser sincera? Não ouvi música nenhuma no festival, todas as que ouvi foram no teste de som... Mas foi ìncrivel, foram incriveis!
Estiveram sempre no meu coração, o dia todo!
Para todos os que estiveram em palco, eu compartilhei os vossos nervos..senti os mesmos suores frios e até mais quando estiveram em palco, foi a única música que eu ouvi no festival! Para não dizer que tivemos a melhor resposta à pergunta díficil!
Aos Arautos da plateia: SÃO O MELHOR PÚBLICO! OBRIGADA POR TUDO!
Vocês são o meu grande amor Somos um.
Funina , se estiveram incriveis neste festival á tua paciência se deveu também, és enorme!
E pronto, é isto!
não é ide...é vamos sem medo!"

Marta Magno

Momento histórico: Papa Francisco recebeu neste domingo (8), os presidentes da Palestina e Israel para um momento de oração nos Jardins Vaticanos.


Israel e Palestina unidos em oração, num encontro promovido pelo Papa nos jardins do Vaticano. Francisco pede "coragem" para haver paz no Médio Oriente.


O Papa Francisco lançou este domingo um novo apelo ao diálogo para alcançar a paz entre os povos da Terra Santa. O repto foi deixado no encontro de oração com o Presidente israelita, Shimon Peres, e com o Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, que começou pelas 18h00, nos Jardins do Vaticano.

Os dois líderes "devem responder" ao desejo dos seus povos para colocar um ponto final no conflito de várias décadas no Médio Oriente, afirmou o Papa, que apelou a um "diálogo a todo o custo" para a resolução do diferendo naquela parte do mundo.

“Muitos, demasiados destes filhos caíram vítimas inocentes da guerra e da violência, plantas arrancadas em pleno vigor. É nosso dever fazer com que o seu sacrifício não seja em vão. A sua memória inspira em nós a coragem da paz, a força de perseverar no diálogo a todo o custo, a paciência de tecer dia após dia a teia cada vez mais robusta de uma convivência respeitosa e pacífica, para a glória de Deus e o bem de todos.”
Para ter paz é preciso mais coragem do que para fazer a guerra, declarou Francisco, na presença de Shimon Peres e Mahmoud Abbas, a quem desejou que possam um dia viver "como irmãos e não como inimigos".
“Para fazer a paz é preciso coragem, muito mais do que para fazer a guerra. É preciso coragem para dizer sim ao encontro e não ao conflito, sim ao diálogo e não à violência, sim às negociações e não às hostilidades, sim ao respeito dos pactos e não às provocações, sim à sinceridade e não à duplicidade. Para tudo isto, é preciso coragem, grande esforço de ânimo”, defende o Papa.

Israel e Palestina desejam pazNo seu discurso no final das orações, o Presidente israelita garantiu que nunca deixará de tentar alcançar a paz.

“Shalom. É com esta oração no nosso coração e este apelo à acção que aqui estamos juntos: paz entre as nações, paz entre os que têm fé, paz entre os povos, paz para os nossos filhos. Caros amigos, era novo e agora sou velho, experimentei a guerra e provei a paz. Nunca  esquecerei as queridas famílias, pais e filhos, que pagaram o custo da guerra. Na minha vida, nunca deixarei de agir pela paz”, afirmou Shimon Peres.

O Presidente da Autoridade Palestiniana defendeu, por sua vez, um Estado soberano e independente e expressou o desejo de uma “paz justa”.

“Suplico-vos ó Deus, em nome do meu povo, o povo da Palestina – muçulmanos, cristãos e samaritanos – que deseja ardentemente uma paz justa, uma vida digna e a liberdade. Suplico-vos Senhor, concedei um futuro  próspero e promissor ao nosso povo, com liberdade num Estado soberano e independente; concedei à nossa região e ao seu povo segurança, salvação e estabilidade”, sublinhou Mahmoud Abbas.

Abraços, orações e uma árvore da paz
O presidente de Israel foi o primeiro a chegar à Casa de Santa Marta, onde vive o Papa, pelas 17h00. Shimon Peres foi recebido por Francisco e os dois tiveram uma pequena conversa.
Cerca de meia hora depois, chegou o Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, que era esperado pelo Papa Francisco.
Após a recepção, os dois presidentes encontraram-se, abraçaram-se e trocaram algumas palavras de forma afável, um acontecimento histórico entre os líderes de dois povos que estão em conflito há décadas.
Foi o primeiro encontro público entre Shimon Peres e Mahmoud Abbas em mais de um ano e depois das conversações de paz mediadas pelos Estados Unidos terem falhado.
O Papa Francisco, os presidentes palestiniano e israelita e o Patriarca Ortodoxo Bartolomeu de Constantinopla, que também se associou a esta iniciativa pela paz no mundo, entraram depois numa carrinha, que os transportou até ao local da cerimónia.
O encontro de oração começou pelas 18h00, nos jardins do Vaticano, com os presidentes israelita e palestiniano sentados ao lado do Sumo Pontífice.
A cerimónia começou com ao som do Adagio do compositor Samuel Barber, interpretado por um quarteto de cordas, que antecedeu os três momentos de oração pela paz por membros da comunidade cristã, muçulmana e judaica, que terminaram precisamente às 19h00.
Seguiram-se as intervenções do Papa Francisco e dos presidentes israelita e palestiniano, que duraram cerca de meia hora. Depois plantaram uma oliveira, simbolo da paz, nos jardins do Vaticano.
Fonte: aqui

O Pentecostes ou o atestado de robustez da Igreja nascente


O “Pentecostes”, uma das festas móveis (liturgicamente, uma solenidade) do Cristianismo Católico, ocorre no quinquagésimo dia da Páscoa (Pentecostes, em grego: πεντηκοστή [ἡμέρα], pentekostē [hēmera], “o quinquagésimo dia”), dez dias depois da Ascensão do Senhor. A celebração pentecostal, uma das mais importantes do calendário, comemora a descida do único Espírito Santo, sob a forma de diversas línguas de fogo,  sobre os apóstolos, que se encontravam reunidos em oração no Cenáculo com Maria, a mãe de Jesus (cf At 1,12-14).

O Cenáculo, que era considerado um importante lugar de reunião judaica, a partir deste momento passa a ser considerado um símbolo singular de sacralidade na ótica cristã. O cenário do novo testamento da entrega de Cristo na Ceia por nós homens e por nossa salvação, para memória imorredoura a celebrar no futuro, a que fica intimamente associado o mandamento novo do amor e o dom do sacerdócio ministerial, fica doravante possuído pelo Espírito. Os apóstolos, que lá permaneciam em novena de oração, mas com medo, passaram, com a espetacular descida do Espírito Santo a falar desassombradamente e cada um os ouve na sua própria língua. É o seu momento do batismo no Espírito querido e prometido por Jesus (At 1,5).

Entretanto, este data pentecostal, que celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos através do dom das línguas, fica histórica e simbolicamente ligada ao festival judaico da colheita (doravante a colheita ou a pesca de homens), que comemora a entrega do Decálogo por Deus a Moisés no Monte Sinai cinquenta dias depois do Êxodo. Constituindo a Páscoa de Cristo, coroada com o Pentecostes do Espírito, a réplica neotestamentária do Êxodo, com a entrega do Decálogo, ela é, em Cristo e no Espírito, a inauguração de uma nova era – a da Igreja, novo Israel – caraterizada pela ação libertadora definitiva, assente no sangue de Cristo, que tira o pecado do mundo (não já no sangue das vítimas animais), de dimensão universal (e não só do povo judeu), e cujo livro não é já o da lei escrita em tábuas de pedra, mas o livro das bem-aventuranças escritas pelo Espírito e gravadas nos corações. É por isso que, segundo o pensamento de muitos teólogos, o dia de Pentecostes marca o nascimento da Igreja.

No entanto, os Padres da Igreja radicam o nascimento da Igreja do lado de Cristo adormecido na cruz no Calvário e veem naquele brotar de sangue e água (cf Jo 19,34), a quando da perfuração do lado pela lança do soldado Longino, o símbolo da Eucaristia, sacramento da unidade na diversidade de membros, elementos e culturas. E é com o corpo de Cristo entregue transitoriamente à tumba, como o grão de trigo à terra, que germina a semente da Igreja, a nascer da Páscoa do Ressuscitado. É no quadragésimo dia da Páscoa – a Ascensão – que a Igreja apostólica é enviada e assumida como em missão (Ide e ensinai); e, no quinquagésimo, os apóstolos, cheios do Espírito Santo, inauguram o seu ministério querigmático (do anúncio do mistério de Cristo), santificador (pelo batismo e fração do pão) e pastoral (pela coleta e administração distributiva dos bens, para que ninguém passe necessidades), movidos pela poderosa injeção da catolicidade.

Não esquecendo que o mistério pascal de Cristo é e funciona como um todo (entrega, paixão, morte, sepultura, descida à mansão dos mortos, ressurreição, ascensão e envio do Espírito), é verdade que o Pentecostes nos faz recordar o mistério da fundação da Igreja por Jesus, emergente da Cruz exalçada no Gólgota e do túmulo vazio. Encontrava-se ela no Cenáculo como que em estado quase embrionário – metaforicamente, a menina de tenra idade ainda infante – reunida em torno da solícita Mãe de Cristo e sua mãe também – Mater Christi, Mater Ecclesiae (vd Jo 19,27). E de súbito, ocorreram epifenómenos de indizível magnitude e de alto significado, a que se associaram manifestações sensíveis de ordem natural: ruído como que de vento impetuoso, línguas de fogo, locução dos discípulos em diversas línguas, que não tinham antes aprendido (cf At 2,1-6). O conjunto desses diversos acontecimentos e cada um deles em particular revestem-se de uma capa simbólica (a remeter para o Espírito de unidade) tão interessante que tem constituído tema de aprofundados comentários exegéticos e teológicos.

Porém, há que destacar algumas figuras marcantes do cenáculo, a saber: Maria, os apóstolos, algumas mulheres e, em particular, o apóstolo Pedro.

Como elemento discreto, mas determinante, sobressai a pessoa de Maria, eleita desde a eternidade para Mãe do Deus feito Homem, a quem agora cabe, enquanto cheia de graça, o encargo de Mãe do Corpo Místico, a Igreja. E, tal como no momento da Incarnação do Verbo, o Espírito Santo a rodeou de sua sombra, também agora, na apresentação da Igreja ao mundo, a mãe recebe em parceria com os apóstolos o dom do Espírito em forma de fogo e línguas: novo momento da afirmação da plenitude da graça, da presença invisível de Cristo e da robustez do Espírito. Logo a seguir, vêm os Apóstolos, que formam a primeira escola de pregoeiros do Evangelho. Assumem a condição essencial para estarem aptos à missão que lhes destinara o Mestre: “Todos perseveraram unanimemente em oração, com algumas mulheres e com Maria, Mãe de Jesus, e com os seus irmãos” (At 1,14). Esta oração perseverante realizou-se na forma continuada, na solidão da clausura, em atmosfera de fraterna concórdia, em torno da mãe, presente na casa dos apóstolos (cf Jo 19,27). Nesta escola apostólica, estão algumas mulheres, tal como no tempo da visibilidade de Jesus. E não consta que as tivessem remetido às estritas atividades domésticas ou que desempenhassem o papel de figuras de adorno à maneira de vasos de flores, bibelôs ou figurantes como em qualquer narrativa. Têm, antes, de ser assumidas como personagens da narrativa, verdadeiras discípulas e, por consequência, verdadeiras apóstolas. Não era Tertuliano que afirmava que o cristão que não fosse apóstolo era apóstata? Por outro lado, algumas tradições dão conta do papel ativo das mulheres e até de discussões com Pedro, nomeadamente da parte de Maria Madalena. E, neste grupo de apóstolos, destaca-se a figura de Pedro, a quem pertence a tomada da palavra perante a multidão e orientação desta (cf At 1,15-22, na sequência da obrigação de conformar os irmãos na fé (cf Lc 22,32) e de assumir o encargo especial de apascentar os cordeiros, de apascentar as ovelhas (Jo 21,15-19).

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O evento e o cenário do Pentecostes comportam algumas lições de vida cristã, sobretudo na componente de labor apostólico.

A primeira é que não é pensável obter eficácia na ação apostólica sem o lastro da contemplação.

O grande acontecimento pentecostal foi precedido não só dos dez dias de oração na forma continuada, mas também de outros momentos de recolhimento. A lembrança traumatizante do abandono cobarde a que votaram o Mestre, aquando da sua dramática Paixão, exigia horas de isolamento e reflexão, atos de confissão de fé e de amor. Também o temor de perseguições, deserções e traições impunha a prudência e a mudança de estilo das atividades comuns do apostolado anterior, até porque não tinham a avaliação imediata e corretiva da parte do Mestre.

E, tal como o Ressuscitado aproveitou momentos destes de reunião dos apóstolos em oração para lhes aparecer, também o Espírito Santo escolhe um longo momento de reunião para lhes infundir a abundância dos seus dons. A prova por que passaram os Apóstolos excedia as forças da natureza humana e, apesar do testemunho entusiasmante de Maria Madalena, não lhes era fácil crer na Ressurreição, talvez por não se julgarem dignos de receber a aparição do Senhor, mercê do abandono a que O votaram. Porém, na sua bondade de que nunca teve medo, Jesus não deixou transcorrer muito tempo para lhes aparecer, escolhendo a melhor oportunidade para se tornar mais patente o milagre da Ressurreição: de repente, no fim da tarde e estando as portas fechadas. Também agora o Espírito irrompe estando eles reunidos em casa em oração, com medo. Só que desta vez é de manhã, têm todo o dia (e terão os dias todos) para falar e para agir.

A segunda lição é que a condução de toda a Igreja, incluindo necessariamente a ação apostólica, é obra do Espírito, a que os apóstolos devem prestar colaboração (cf At 10,44-48; 11,15-16;13,2; 15,28). Sem Este, o grupo continuava no medo e na inibição, paralisado na dúvida e na pusilanimidade (Mt 28,17).

Uma outra lição do Pentecostes é centralidade da pessoa de Cristo na ação evangelizadora. Pedro, no discurso inaugural do apostolado pentecostal, põe o acento em Jesus de Nazaré, o Crucificado, que Deus fez Senhor e Messias (At 2,36). É de anotar um detalhe interessante e a ter em conta nas aparições do Ressuscitado: a posição de Cristo para se dirigir aos apóstolos. Poderia ter optado por os saudar à entrada; porém, caminhou e foi colocar-Se no meio deles (cf Jo 20,19.26). O centro é o seu lugar; e deve sê-lo sempre em todas as atividades, preocupações e necessidades. Por conseguinte, colocá-Lo de lado, além de falta de consideração, é votar ao fracasso qualquer iniciativa, por melhor que ela seja.

E, como é óbvio e esta é outra lição do Pentecostes, não basta a contemplação: é preciso partir para a ação evangelizadora e para a construção de comunidades. Ir por todo o mundo, fazer escola, batizar e conduzir à salvação (Mt 28,19-20) – constitui mandato indeclinável. O Apóstolo por antonomásia exclamava: “Ai de mim se eu não evangelizar!” (1Co 9,16).

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No entanto, há que assumir por inteiro aquelas lições pentecostais, sem prescindir de nenhuma delas. E, se a missão de um grupo de cristãos for predominantemente a da oração, que tenha então uma vertente intencional de apostolado missionário; ou se a vocação de uma agremiação for predominantemente de ação social, que se revista da missão paulina de tudo fazer para glória de Deus (1Co 10,31), mas não esquecendo os tempos forte de contemplação.

Quem analisar ao detalhe as atividades de um zeloso apóstolo, não pode julgar equivocamente serem elas fruto unilateral da sua capacidade empreendedora, do seu caráter dinâmico ou de sua constituição físico-psíquica, mas da cooperação do Espírito com toda a obra que n’ Ele comece e para Ele tenda. Como consegue o apóstolo, na avalanche de atividades e na incompreensão de tantos, conservar um coração magnânimo no trato com os outros, sem desfalecimentos? S. Bernardo de Claraval adverte o papa Eugénio III: Temo que em meio de tuas inumeráveis ocupações te desesperes de não poder levá-las a cabo e se endureça tua alma. Obrarias com cordura abandonando-as por algum tempo para que elas não te dominem nem te arrastem para onde não quiseras chegar.. E Santo Agostinho avisa: “Todo apóstolo, antes de soltar a língua, deve elevar a Deus com avidez sua alma, para exalar o que deva, e distribuir sua plenitude” (duas citações apud Mons. João Clá Dias, EP/2014).

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Que a evocação do Pentecostes da Igreja traga aos homens o dom da paz, o grande fruto do Espírito, o tema do canto angélico que festejou a entrada do Filho do Homem no mundo, “Paz na terra” (Lc 2,14), o legado de Cristo ao despedir-se: “Dou-vos a paz, deixo-vos minha paz (Jo 14,27).

2014.0608

Louro de Carvalho

sábado, 7 de junho de 2014

Nós por cá (2)
















O ESPÍRITO DESCEU!


--8 de junho: Solenidade do Pentecostes

Sem o Espírito…

"Sem o Espírito Santo, Deus fica longe;...
Cristo permanece no passado;
O Evangelho é letra morta;
A Igreja é uma simples organização;
A autoridade é um poder;
A missão é propaganda;
O culto, uma velharia;
E o agir moral, um agir de escravos.

Mas, no Espírito, o cosmos é enobrecido pela geração do Reino;
Cristo ressuscitado torna-se presente;
O Evangelho faz-se poder e vida;
A Igreja realiza a comunhão trinitária;
A autoridade transforma-se em serviço;
A liturgia é memorial e antecipação;
O agir humano é divinizado."

(Atenágoras)

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Irmã Cristina vence o The Voice em Itália

A jovem freira canta ao lado do ateu J-Ax e, como agradecimento pela vitória, convida todos a rezarem um Pai-Nosso em rede nacional.

Na noite da quinta-feira, 5, aconteceu a final do “The Voice Itália”. A Irmã Cristina Scuccia, de 25 anos, permaneceu no programa até o fim e nesta noite se tornou a voz da Itália.

A freira que entrou na competição cantando "No One", de Alicia Keys, superou os outros competidores depois de cantar as músicas "Beautiful That Way", "Girls just want to have a fun", "Lungo La Riva", "Livin' on a prayer", "Uno su mille", "Gli Anni", e "Flashdance... What a Feeling”.

O grande destaque desta noite foi o momento em que ela cantou de forma inédita a música “Lungo La Riva”. Após este momento, seguiu-se a votação. Ela venceu com 62,30% dos votos e convidou todos a rezarem o Pai-Nosso com ela, em agradecimento Àquele que a ajudou do Alto (minuto 05:15).


O cantor J-Ax, que a acompanhou durante toda a competição, disse: “Foi uma experiência extraordinária. O meu conselho é que você possa mudar as coisas e dar um exemplo aqui fora. Digo isso como ateu”.
Uma freira e um ateu cantando juntos, momento emocionante e muito significativo do programa.

Fonte: aqui

Centro Paroquial

Aí estão as obras!
Muitas preocupações, muitas horas sem sono, mas um grande, grande sonho! Ver a obra feita!

 E isto DEPENDE DE CADA UM DE NÓS! DE TODOS NÓS!
Não é o Padre que precisa da obra!!!! É a COMUNIDADE!...

Que nunca nos doa as mãos, o coração e a língua...
 as mãos para colaborar;
 o coração para dar, dar, dar;
 a língua para falar desta obra a toda a gente, pedindo a generosidade de todos!




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