terça-feira, 11 de setembro de 2012

Austeridade: «Não sei até que ponto este povo de brandos costumes poderá aguentar», diz arcebispo de Braga

D. Jorge Ortiga considera que medidas anunciadas pelo primeiro-ministro são «sobrecarga» e não resolvem desemprego

O arcebispo de Braga criticou hoje as medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro-ministro e afirmou à Agência ECCLESIA que a tolerância da população à perda de rendimentos pode estar a chegar ao fim.
“Não sei até que ponto este povo de brandos costumes poderá aguentar durante muito tempo”, disse D. Jorge Ortiga, acrescentando logo a seguir que não está “de maneira nenhuma a incitar à violência”, embora sinta que “as pessoas começam a ficar sem horizontes de um amanhã que possa dar tranquilidade”.
O responsável pela ação dos organismos de apoio social da Igreja Católica considera que as famílias, “em particular as mais pobres”, estão a ser “demasiado sobrecarregadas”, perdendo “as possibilidades de suportar os encargos essenciais para uma vida minimamente digna”.
Depois de vincar que os cerca de 35 euros que os trabalhadores com o salário mínimo vão deixar de receber mensalmente são uma verba “muito significativa”, D. Jorge Ortiga disse que “os representantes da ‘troika’ olham para a realidade de maneira fria, com estatísticas, números e objetivos”.
O responsável colocou a hipótese de o Governo ser incapaz de transmitir aos representantes do Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu a “situação real” de Portugal”, onde a austeridade “torna quase impossível” corresponder às “exigências fundamentais” da vida.
Pedro Passos Coelho anunciou na sexta-feira um aumento de 11 para 18% da contribuição para a Segurança Social dos trabalhadores dos setores público e privado, a par da redução de 23,75 para 18% da taxa paga pelas empresas para o mesmo sistema.
“Procuro ser otimista mas o meu otimismo está a ser confrontado com o realismo quotidiano. A grande preocupação deste país, nomeadamente no Norte, é o aumento diário dos desempregados”, salientou o prelado, para quem a nova medida, contrariamente às intenções do Executivo, não vai criar mais postos de trabalho.
O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana acredita que há “outras soluções onde se pode, porventura, encontrar aquilo que o país necessita”, embora ressalve que “não é técnico” nem tem “competências” na área financeira.
“O contributo da Igreja, além das respostas imediatas que vai dando aos problemas, deve ser o da denúncia de que o problema também radica no tipo de humanismo que pretendemos”, declarou D. Jorge Ortiga, sublinhando que a atual “organização da sociedade, com os seus sistemas liberais ou neo-liberais, está ultrapassada”.
A emergência de um “novo paradigma da sociedade”, mais “solidária” e “sóbria”, é um “trabalho de fundo” que pede “muita reflexão”, apontou.
A Semana Social que a Comissão Episcopal presidida pelo arcebispo bracarense organiza em novembro, no Porto, vai centrar-se no “significado profundo do Estado social”.
“Espero que nessa altura possam surgir algumas orientações e luzes que nos ajudem a discernir o caminho a percorrer”, referiu.
Fonte: aqui

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


Conselho Económico em Santa Helena

Havia sido combinado entre todos, mas para o 3º domingo de Setembro. Entretanto, para o próximo domingo está marcada a festa/convívio no Senhor do Monte. Houve assim necessidade de antecipar para hoje o encontro dos comissários e suas famílias em Santa Helena.
Em virtude de compromissos já assumidos ou por razões de índole particular, nem todos os comissários puderam marcar presença. De todos nos recordámos com amizade e por todos rezámos.
Ao longo da manhã as pessoas foram chegando à Serra e o almoço foi sendo preparado. A refeição correu com simplicidade, naturalidade e espírito de amizade.
Após o cafezinho, os conselheiros reuniram, fizeram o ponto da situação no tocante ao seu pelouro de acção (obras e situação económica), analisaram situações pendentes, projectaram actividades e viram-se aspectos do funcionamento do grupo. Entretanto as suas famílias, continuaram o convívio e o trabalho de cozinha...
Depois teve lugar a Eucaristia. Louvor a Deus também por estes homens e suas famílias que gratuitamente dão o seu contributo para o bem da comunidade. O Pároco felicitou cada comissário, esposas e filhos pelo apoio dado em prol do bem comum. Além do apoio directo ao trabalho do marido e pai, estas  famílias compreendem a tempo que comissário lhes retira para a missão que assumiram.
Ser conselho económico não é só a mesma coisa que ser direcção de uma associação qualquer. É preciso ter em conta os valores do Evangelho e as orientações da Igreja.
Finalmente, após um breve lanche, as pessoas regressaram a casa.
Foi muito agradável este encontro de voluntários e suas famílias. É que nestes convívios, estreitam-se laços de amizade, compreensão pelo aprofundamento do mútuo conhecimento e fortalece-se a vontade de ir sempre mais além.

sábado, 8 de setembro de 2012

Natividade de Nossa Senhora

Hoje é o dia de anos de Nossa Senhora

O Nascimento de Maria desde há muito tempo foi tratado com enorme devoção e representado com muita ternura como podemos ver neste fresco medieval.

Há um ano, descobri este Evangelho apócrifo de Nossa Senhora traduzido do hebreu por S. Jerónimo no século IV num excelente site americano católico. Comecei a traduzi-lo e aqui está para vossa devoção

Começa assim:
 
A bem-aventurada e gloriosa sempre virgem Maria, de ascendência real e da família de David, nasceu na cidade de Nazaré e foi trazida a Jerusalém ao templo do Senhor. O seu pai chamava-se Joaquim e a sua mãe Ana. A casa do seu pai era da Galileia e da cidade de Nazaré, mas a família de sua mãe era de Belém. A vida de seus pais era isenta de malícia e agradável ao Senhor e irrepreensível e piedosa perante os homens. Dividiam o que tinham em três partes. Uma parte gastavam no templo e para os servos do templo, outra distribuíam pelos estrangeiros e pobres e a terceira reservavam para si e para as necessidades da família. Assim, queridos por Deus, amáveis para os homens, durante cerca de vinte anos viveram na sua própria casa um casamento casto, sem terem filhos. Todavia fizeram o voto de, na eventualidade de Deus lhes dar um descendente, entregá-lo-iam ao serviço do Senhor; à conta deste voto, costumavam visitar o templo do Senhor em cada festa durante o ano.
 
Fonte: aqui

quinta-feira, 6 de setembro de 2012


XXIII Domingo Comum - Ano B

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Leituras: aqui
“Effathá! Abre-te”!
1. Não é uma palavra mágica, para Sésamo nos abrir as portas do sonho! É a palavra-chave de Jesus, para abrir a porta dos sentidos, à autêntica comunicação com Ele! Cerrado e encerrado no seu próprio mundo, este surdo, que fala com dificuldade, é trazido por outros. Mas precisará de fugir do ruído, que lhe impede a escuta, e chegar a um contacto pessoal com Jesus.
Na verdade, Jesus está em terra de pagãos, e as vias de comunicação não lhe são fáceis. Não bastam, portanto, palavras fortes, para quem não ouve e quase não fala. Para entrar no coração daquele homem, Jesus tem de atravessar a porta dos sentidos! Mete-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva toca-lhe a língua. Mas ainda assim não basta, para reatar o fio da comunicação! Jesus sabe bem que o pior surdo é o que não quer ouvir, e que não falta, por lá, quem morda pela calada! Jesus sente muitas dificuldades e resistências. Diz o evangelho que “ergueu os olhos ao céu e suspirou”, por uma ajuda do alto. Mas é pedido e exigido igualmente àquele surdo tartamudo que colabore, que responda e corresponda, que dê um passo pessoal, decisivo e fundamental, para o encontro com Cristo: que se abra, a partir de dentro, que abra inteiramente o seu coração a Cristo. “Effathá, abre-te”. Jesus não lhe diz: «abre os teus ouvidos»; nem lhe diz «solta a língua». Diz-lhe “Abre-te”, como quem lhe diz: é a partir de ti mesmo, da tua decisão livre, da tua resposta pessoal, da tua abertura aos outros, que é possível desbloquear o coração, para escutares a Palavra de Deus, para depois a anunciares aos outros com desassombro!
2. Queridos irmãos e irmãs: Este quadro bíblico é, a vários títulos, inspirador, para o Ano da Fé, que estamos às portas de abrir. E isto, em dois sentidos:
2.1. Desde logo, porque nos fala da preferência de Jesus, por frequentar a fronteira e entrar em território pagão! Não é nada cómodo. Preferimos o nosso auditório habitual e habitado, ouvidos piedosos e afinados, bocas abertas e afiadas, para os louvores do Senhor! Mas é urgente e é preciso muito mais. É preciso entrar no pátio dos gentios e propor Cristo aos outros, levando os outros a Cristo, sem aceção de pessoas. Precisamos de “abrir os ouvidos”, porque “a fé vem de ouvir a palavra de Deus” (Rm. 10,17). Precisamos de falar de Cristo, de O mostrar (cf. Jo.12,21), porque ninguém O pode seguir, se não ouvir falar dEle (Rm.10,14), se não houver quem lhO mostre. Precisamos nós e precisam todos os que ainda não abriram, no coração, a porta da fé, mesmo se “vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um verdadeiro «preâmbulo» da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus” (PF 10). Mas é preciso que os ajudemos, como aqueles outros ajudaram o surdo-mudo, a chegar ao encontro com Cristo. “É precisamente a este encontro que nos convida e abre plenamente a fé” (PF 10). Disse Zita Seabra, no contexto do simpósio do clero, esta semana: “Uma sociedade sem fé é uma sociedade vazia e foi para isso que procurei chamar a atenção: para a necessidade de a trazer à praça pública; que a Igreja não fique num gueto, fechada sobre si própria, apenas a falar de fé aos que já a têm. Deve vir ao átrio, discuta com quem não tem Fé e suscite a discussão destas questões que são verdadeiramente as questões importantes”.
2.2. Por outro lado, a palavra de ordem “abre-te” é mesmo a chave de todo este Ano da Fé. O Santo Padre lembra-nos que a fé é uma porta de entrada e que “atravessar aquela porta implica embrenhar-se num caminho novo que dura a vida inteira”, e lembra-nos ainda “a necessidade de redescobrir o caminho da fé, para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo”. E este é o desafio que nos é feito, primeiramente, a nós que aqui estamos: “já entrámos, decididamente, por essa porta, ou só espreitámos por ela? Por vezes ainda olhamos para trás, vendo toda a realidade humana sem o olhar da fé? Aceitámos, decididamente, trilhar esse novo caminho, o caminho da vida concebida à luz de Cristo e conduzida por Ele” (D. José Policarpo, Carta Pastoral “A força da fé”, 2012)?
3. Irmãos e irmãs: Esta palavra «effathá, abre-te», foi-nos dita, precisamente, no dia do Batismo e nunca mais deixa de ressoar nos nossos corações, com um desejo expresso pela voz da Igreja: «O Senhor Jesus, que fez ouvir os surdos e falar os mudos, te dê a graça de, em breve, poderes ouvir a sua Palavra e professar a fé, para louvor e glória de Deus Pai» (Ritual do Batismo, 65-66;101). Na verdade, cristãos surdos à Palavra serão como tartamudos a anunciar o evangelho.
Por isso, «Effatá, abre-te», é a palavra-chave, para a vida e para o Ano da fé! Eis o que tenho a dizer-vos, com toda a alma: “abri nos corações a porta da fé”!
Fonte: aqui

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Quantas "Nossas Senhoras" há?

Nossa Mãe recebe nomes ou títulos em função das prerrogativas com que Deus a ornou (Senhora da Graça, Mãe de Deus, Imaculada Conceição),  de lugares onde teria aparecido (de Fátima, de Lurdes), de graças que tenha concedido (das Graças), de locais onde é padroeira (Aparecida), de graças que necessitamos (da Boa Viagem) e até nomes que queiramos dar em função de nossas necessidades. Maria, Mãe de Jesus, é quem  recebe mais nomes em toda a Igreja Católica.

Há tempos chamou-me atenção um intenção para a Eucaristia. Estava lá escrito: "Em honra de Nossa Senhora dos Remédios, em honra de Nossa Senhora dos Milagres, em honra de Nossa Senhora de Fátima, em honra de Nossa Senhora dos Aflitos".
Isto trouxe-me à mente uma conversa que aconteceu há uns anos. Às tantas, um dos intervenientes, ficou muito chocado quando lhe foi dito que Nossa Senhora é só uma, a Mãe de Jesus e nossa Mãe. "Eu pensava que havia tantas "Nossas Senhoras..."
Era ainda novo, quando acompanhei um grupo de pessoas ao santuário de Nossa Senhora de Fátima. No autocarro, assisti ao diálogo entre duas pessoas. Uma dizia:
- Eu gosto muito de vir a Fátima, mas a "santinha" da minha devoção é a Senhora da Lapa.
A outra respondeu:
- Eu cá gosto mais desta "santa". Para mim não há como a Senhora de Fátima!"

Apenas alguns casos. Que traduzem a ignorância religiosa de muitos cristãos.
Como queremos que compreendam mensagens mais elaboradas quando ainda navegam nesta ignorância primitiva?
Falar de "Mistério Pascal", comunidade e comunhão, projecto pastoral, vocação e missão da Igreja, etc, a pessoas que acham que há muitas "Nossas Senhoras" diferentes...
É mais do que necessária uma catequização a sério que abranja TODOS OS CRISTÃOS.
Mas será que eles estão disponíveis? Será que sentem necessidade de serem catequizados? É que de "futebol, política, família e religião", os portugueses acham sempre que sabem tudo, são mestres consumados...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Senhor do Monte: Festa/Convívio


Nota com indicações pastorais para o Ano da Fé - 3

Indicações

III. A nível diocesano
1. Deseja-se uma celebração de abertura do Ano da Fé e uma solene conclusão do mesmo a nível de cada Igreja particular, ocasião para "confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro"28.
2. Será oportuno organizar em cada Diocese do mundo uma jornada sobre o Catecismo da Igreja Católica, convidando especialmente os sacerdotes, as pessoas consagradas e os catequistas. Nesta ocasião, por exemplo, as Eparquias orientais católicas poderiam preparar um encontro com os sacerdotes para testemunhar a sensibilidade específica e a tradição litúrgica próprias ao interno da única fé em Cristo; assim as jovens Igrejas particulares nas terras de missão poderão ser convidadas a oferecer um testemunho renovado daquela alegria na fé que tanto as caracterizam.
3. Cada Bispo poderá dedicar uma sua Carta pastoral ao tema da fé, recordando a importância do Concílio Vaticano II e do Catecismo da Igreja Católica levando em conta as circunstâncias pastorais específicas da porção de fiéis a ele confiada.
4. Deseja-se que em cada Diocese, sob a responsabilidade do Bispo, sejam organizados momentos de catequese, destinados aos jovens e àqueles que estão em busca de um sentido para a vida, com a finalidade de descobrir a beleza da fé eclesial, e que sejam promovidos encontros com as testemunhas significativas da mesma.
5. Será oportuno controlar a assimilação (receptio) do Concílio Vaticano II e do Catecismo da Igreja Católica na vida e na missão de cada Igreja particular, especialmente em âmbito catequético. Neste sentido se deseja um empenho renovado por parte dos Ofícios catequéticos das Dioceses, os quais – com o apoio das Comissões para a Catequese das Conferências Episcopais ; têm o dever de providenciar à formação dos catequistas no que diz respeito aos conteúdos da fé.
6. A formação permanente do clero poderá ser concentrada, especialmente neste Ano da Fé, nos Documentos do Concílio Vaticano II e no Catecismo da Igreja Católica, tratando, por exemplo, de temas como "o anúncio do Cristo ressuscitado", "a Igreja, sacramento de salvação", "a missão evangelizadora no mundo de hoje", "fé e incredulidade", "fé, ecumenismo e diálogo interreligioso", "fé e vida eterna", "a hermenêutica da reforma na continuidade", "o Catecismo na preocupação pastoral ordinária".
7. Os Bispos são convidados a organizar, especialmente no período da quaresma, celebrações penitenciais nas quais se peça perdão a Deus, também e particularmente, pelos pecados contra a fé. Este Ano será também um tempo favorável para se aproximar com maior fé e maior frequência do sacramento da Penitência.
8. Deseja-se um envolvimento do mundo académico e da cultura por uma renovada ocasião de diálogo criativo entre fé e razão por meio de simpósios, congressos e jornadas de estudo, especialmente nas Universidades católicas, mostrando "que não é possível haver qualquer conflito entre fé e ciência autêntica, porque ambas, embora por caminhos diferentes, tendem para a verdade"29.
9. Será importante promover encontros com pessoas que, "embora não reconhecendo em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo"30, inspirando-se também nos diálogos do Pátio dos Gentios, organizados sob a guia do Conselho Pontifício para a Cultura.
10. O Ano da Fé poderá ser uma ocasião para prestar uma maior atenção às Escolas católicas, lugares próprios para oferecer aos alunos um testemunho vivo do Senhor e para cultivar a sua fé com uma referência oportuna à utilização de bons instrumentos catequéticos, como por exemplo, o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica ou como o Youcat.
IV. A nível das paróquias / comunidades / associações / movimentos
1. Em preparação para o Ano da Fé, todos os fiéis são convidados a ler e meditar atentamente a Carta apostólica Porta fidei do Santo Padre Bento XVI.
2. O Ano da Fé "será uma ocasião propícia também para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia"31. Na Eucaristia, mistério da fé e fonte da nova evangelização, a fé da Igreja é proclamada, celebrada e fortalecida. Todos os fiéis são convidados a participar dela conscientemente, ativamente e frutuosamente, a fim de serem testemunhas autênticas do Senhor.
3. Os sacerdotes poderão dedicar maior atenção ao estudo dos Documentos do Concílio Vaticano II e do Catecismo da Igreja Católica, tirando daí fruto para a pastoral paroquial – a catequese, a pregação, a preparação aos sacramentos – e propondo ciclos de homilias sobre a fé ou sobre alguns dos seus aspectos específicos, como por exemplo "o encontro com Cristo", "os conteúdos fundamentais do Credo", "a fé e a Igreja"32.
4. Os catequistas poderão haurir sobremaneira da riqueza doutrinal do Catecismo da Igreja Católica e guiar, sob a responsabilidade dos respectivos párocos, grupos de fiéis à leitura e ao aprofundamento deste precioso instrumento, a fim de criar pequenas comunidades de fé e de testemunho do Senhor Jesus.
5. Deseja-se que nas paróquias haja um empenho renovado na difusão e na distribuição do Catecismo da Igreja Católica ou de outros subsídios adequados às famílias, que são autênticas igrejas domésticas e primeiro lugar da transmissão da fé, como por exemplo no contexto das bênçãos das casas, dos Batismos dos adultos, das Crismas, dos Matrimónios. Isto poderá contribuir para a confissão e aprofundamento da doutrina católica "nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre"33.
6. Será oportuno promover missões populares e outras iniciativas nas paróquias e nos lugares de trabalho para ajudar os fiéis a redescobrir o dom da fé batismal e a responsabilidade do seu testemunho, na consciência de que a vocação cristã "é também, por sua própria natureza, vocação ao apostolado"34.
7. Neste tempo, os membros dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica são solicitados a se empenhar na nova evangelização, com uma adesão renovada ao Senhor Jesus, pela contribuição dos próprios carismas e na fidelidade ao Santo Padre e à sã doutrina.
8. As Comunidades contemplativas durante o Ano da Fé dedicarão uma intenção de oração especial para a renovação da fé no Povo de Deus e para um novo impulso na sua transmissão às jovens gerações.
9. As Associações e os Movimentos eclesiais são convidados a serem promotores de iniciativas específicas, as quais, pela contribuição do próprio carisma e em colaboração com os Pastores locais, sejam inseridas no grande evento do Ano da Fé. As novas Comunidades e os Movimentos eclesiais, de modo criativo e generoso, saberão encontrar os modos mais adequados para oferecer o próprio testemunho de fé ao serviço da Igreja.
10. Todos os fiéis, chamados a reavivar o dom da fé, tentarão comunicar a própria experiência de fé e de caridade35 dialogando com os seus irmãos e irmãs, também com os das outras confissões cristãs, com os seguidores de outras religiões e com aqueles que não crêem ou são indiferentes. Deste modo se deseja que todo o povo cristão comece uma espécie de missão endereçada aqueles com os quais vive e trabalha, com consciência de ter recebido "a mensagem da salvação para a comunicar a todos"36.
Conclusão
A fé "é companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós. Solícita a identificar os sinais dos tempos no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo"37. A fé é um ato pessoal e ao mesmo tempo comunitário: é um dom de Deus que deve ser vivenciado na grande comunhão da Igreja e deve ser comunicado ao mundo. Cada iniciativa para o Ano da Fé quer favorecer a alegre redescoberta e o testemunho renovado da fé. As indicações aqui oferecidas têm o fim de convidar todos os membros da Igreja ao empenho a fim de que este Ano seja a ocasião privilegiada para partilhar aquilo que o cristão tem de mais caro: Cristo Jesus, Redentor do homem, Rei do Universo, "autor e consumador da fé" (Heb 12, 2).
Roma, da Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, aos 6 de janeiro de 2012, Solenidade da Epifania do Senhor.
CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Nota com indicações pastorais para o Ano da Fé - 2


Indicações

"Eu sei em quem pus a minha fé" (2 Tm 1, 12): esta palavra de São Paulo nos ajuda a compreender que "antes de mais, a fé é uma adesão pessoal do homem a Deus. Ao mesmo tempo, e inseparavelmente, é o assentimento livre a toda a verdade revelada por Deus"17. A fé como confiança pessoal no Senhor e a fé que professamos no Credo são inseparáveis, se atraem e se exigem reciprocamente. Existe uma ligação profunda entre a fé vivida e os seus conteúdos: a fé das testemunhas e dos confessores é também a fé dos apóstolos e dos doutores da Igreja.

Neste sentido, as seguintes indicações para o Ano da Fé desejam favorecer tanto o encontro com Cristo por meio de autênticas testemunhas da fé, quanto o conhecimento sempre maior dos seus conteúdos. Trata-se de propostas que visam solicitar, de maneira exemplificativa, a pronta responsabilidade eclesial diante do convite do Santo Padre a viver em plenitude este Ano como um especial "tempo de graça"18. A redescoberta alegre da fé poderá contribuir também a consolidar a unidade e a comunhão entre as diversas realidades que compõem a grande família da Igreja.

I. A nível da Igreja universal

1. O principal evento eclesial no começo do Ano da Fé será a XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, convocada pelo Papa Bento XVI para o mês de outubro de 2012 e dedicada à Nova evangelização para a transmissão da fé cristã. Durante este Sínodo, no dia 11 de outubro de 2012, acontecerá uma celebração solene de inauguração do Ano da Fé, recordando o quinquagésimo aniversário de abertura do Concílio Vaticano II.

2. No Ano da Fé devem-se encorajar as romarias dos fiéis à Sé de Pedro, para ali professarem a fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, unindo-se àquele que é chamado hoje a confirmar seus irmãos na fé (cf. Lc 22, 32). Será importante favorecer também as romarias à Terra Santa, lugar que por primeiro viu a presença de Jesus, o Salvador, e de Maria, sua mãe.

3. No decorrer deste Ano será útil convidar os fiéis a se dirigirem com devoção especial a Maria, figura da Igreja, que "reúne em si e reflete os imperativos mais altos da nossa fé"19. Assim pois deve-se encorajar qualquer iniciativa que ajude os fiéis a reconhecer o papel especial de Maria no mistério da salvação, a amá-la filialmente e a seguir a sua fé e as suas virtudes. A tal fim será muito conveniente organizar romarias, celebrações e encontros junto dos maiores Santuários.

4. A próxima Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em 2013 oferecerá uma ocasião privilegiada aos jovens para experimentar a alegria que provém da fé no Senhor Jesus e da comunhão com o Santo Padre, na grande família da Igreja.

5. Deseja-se que sejam organizados simpósios, congressos e encontros de grande porte, também a nível internacional, que favoreçam o encontro com autênticos testemunhos da fé e o conhecimento dos conteúdos da doutrina católica. Demonstrando como também hoje a Palavra de Deus continua a crescer e a se difundir, será importante dar testemunho de que em Jesus Cristo "encontra plena realização toda a ânsia e anélito do coração humano"20 e que a fé "se torna um novo critério de entendimento e de ação que muda toda a vida do homem"21. Alguns congressos serão dedicados à redescoberta dos ensinamentos do Concílio Vaticano II.

6. Para todos os crentes, o Ano da Fé oferecerá uma ocasião favorável para aprofundar o conhecimento dos principais Documentos do Concílio Vaticano II e o estudo do Catecismo da Igreja Católica. Isto vale de modo particular para os candidatos ao sacerdócio, sobretudo durante o ano propedêutico ou nos primeiros anos dos estudos teológicos, para as noviças e os noviços dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica, bem como para aqueles que vivem um período de prova para incorporar-se a uma Associação ou a um Movimento eclesial.

7. Este Ano será a ocasião propícia para acolher com maior atenção as homilias, as catequeses, os discursos e as outras intervenções do Santo Padre. Os Pastores, as pessoas consagradas e os fiéis leigos serão convidados a um empenho renovado de efetiva e cordial adesão ao ensinamento do Sucessor de Pedro.

8. Durante o Ano da Fé, se deseja que haja várias iniciativas ecuménicas, em colaboração com o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, com o fim de invocar e favorecer "a restauração da unidade entre todos os cristãos" que é "um dos principais propósitos do sagrado Concílio Ecuménico Vaticano II"22. Em particular, acontecerá uma solene celebração ecuménica a fim de reafirmar a fé em Cristo por parte de todos os batizados.

9. Junto ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização será instituída uma Secretaria especial para coordenar as diversas iniciativas relativas ao Ano da Fé, promovidas pelos vários Dicastérios da Santa Sé ou que tenham relevância para a Igreja universal. Será conveniente informar com tempo esta Secretaria sobre os principais eventos organizados: ela também poderá sugerir iniciativas oportunas a respeito. A Secretaria abrirá para tanto um site internet com a finalidade de oferecer todas as informações úteis para viver de modo eficaz o Ano da Fé.

10. Por ocasião da conclusão deste Ano, na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, acontecerá uma Eucaristia celebrada pelo Santo Padre, na qual se renovará solenemente a profissão de fé.

II. A nível das Conferências Episcopais

1. As Conferências Episcopais poderão dedicar uma jornada de estudo ao tema da fé, do seu testemunho pessoal e da sua transmissão às novas gerações, na consciência da missão específica dos Bispos como mestres e "arautos da fé"24.

2. Será útil favorecer a republicação dos Documentos do Concílio Vaticano II, do Catecismo da Igreja Católica e do seu Compêndio, também em edições de bolso e económicas, e a sua maior difusão possível com a ajuda dos meios eletrónicos e das tecnologias modernas.

3. Deseja-se um esforço renovado para traduzir os Documentos do Concílio Vaticano II e o Catecismo da Igreja Católica nas línguas em que ainda não existem. Encorajam-se as iniciativas de sustento caritativo para tais traduções nas línguas locais dos Países em terra de missão, onde as Igrejas particulares não podem arcar com as despesas. Tudo isto seja feito sob a guia da Congregação para a Evangelização dos Povos.

4. Os Pastores, haurindo das novas linguagens de comunicação, devem se empenhar para promover transmissões televisivas ou radiofónicas, filmes e publicações, também a nível popular e acessíveis a um grande público, sobre o tema da fé, dos seus princípios e conteúdos, como também sobre o significado eclesial do Concílio Vaticano II.

5. Os Santos e os Beatos são as autênticas testemunhas da fé25. Portanto será oportuno que as Conferências Episcopais se empenhem para difundir o conhecimento dos Santos do próprio território, utilizando também os modernos meios de comunicação social.

6. O mundo contemporâneo é sensível à relação entre fé e arte. Neste sentido, se aconselha às Conferências Episcopais a valorizar adequadamente, em função catequética e eventualmente em colaboração ecuménica, o património das obras de arte presentes nos lugares confiados à sua cura pastoral.

7. Os docentes nos Centros de estudos teológicos, nos Seminários e nas Universidades católicas são convidados a verificar a relevância, no exercício do próprio magistério, dos conteúdos do Catecismo da Igreja Católica e das implicações que daí derivam para as respectivas disciplinas.

8. Será útil preparar, com a ajuda de teólogos e autores competentes, subsídios de divulgação com caráter apologético (cf. 1 Pd 3, 15). Assim cada fiel poderá responder melhor às perguntas que se fazem nos diversos âmbitos culturais, ora no tocante aos desafios das seitas, ora aos problemas ligados ao secularismo e ao relativismo, ora "a uma série de interrogativos, que provêm duma diversa mentalidade que, hoje de uma forma particular, reduz o âmbito das certezas racionais ao das conquistas científicas e tecnológicas"26, como também a outras dificuldades específicas.

9. Deseja-se um controle dos catecismos locais e dos vários subsídios catequéticos em uso nas Igrejas particulares, para garantir a sua conformidade plena com o Catecismo da Igreja Católica27. No caso em que alguns catecismos ou subsídios não estejam em plena sintonia com o Catecismo, ou revelem algumas lacunas, poder-se-á encetar a elaboração de novos, eventualmente segundo o exemplo e a ajuda de outras Conferências Episcopais que já providenciaram à sua redação.

10. Será oportuna, em colaboração com a competente Congregação para a Educação Católica, um controle da presença dos conteúdos do Catecismo da Igreja Católica na Ratio da formação dos futuros sacerdotes e no Curriculum dos seus estudos teológicos.
 
CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
 

domingo, 2 de setembro de 2012

Nota com indicações pastorais para o Ano da Fé

Introdução

Com a Carta apostólica Porta fidei de 11 de outubro de 2011, o Santo Padre Bento XVI convocou um Ano da Fé. Ele começará no dia 11 de outubro 2012, por ocasião do quinquagésimo aniversário da abertura do Concílio Ecuménico Vaticano II, e terminará aos 24 de novembro de 2013, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

"Também nos nossos dias a fé é um dom que se deve redescobrir, cultivar e testemunhar"
Este ano será uma ocasião propícia a fim de que todos os fiéis compreendam mais profundamente que o fundamento da fé cristã é "o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo".1 Fundamentada no encontro com Jesus Cristo ressuscitado, a fé poderá ser redescoberta na sua integridade e em todo o seu esplendor. para que o Senhor "conceda a cada um de nós viver a beleza e a alegria de sermos cristãos"2.

O início do Ano da Fé coincide com a grata recordação de dois grandes eventos que marcaram a face da Igreja nos nossos dias: o quinquagésimo aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, desejado pelo beato João XXIII (11 de outubro de 1962), e o vigésimo aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica, oferecido à Igreja pelo beato João Paulo II (11 de outubro de 1992).

"A luz dos povos é Cristo"
O Concílio, segundo o Papa João XXIII, quis "transmitir pura e íntegra a doutrina, sem atenuações nem subterfúgios", empenhando-se para que "esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e exposta de forma a responder às exigências do nosso tempo"3. A este propósito, continua sendo de importância decisiva o início da Constituição dogmática Lumen gentium: "A luz dos povos é Cristo: por isso, este sagrado Concílio, reunido no Espírito Santo, deseja ardentemente iluminar com a Sua luz, que resplandece no rosto da Igreja, todos os homens, anunciando o Evangelho a toda a criatura (cfr. Mc. 16,15)"4. A partir da luz de Cristo, que purifica, ilumina e santifica na celebração da sagrada liturgia (cf. Constituição Sacrosanctum Concilium) e com a sua palavra divina (cf. Constituição dogmática Dei Verbum), o Concílio quis aprofundar a natureza íntima da Igreja (cf. Constituição dogmática Lumen gentium) e a sua relação com o mundo contemporâneo (cf. Constituição pastoral Gaudium et spes). Ao redor das suas quatro Constituições, verdadeiras pilastras do Concílio, se agrupam as Declarações e os Decretos, que enfrentam alguns dos maiores desafios do tempo.

A nova evangelização para a transmissão da fé cristã.
Depois do Concílio, a Igreja se empenhou na assimilação (receptio) e na aplicação do seu rico ensinamento, em continuidade com toda a Tradição, sob a guia segura do Magistério. A fim de favorecer a correta assimilação do Concílio, os Sumos Pontífices convocaram amiúde o Sínodo dos Bispos5, instituído pelo Servo de Deus Paulo VI em 1965, propondo à Igreja orientações claras por meio das diversas Exortações apostólicas pós-sinodais. A próxima Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, no mês de outubro de 2012, terá como tema: A nova evangelização para a transmissão da fé cristã.

Desde o começo do seu pontificado, o Papa Bento XVI se empenhou de maneira decisiva por uma correta compreensão do Concílio, rechaçando como errónea a assim chamada "hermenêutica da descontinuidade e da ruptura" e promovendo aquele que ele mesmo chamou de "’hermenêutica da reforma’", da renovação na continuidade do único sujeito-Igreja, que o Senhor nos concedeu; é um sujeito que cresce no tempo e se desenvolve, permanecendo porém sempre o mesmo, único sujeito do Povo de Deus a caminho"6.

O Catecismo da Igreja Católica é"verdadeiro fruto do Concílio Vaticano II"
O Catecismo da Igreja Católica, pondo-se nesta linha, é, de um lado, "verdadeiro fruto do Concílio Vaticano II"7, e de outro pretende favorecer a sua assimilação. O Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985, convocado por ocasião do vigésimo aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II e para efetuar um balanço da sua assimilação, sugeriu que fosse preparado este Catecismo a fim de oferecer ao Povo de Deus um compêndio de toda a doutrina católica e um texto de referência segura para os catecismos locais. O Papa João Paulo II acolheu a proposta como desejo "de responder plenamente a uma necessidade verdadeira da Igreja Universal e das Igrejas particulares"8. Redigido em colaboração com todo o Episcopado da Igreja Católica, este Catecismo "exprime verdadeiramente aquela a que se pode chamar a ‘sinfonia da fé’"9.

O Catecismo compreende "coisas novas e velhas (cf. Mt 13,52), porque a fé é sempre a mesma e simultaneamente é fonte de luzes sempre novas. Para responder a esta dupla exigência, o ‘Catecismo da Igreja Católica’ por um lado retoma a ‘antiga’ ordem, a tradicional, já seguida pelo Catecismo de São Pio V, articulando o conteúdo em quatro partes: o Credo; a sagrada Liturgia, com os sacramentos em primeiro plano; o agir cristão, exposto a partir dos mandamentos; e por fim a oração cristã. Mas, ao mesmo tempo, o conteúdo é com frequência expresso de um modo ‘novo’, para responder às interrogações da nossa época"10. Este Catecismo é "um instrumento válido e legítimo a serviço da comunhão eclesial e como uma norma segura para o ensino da fé."11. Nele os conteúdos da fé encontram "a sua síntese sistemática e orgânica. Nele, de facto, sobressai a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e ofereceu durante os seus dois mil anos de história. Desde a Sagrada Escritura aos Padres da Igreja, desde os Mestres de teologia aos Santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece uma memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina para dar certeza aos crentes na sua vida de fé."12.

Descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé
O Ano da Fé quer contribuir para uma conversão renovada ao Senhor Jesus e à redescoberta da fé, para que todos os membros da Igreja sejam testemunhas credíveis e alegres do Senhor ressuscitado no mundo de hoje, capazes de indicar a "porta da fé" a tantas pessoas que estão em busca. Esta "porta" escancara o olhar do homem para Jesus Cristo, presente no nosso meio "todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28, 20). Ele nos mostra como "a arte de viver" se aprende "numa relação profunda com Ele"13. "Com o seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo. Por isso, também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé"14.
 
CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano B

Leituras: aqui
 
“Este Povo honra-me com os lábios,
mas o seu coração está longe de mim”!
(Mc.7,6; Is.29,13)

1. Fomos a banhos, nestes meses de Verão! E trazemos já, com certeza, as nossas mãos lavadas e o corpo despoluído, nas águas imensas do mar salgado. Mas a Palavra de Deus, neste regresso a casa, quer lavar-nos, por dentro, para nos deixar inteiramente limpos (cf. Jo15, 3)do contágio deste mundo, e preparar-nos assim, para o encontro com Deus! É isso mesmo a fé verdadeira! A fé é a abertura inteira do coração humano, a esse Deus, que vem até nós! E é mesmo o próprio Deus, que se aproxima de nós, que nos purifica e nos prepara, para viver na intimidade e na comunhão com Ele. Não somos nós que, a custo e à nossa custa, nos purificamos, para termos acesso a Deus e à sua morada santa. É Ele, que chegando até nós, nos purifica e santifica, por dentro, fazendo de nós a sua morada!
2. Tendo em vista o “Ano da Fé”, que já se avizinha e se apressa, é, por graça, que a Palavra de Deus, nos direciona precisamente neste sentido: ir ao coração da fé! E ir ao coração da fé significa e implica prender-se ao essencial, do nosso encontro pessoal, vital e eclesial, com Deus, sem nos perdermos no acessório, de práticas rotineiras antigas! Ir ao coração da fé significa e implica deixar de lado uma religião, feita de costumes e de meras práticas exteriores, para viver com Deus uma relação, que brota do mais profundo do coração, até a professar, celebrar, viver, rezar e testemunhar publicamente. Ir ao coração da fé significa e implica deixar de lado doutrinas que não passam de preceitos humanos, para acolher docilmente e pôr em prática a Palavra de Deus, em nós plantada, mas nem sempre implantada! Ir ao coração da fé significa e implica deixar de lado uma religião, reduzida a um catálogo de pecados, de obrigações e proibições, para viver a “religião pura e sem mancha” dos que limpam o coração, sujando as mãos, no esforço da caridade, que é o pleno cumprimento da Lei. Ir ao coração da fé significa e implica sobretudo descobrir e testemunhar a alegria e a beleza do nosso encontro com Cristo, na comunhão com a Igreja. Na verdade, “a fé é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele” (PF 10). Nesse encontro, renova-se e alegra-se a nossa própria vida!
3. E Jesus quer mesmo reconduzir-nos ao coração da fé. E, para tal, cita-nos o profeta Isaías (29,13): “Este Povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”. Por isso, em primeiro e último lugar ir ao coração da fé, significará e implicará sempre que a fé brote do coração. A fé não se resume a dizer ou a cantar, da boca para fora, um conjunto de palavras ou doutrinas que, na maior parte das vezes, não passam de preceitos humanos! Acreditar, desde a sua raiz, implica «dar o próprio coração», isto é, abrir o coração e aderir a Deus, que Se revela em Cristo. Como nos diz São Paulo: «Acredita-se com o coração. E, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Rm 10, 10). O coração é aqui o centro da pessoa, dos seus pensamentos e sentimentos, dos seus projetos e decisões fundamentais! Neste sentido, só o coração pode abrir-se a Deus e chegar à fé! Ou deixar-se endurecer e fechar-se a Ele! Por isso, “o coração indica que o primeiro ato, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e ação da graça, que age e transforma a pessoa, até ao mais íntimo dela mesma” (PF 10).
4. Que o nosso coração, assim aberto pela graça de Deus, alcance sempre renovado o dom da fé: um dom a descobrir de novo, a cultivar continuamente e a testemunhar a todos, com renovado entusiasmo (cf. PF 7)!
Caminhemos juntos, na direção do essencial, até irmos bater à porta do coração da nossa fé! Ou à porta da fé, que bate, desde o nosso coração!
Fonte: aqui

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

"QUEM NÃO É APÓSTOLO É APÓSTATA"

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O mandato de Cristo "Ide por todo o mundo e ensinai a Boa Nova" é dirigido a cada cristão, que como diz Tertuliano, já no século III, se não for apóstolo é apóstata.
A missão é pois um dever e uma tarefa de todos e de cada cristão.
Ao princípio os apóstolos eram apenas 12 e nem por isso deixaram de ir um pouco por todo o lado e levar a mensagem de Cristo a todos quantos puderam. Quando conseguiam converter um grupo de pessoas, deixavam aí alguém que se responsabilizasse por essa comunidade e partiam para outra terra. É isso que ainda hoje fazem os missionários.

Os leigos são hoje chamados a desempenhar tarefas que ainda há pouco os padres faziam, como presidir a festas e funerais, animar catequeses e outras pastorais. E penso que com o tempo as comunidades irão organizar-se e, quem sabe?, crescer mais na comunhão eclesial e no sentir-se mais responsáveis no crescimento do Reino de Deus.

"Cristão nunca pode tirar férias"

Semana Bíblica Nacional dedicada aos "Desafios da nova evangelização



D. António Couto diz que um "cristão nunca pode tirar férias. Se vivo esse meu Cristianismo com alegria e com convicção tenho o dever de o transmitir, não posso estar parado, nem calado" 
A 35ª Semana Bíblica Nacional arranca em Fátima e vai ser dedicada aos "Desafios da nova evangelização", o tema central do Sínodo dos Bispos, agendado para Outubro, no Vaticano.
D. António Couto, especialista em Bíblia, aponta falhas no que se refere à transmissão da fé: “Nós não temos conseguido transmitir a fé aos nossos vizinhos, aos nossos amigos, às pessoas em geral. Um cristão nunca pode tirar férias, por definição. Se vivo esse meu Cristianismo com alegria e com convicção tenho o dever de o transmitir, não posso estar parado, nem calado, nem quieto”.

O presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização considera que “estamos num período de desconstrução de um mundo, de uma sociedade, em que a fé também está a esboroar-se”.
“Praticamente, as pessoas passam a fé para o lado com muita tranquilidade, sem sequer se perguntarem o que é ser cristão. Obviamente que aflige a Igreja e aflige muitos daqueles que são cristãos”, sublinha D. António Couto.

Fonte: aqui

Nota Pastoral sobre a Solenidade de Nossa Senhora dos Remédios

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SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS

Nota Pastoral

1. No próximo dia 8 de Setembro, dia em que a Igreja celebra a Festa da Natividade da Virgem Santa Maria, a Igreja que vive na Cidade de Lamego celebra a Solenidade de Nossa Senhora dos Remédios, sua Padroeira principal.

2. Nossa Senhora dos Remédios é, com certeza, nas suas coordenadas culturais e religiosas, o ponto mais alto (falo de outras alturas) da cidade de Lamego, mas também de toda a nossa Diocese de Lamego, e ainda de muita gente humilde e devota do inteiro Portugal e até do estrangeiro, que acorre a este lugar alto (a Bíblia chama «lugar alto» [maqôm], mais alto do que eu, aos santuários de Deus) para, juntamente connosco, bater a esta porta aberta desta Casa da Mãe de Deus e nossa Mãe, à procura de algum consolo para as suas dores e de um bocadinho de esperança para a sua vida.

3. A nós, Igreja de Deus que vive nesta Cidade e nesta Diocese de Lamego, compete-nos, portanto, pôr a mesa e acender a lareira, para que esta Casa da nossa Mãe seja um lar belo e acolhedor, onde todos aprendamos outra vez a sentir-nos verdadeiramente filhos e irmãos.

4. Ouso, por isso e para isso, apelar a todos os Movimentos e a todas as Comunidades Paroquiais espalhadas pelo espaço da nossa Diocese de Lamego, com os seus párocos e fiéis, acólitos e porta-estandartes, a marcarem presença activa, peregrinante e orante, de modo a enchermos de Fé, de Amor e de Esperança todos os caminhos que vão dar ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

5. O Dia Grande é o Dia 8 de Setembro. Nesse Dia haverá no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, às 10 horas, a Solene Celebração da Eucaristia. E às 16 horas terá lugar a Solene Procissão que, saindo da Igreja das Chagas e atravessando as ruas da cidade, se dirigirá para o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

6. Toda a grande Celebração requer que nos preparemos condignamente para ela. Nesse sentido, o Santuário oferece um itinerário de preparação, que decorrerá de 30 de Agosto a 7 de Setembro, com dois momentos altos em cada um dos dias desta novena: às 6 horas da manhã, haverá a Recitação do Terço, Adoração e Celebração da Eucaristia; e às 18 horas, haverá um tempo de oração mariana, orientado pelas Irmãs Franciscanas Hospitaleiras. No dia 6, no final da Oração da manhã, a imagem de Nossa Senhora dos Remédios será levada em Procissão para a Igreja das Chagas, de onde sairá no dia 8, em Solene Procissão, às 16 horas.

7. Aproveitemos este tempo de graça para renovarmos a nossa Alegria cristã e a nossa Dedicação à Mãe de Deus e Mãe nossa, que sempre nos acolhe na sua Casa e nos conforta nos seus braços maternais.

Lamego, 11 de Agosto de 2012, memória de Santa Clara de Assis

+ António Couto, Bispo de Lamego

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

PRECE

CATEQUESE PAROQUIAL

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CALENDÁRIO

·      A partir de 15 de Setembro, na Igreja Paroquial,  inscrições dos meninos que vêm para o 1º ano

·      7 de Outubro, 14.30 horas, reunião geral de catequistas no Centro Paroquial

·      Abertura da Catequese em 13 de Outubro:
-15 horas - Eucaristia na Igreja Paroquial, seguida de:
- Reunião geral de pais
- Distribuição dos grupos de catequese e início da catequese

28 de Agosto: Santo Agostinho

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 Santo Agostinho de Hipona foi um importante bispo cristão e teólogo. Nasceu na região norte da África em 354 e morreu em 430. Era filho de mãe que seguia o cristianismo, porém seu pai era pagão. Logo, na sua formação, teve importante influência do maniqueísmo (sistema religioso que une elementos cristãos e pagãos).
 
Pensamentos de Santo Agostinho:

 "O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que é a fonte de todos os vícios."

"Não basta fazer coisas boas - é preciso fazê-las bem."

"Não é tanto o que fazemos, mas o motivo pelo qual fazemos que determina a bondade ou a malícia."

"Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser."

"Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem."

"Deus não será maior se o respeitas, mas tu serás maior se o servires. "

"Na procura de DEUS é ELE quem se adianta e vem ao nosso encontro."

"Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti."

"A fé e a razão caminham juntas, mas a fé vai mais longe."

"A beleza é realmente um bom dom de Deus; mas que os bons não pensem que ela é um grande bem, pois Deus a distribui mesmo para os maus."

"Não queiras entender para crer; crê para que possas entender. Se não crês, não entenderás."

"Uma lágrima se evapora, uma flor murcha, só a oração chega ao trono de Deus."

"Uma boa consciência é o palácio de Cristo, templo do Espírito Santo,
paraíso do deleite, descanso permanente dos santos."

"Amem esta Igreja, sejam essa Igreja, fiquem na Igreja! E amem o Esposo!"

"O cuidar dos funerais, a escolha da sepultura, a pompa das exéquias, visam mais à consolação dos vivos do que ao interesse dos mortos."

(Fonte: aqui)

terça-feira, 28 de agosto de 2012


O Valor de um Testemunho

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Josué disse então a todo o povo:
«Se não vos agrada servir o Senhor,
escolhei hoje a quem quereis servir:
se os deuses que os vossos pais serviram no outro lado do rio,
se os deuses dos amorreus em cuja terra habitais.
Eu e a minha família serviremos o Senhor».
Mas o povo respondeu:
«Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses;
porque o Senhor é o nosso Deus,
que nos fez sair, a nós e a nossos pais,
da terra do Egipto, da casa da escravidão.
Também nós queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus».

sábado, 25 de agosto de 2012

A História do José, mais conhecido por Zé Tuga

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O José, mais conhecido por Zé Tuga, nasceu em Portugal. Logo, nasceu católico. Isto é, faz parte do grupo daqueles cerca de muitos porcento que vão ser baptizados. Não tardou nem um ano e foi baptizado, levado ao colo pelos seus pais, com esta ideia. Queremos que ele tenha a nossa religião. O Zé Tuga entrou na catequese como os outros meninos, pois entra-se na catequese quase como se entra na escola. Faz parte da vida dos porcento que estão baptizados. Entrou na catequese para fazer a Primeira Comunhão e o Crisma. A Catequista era uma senhora Conceição muito devota da terra, que sabia tudo e ensinava tudo. O Zé gostava muito da senhora Conceição. Mas depois da Primeira comunhão as coisas começaram a azedar, a não fazer muito sentido, pois os amigos mais velhos, os maiores lá da escola, diziam que aquilo era uma seca. Ora, os amigos é que sabem tudo. Sabem mais tudo que a senhora Conceição. Por alturas da profissão de fé, já o Zé faltava mais vezes do que ia à catequese. Mas ainda se aguentou para o Crisma, embora nos anos que mediaram a Primeira Comunhão e o Crisma, não tenha ido muito à Missa. Ia à catequese, mas não ia à missa. Não precisava da missa para fazer o Crisma. Era amigo de Deus, dizia, embora na escola dissesse aos amigos que era mais do tipo agnóstico, que isto está na moda. Do tal amigo que se chama Deus ou Jesus, lembrava-se por alturas dos testes dos estudos ou da vida. Lá esboçava um Pai Nosso, ou ia a Fátima. Aliás, foi lá umas duas ou três vezes a pé com uns amigos dos copos, uns anos depois do casamento. Casou-se pela Igreja para as fotografias. O padre que presidiu à cerimónia ainda se lembra do sorriso maroto do Zé quando lhe passou o cálice para as mãos. Na altura confessou-se para calar o padre, embora não contasse todos os pecados. Aliás, isso dos pecados só eu é que sei. Ou melhor, nem sei o que é pecado. Digo umas asneiras e pronto. Voltou à Igreja quando a primeira filha foi a Baptizar, e lembra-se de discutir muito com o padre porque ele é que sabia quem seria o melhor padrinho para ela. Foi à reunião de preparação, e até gostou da conversa. Mas só foi interessante. Mais nada. Nessa ocasião, já nem se confessou. Fez mais ou menos o mesmo por alturas da segunda filha e no dia da Primeira Comunhão delas. Também nunca faltava aos funerais dos amigos, embora ficasse para além da porta dos fundos e nem entrasse no cemitério. Isso só fez no funeral da mãe e do pai. Foi à Missa e ficou no banco da frente. Entrou no cemitério e chorou porque Deus os levara. Mas era muito amigo de Deus, dizia, pois tinha a sua fé. Eu cá tenho a minha fé. No café, entre um copo e outro, falava muito mal da igreja, que os padres isto e aquilo, que as beatas eram umas falsas, que a igreja tem muito dinheiro. Por isso também nunca contribuiu muito para as causas da Igreja. Os padres é que tiram a fé. Mas ele não a perdia, porque carregava muitas vezes o andor da santinha nossa senhora de Fátima e não faltava à maior parte das festas. Ou melhor, à maior parte das procissões das festas. Não era má pessoa, como se isso bastasse para ser bom. Enfim, fazia parte dos cerca de muitos porcento que são católicos em Portugal. Há dias adoeceu. E em pouco mais de um mês faleceu. Teve um funeral digno, com missa e tudo, na mesma Igreja que uns dias antes não prestava, a pedido da família que ainda marcou missa de sétimo dia. A maior parte dos seus amigos ficou, como é hábito, para além da porta dos fundos. O padre foi muito simpático em falar da Vida Eterna. E para lá caminhou o Zé Tuga, quando lhe apareceu um gajo vestido de branco, um branco tão branco que nem há aqui na terra, e lhe fez uma pergunta. Zé Tuga, tu conheces-me? E o Zé Tuga olhou-o assim, bem, de alto a baixo, e respondeu. Acho que sim. Tu não és… deixa cá ver se me lembro, que isto da morte faz-nos esquecer tudo… aquele a quem chamavam de Jesus? O gajo de branco repetiu mais umas cinquenta vezes. Zé Tuga, tu conheces-me? Perante a insistência, o Zé respondeu com algumas semelhanças a umas respostas, em tempos, de um tal Pedro. Sim, Senhor, tu sabes tudo, sabes que te conheço. Quando já parecia que o senhor de branco estava satisfeito, ouviu mais umas setenta mil e setenta e sete vezes a mesma pergunta, num tempo que parecia nem ser tempo. Um tempo sem tempo. Um tempo que só podia ser agora e eterno. Cansado de ouvir e não sabendo como responder, sentou-se e ali ficou sentado para sempre.
In Confessionário dum Padre, aqui

A PORTA DA FÉ - 14,15


14.  «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé?
O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1 Cor 13, 13). Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: “Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé”» (Tg 2, 14-18).
A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho. De facto, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2 Ped 3, 13; cf. Ap 21, 1).
15. Com firme certeza, acreditamos que o Senhor Jesus derrotou o mal e a morte
Já no termo da sua vida, o apóstolo Paulo pede ao discípulo Timóteo que «procure a fé» (cf. 2 Tm 2, 22) com a mesma constância de quando era novo (cf. 2 Tm 3, 15). Sintamos este convite dirigido a cada um de nós, para que ninguém se torne indolente na fé. Esta é companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós. Solícita a identificar os sinais dos tempos no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo. Aquilo de que o mundo tem hoje particular necessidade é o testemunho credível de quantos, iluminados na mente e no coração pela Palavra do Senhor, são capazes de abrir o coração e a mente de muitos outros ao desejo de Deus e da vida verdadeira, aquela que não tem fim.
Que «a Palavra do Senhor avance e seja glorificada» (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro. As seguintes palavras do apóstolo Pedro lançam um último jorro de luz sobre a fé: «É por isso que exultais de alegria, se bem que, por algum tempo, tenhais de andar aflitos por diversas provações; deste modo, a qualidade genuína da vossa fé – muito mais preciosa do que o ouro perecível, por certo também provado pelo fogo – será achada digna de louvor, de glória e de honra, na altura da manifestação de Jesus Cristo. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, credes n’Ele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das almas» (1 Ped 1, 6-9). A vida dos cristãos conhece a experiência da alegria e a do sofrimento. Quantos Santos viveram na solidão! Quantos crentes, mesmo em nossos dias, provados pelo silêncio de Deus, cuja voz consoladora queriam ouvir! As provas da vida, ao mesmo tempo que permitem compreender o mistério da Cruz e participar nos sofrimentos de Cristo (cf. Cl 1, 24) , são prelúdio da alegria e da esperança a que a fé conduz: «Quando sou fraco, então é que sou forte» (2 Cor 12, 10). Com firme certeza, acreditamos que o Senhor Jesus derrotou o mal e a morte. Com esta confiança segura, confiamo-nos a Ele: Ele, presente no meio de nós, vence o poder do maligno (cf. Lc 11, 20); e a Igreja, comunidade visível da sua misericórdia, permanece n’Ele como sinal da reconciliação definitiva com o Pai.
À Mãe de Deus, proclamada «feliz porque acreditou» (cf. Lc 1, 45), confiamos este tempo de graça.
PORTA FIDEI, BENTO XVI